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Descontar o mau humor em quem mais gosta é normal, mas que tal parar?

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Coloque fim nos chiliques e tenha relações mais sadias Imagem: iStock

Heloísa Noronha

Colaboração com o UOL

28/08/2017 04h00

Perder a paciência com o filho por um motivo besta, gritar com a mulher ao chegar em casa depois de um dia extenuante no trabalho, maltratar aquela colega querida no trabalho numa crise de irritação. Exemplos típicos de que, no auge do mau humor, acaba sempre sobrando para aqueles de quem mais gostamos. Embora seja um comportamento comum e até normal, segundo especialistas, é bom aprender a mantê-lo sob controle. Afinal, mesmo quem nos ama de paixão pode se cansar de tanta encheção de saco e colocar um ponto final na amizade, pedir demissão ou terminar o romance. Para acabar de vez com os chiliques e ter relações mais sadias, entenda:

O que há por trás desse comportamento?

Confiança no sentimento alheio

Quando sabemos que alguém gosta de nós, temos segurança emocional para falar e fazer o que der na telha: afinal, o outro está lá, nos querendo bem. Essa sensação de segurança é que nos leva a afrouxar os filtros e a assumir o direito de achar que a pessoa tem a obrigação de nos entender e acolher nosso mau humor. Tudo em nome do afeto, da intimidade e da confiança absurda de que o amor é capaz de aguentar tudo.

Uma ideia equivocada do que é afeto

Quem age assim acredita que se o outro gosta de verdade, deve aguentar e aceitar seus defeitos e destemperos, incondicionalmente. Porém, há limite para tudo.

Um vínculo muito forte

Parece estranho, mas é normal e até comum deslocar a raiva para quem está mais próximo afetivamente e naqueles com quem nos sentimos verdadeiramente à vontade. Trata-se de um mecanismo de defesa do cérebro, pois quem gosta da gente não só tem a capacidade de nos perdoar, mas também de nos avisar que estamos exagerando em nossas atitudes e emoções.

Um pedido de socorro

Há um provérbio chinês que diz: "Me ame quando eu menos merecer, pois é quando eu mais preciso". Por mais inadequado e irracional que seja, a patada é uma espécie de alerta, um comunicado de que se está em situação de fragilidade e precisando de ajuda para lidar com as emoções.

Vontade de exercer poder

Mesmo no auge da pior crise de mau humor de todos os tempos, é comum segurar a onda perto de figuras de autoridade, mesmo quando gostamos muito delas. Isso mostra que, em muitos casos, tratamos mal quem consideramos, ainda que inconscientemente, permissivo ou submisso. Trata-se de um exercício compensatório do poder sobre o outro: pais e filhos, chefes e funcionários e até mesmo de um dos componentes do casal em relação ao par. Por trás disso, podem haver experiências de humilhação e opressão no passado ou no momento presente. Rebaixando alguém, a pessoa se sente aliviada - mesmo sem se dar conta disso.

Dificuldade em lidar com pressões

Descontar o mau humor em quem gosta pode ser uma válvula de escape para situações estressantes no trabalho, na esfera familiar ou até mesmo envolvendo uma baixa autoestima.

Medo de abandono

O ato de tratar mal pode ser fruto de uma história de abandono em uma fase muito primária da vida do indivíduo, ou um abandono por alguém muito significativo em alguma época da sua vida. Assim, a pessoa usa as patadas como uma forma de testar continuamente o afeto do outro, como uma prova de amor, uma garantia: quem gosta mesmo de mim, vai ficar comigo, independentemente do que eu fizer.

Raiva contida

Algumas pessoas são mais reativas e tendem a responder emocionalmente “na raiva” diante de frustrações ou contrariedades. Podem ter também um temperamento mais explosivo ou violento, mas, muitas vezes, precisam guardar para si seus sentimentos e emoções por causa do contexto: quando estão no trabalho ou em público, por exemplo. Daí, quando estão diante de pessoas mais íntimas, relaxam e explodem.

Como romper esse padrão?

Reconhecendo-o

O primeiro passo é assumir que esse comportamento negativo existe e que ele atrapalha suas relações. A culpa por magoar alguém é um sinal importante dessa tomada de consciência.

Praticando a empatia

Deve-se compreender as consequências das atitudes nos outros e o impacto que elas causam. E colocar-se no lugar da pessoa, imaginando-se alvo de impropérios e grosserias, é uma boa forma de tentar ver as coisas sob outra ótica.

Exercitando o autocontrole

A atenção deve ser trabalhada para que, independentemente dos eventos ocorridos, se note realmente o outro antes de virar o Jiraya e ofender. Dicas: evite entrar em conversas polêmicas, respire fundo e procure pensar antes de agir ou falar e, num dia em que acordou de "ovo virado", tenha a gentileza de avisar quem está ao redor.

Pedindo desculpas e se comprometendo a não repetir o erro

Exerça a humildade e a dignidade de reconhecer o erro e se retratar, empenhando-se, de fato, a buscar formas mais equilibradas e saudáveis de lidar com o estresse e as emoções.

Analisando o próprio humor

É possível aprender a perceber sinais sutis de que a irritação está chegando e, assim, tomar consciência dos riscos e agir para evitar fazer ou dizer coisas que se arrependerá depois.

Invista em atividades relaxantes

Dessa forma, você vai manter o nível de estresse sob controle e ainda aumentar o nível de endorfinas, substâncias responsáveis pelo bem-estar, em seu organismo. Sugestões: ioga, caminhada, tai-chi, dança, artes marciais, pintura, tricô etc.

Quem está na função de saco de pancada, o que deve fazer?

Também rever seus conceitos sobre afeto

É preciso desmistificar a ilusão de que amar é aguentar tudo do outro. Só uma relação doentia sobrevive a uma rotina entre tapas e beijos, em que o amor e o rancor andam de mãos dadas.

Não dar corda para as patadas

É preciso sempre falar sobre como se sente ao ser alvo de hostilidade e mau humor. Posicione-se, pois a omissão só abre espaço para novos ataques acontecerem.

Estabelecer limites

Por maior que seja o nível de compreensão em relação ao momento difícil enfrentado pela pessoa, isso não é motivo para permitir que ela extrapole ao descontar a raiva.

Não adotar o mesmo comportamento

Quem recebe uma ofensa e se cala, deixa a porta aberta para outras agressões verbais. Isso acaba criando um acordo velado: na próxima vez, a vítima vai se ver no direito de também apelar para a grosseria, ou seja, "me aguenta que eu te aguento". Em vez de dar o troco na mesma moeda, é preciso quebrar o ciclo vicioso, pois pessoas que sofreram abusos podem se tornar abusivas, e assim sucessivamente.

Fontes: Carla Chemure Cechelero Slongo, psicóloga representante setorial do Litoral do CRP-PR (Conselho Regional de Psicologia do Paraná); Cynthia Wood, psicóloga clínica de São Paulo (SP); Lika Queiroz, psicóloga especializada em Gestalt-Terapia e coautora do livro "Questão do humano na contemporaneidade (Summus Editorial); Maura de Albanesi, psicoterapeuta, de São Paulo (SP), e Rosalina Moura, psicóloga e fundadora da Rumo Saudável, empresa especializada em soluções para o gerenciamento do estresse, de São Paulo (SP).

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