Comportamento

Tem adulto trocando happy hour por pula-pula e luta com cotonetes gigantes

Divulgação
Homem participa da primeira edição do Circuito Corrida Insana; maioria dos participantes tinha entre 21 e 40 anos Imagem: Divulgação

Adriana Nogueira

Do UOL

22/08/2017 04h00

Parques com trampolins ou brinquedos infláveis para adultos começaram a brotar no Reino Unido, e estão desembarcando no Brasil.

Flávio Bernardes, um dos sócios do parque de trampolins Urban Motion, em São Paulo, conta que o espaço de 520 metros quadrados tem sido usado como lugar para happy hours e mais festinhas, todas de adultos. “A idade mínima para pular nos trampolins é três anos, mas não existe a máxima. Já tivemos gente com mais de 70 se divertindo aqui”, diz Bernardes.

Inaugurado em abril de 2016, o Urban Motion abriu uma segunda unidade, em abril, no Morumbi Town Shopping, também na capital paulista. Por enquanto, a maioria dos frequentadores tem entre três e 14 anos, mas há brincantes (sim, a palavra existe e significa isso mesmo que você está pensando) de todas as idades.

Jotapê/Divulgação
Dupla brinca no parque de infláveis Pop Haus, na zona sul de São Paulo Imagem: Jotapê/Divulgação


“Tenho um gráfico: o número crianças de três a dez anos está sempre sobe. Dessa idade para frente começa a cair, até os 33, quando volta a subir, chegando ao pico aos 41 anos”, conta Bernardes.

Guerra de cotonetes

O parque de brinquedos infláveis Pop Haus, em São Paulo, também não é feito só para crianças, mas para a família. Fernando Bacellar, um dos sócios, diz que tem notado que adultos estão pouco a pouco usufruindo mais do lugar, que tem como atrações um ringue de “luta com cotonetes” e um escorregador gigante.

“A gente percebe que, nos finais de semana, quando quem trabalha tem mais tempo, os visitantes ‘envelhecem’. Há jovens adultos –entre 18 e 25 anos— que se reúnem em grupos e vêm brincar sozinhos”, conta Bacellar. Ou seja, sem criança a tiracolo.

Outra opção de lazer para adultos nessa linha é o Circuito Corrida Insana, um percurso de cinco quilômetros com dez brinquedos infláveis. O evento itinerante --criado nos Estados Unidos-- chegou ao país neste ano. A primeira edição aconteceu sábado (19), em Goiânia (GO). Estão programadas outras 19 "corridas" pelo Centro Oeste, Sul e Sudeste do país.

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Visitante dá cambalhota no parque de trampolins Urban Motion, em São Paulo Imagem: Divulgação


Para participar da Insana, não é preciso ter uma idade mínima e, sim, altura a partir de 1,05 m. O circuito não tem caráter competitivo, o objetivo é se divertir vencendo os obstáculos de brinquedo. No final, todo mundo ganha medalha.

Na primeira prova, foram 2.000 inscritos, sendo que a maioria tinha idade entre 21 e 40 anos. “Ter um público mais adulto é uma característica da Insana lá fora, que acreditamos que deve se manter aqui”, afirma Fábio Avelar, diretor técnico do circuito.

Brincar é coisa séria

Se ler esse texto pôs a sua criança interior em polvorosa, não se reprima. Brincar não faz bem só para crianças. “Brincar precisa estar no cotidiano do ser humano. Facilita o aprendizado, favorece o desenvolvimento emocional e social e estimula a criatividade”, afirma a psicóloga clínica e hospitalar Sabrina Gonzalez. Habilidades profundamente valorizadas hoje em dia no campo profissional.

Brincar na idade adulta é um poderoso remédio para reduzir os níveis de estresse e de ansiedade. “É uma coisa muito séria, que foi ficando mal vista na sociedade a partir da Revolução Industrial, quando o objetivo passou a ser controlar as massas para produzir”, diz o cineasta Cacau Rhoden, que dirigiu o documentário “Tarja Branca”.

O nome do filme de 2014 defende a tese de que as pessoas teriam de tomar menos medicamentos tarja preta se preservassem nas suas vidas espaço para brincar. “O espírito lúdico nasce com todos nós e não se perde, ele acaba sendo é abafado. A gente é forçado a acreditar que seriedade é o contrário de brincadeira”, afirma Rhoden.

Para fazer “Tarja Branca”, o cineasta entrevistou gente como o músico e artista brasileiro Antônio Nóbrega, que consegue espaço para brincar em sua atividade profissional. “Fazer o que a gente gosta como trabalho é uma forma de brincar. Eu brinco fazendo cinema”, diz Rhoden.

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