Comportamento

"É o segundo soco", diz professora espancada, após linchamento nas redes

Reprodução/Facebook
21.ago.2017 - A professora Marcia Friggi relatou em suas redes sociais a agressão que sofreu de um aluno da rede pública, em Santa Catarina Imagem: Reprodução/Facebook

Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

24/08/2017 04h00

A professora Marcia Friggi, 51 anos, conta que está evitando falar muito sobre o fato que a colocou na manchete de todo o país. Desde segunda-feira (21), quando publicou uma foto na qual aparecia com o olho roxo causado por um soco de um aluno de 15 anos, em Santa Catarina, ela tem recebido mensagens de solidariedade, enquanto tenta se defender de novas agressões. Só que, dessa vez, nas redes sociais.

Como se declara ativista cultural e divulgadora de livros feitos por mulheres, além de se posicionar contrária à redução da maioridade penal, Marcia recebeu centenas de mensagens contra seus posicionamentos políticos, publicados anteriormente em seu perfil pessoal.

Linchamento virtual

Marcia diz que os ataques começaram após uma entrevista dada a uma rádio gaúcha. Segundo ela, os apresentadores do programa se concentraram em repercutir não só o caso da agressão em sala de aula, mas também os ataques feitos nas redes sociais em relação a seu posicionamento político. Houve bate-boca. O áudio foi parar na Internet e a professora passou a receber inúmeros xingamentos.

Em um das centenas de comentários recebidos, um usuário disse “alguém dá uma medalha pra esse aluno que meteu a porrada nessa canalha”. Outros a repudiaram por ter elogiado ovadas dadas contra o deputado Jair Bolsonaro.

A professora fez exame de corpo de delito na segunda e passa por tratamento psicológico. Ela apagou a foto na qual aparece com o olho roxo e fechou os comentários em sua página pessoal do Facebook. A imagem já passava dos 320 mil compartilhamentos quando foi retirada do ar. ”É o segundo soco, talvez o mais violento, que levei”.

Quem é ela?

Professora há doze anos, Marcia conta ter nascido em uma família humilde no Rio Grande do Sul. Tentou se formar em pedagogia no início dos anos 1990, mas teve que abandonar o curso para poder pagar as contas como bancária. Só pôde se formar no ensino superior em 2007, quando concluiu o curso de Letras e se especializou em linguística. “Eu me tornei professora pelo amor à literatura, pelos livros e pela educação”, conta. 

O aluno

Segundo o prefeito de Indaial, André Moser, a prefeitura foi orientada a não palpitar sobre os ataques ideológicos feitos à professora. Um representante do conselho tutelar da cidade fala que o garoto vive uma situação “agressiva” dentro de casa, causada por brigas familiares e episódios de violência à mulher. Em 2016, o mesmo jovem já havia sido denunciado por lesão corporal contra a própria mãe  

Em nota, a Secretaria de Educação do município afirma que decidiu que o aluno envolvido será suspenso até a definição do processo que está em andamento na Polícia Civil de Indaial.

 

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