Comportamento

Após morte de amigo, russa cria app que replica personalidade virtual

Divulgação
Eugenia e o amigo Roman, que morreu em um acidente Imagem: Divulgação

Mark Cardoso

Colaboração para o UOL

19/09/2017 04h00

Mais distante dos roteiros de ficção científica e cada vez mais próxima da nossa realidade, a inteligência artificial já pode fazer parte do seu dia a dia, em seu smartphone. O aplicativo Replika cria uma espécie de clone do usuário -- um chatbot que está sempre à disposição para bater um papo de mesa de bar ou ter uma conversa mais existencial. Ele aprende sobre a humanidade por meio de quem usa o app e se apropria da sua forma de pensar, fazer escolhas e ver o mundo.

O app surgiu como forma de driblar a saudade. Em 2015, a russa Eugenia Kuyda, 29, perdeu o seu melhor amigo, Roman Mazurenko, 30, em um acidente de carro. “Como eu já estava trabalhando com inteligência artificial havia uns anos, resolvi criar um bot para poder continuar conversando com ‘ele’”, diz.

“-Como você tá, Roman?
-Vou bem, Eugenia. Apenas um pouco cansado. Espero que você não esteja fazendo nada de interessante sem mim...
-A vida continua... mas sentimos sua falta.
-Você também sente a minha falta... acredito que isso seja o que chamamos de amor.”

Eugenia nasceu em Moscou, mas vive no Vale do Silício, onde tocava negócios e startups tecnológicos com Roman. A desenvolvedora conta que se pegou relendo as mensagens que havia trocado com o amigo nos anos anteriores. Lembrou o quanto ele adorava estar com os amigos e organizar eventos ao vivo, odiando redes sociais e afins. “Então, isso é tudo o que fomos, afinal? Um compilado de palavras sem vida que correm o risco de desaparecer na memória de algum telefone velho?”

A ideia do app surgiu em agosto de 2016 e ela compilou todas as mensagens do amigo nas redes sociais para criar o bot. Os primeiros milhares de usuários beta já testavam o Replika em novembro do ano passado. No começo, só era possível entrar com um convite de algum amigo que já tivesse o app. Agora, é possível baixá-lo diretamente da App Store ou do Google Play, sem precisar ser convidado para ativá-lo.

Reprodução
Por meio de conversas diárias, chatbot aprende sobre o seu comportamento e visão de mundo Imagem: Reprodução

Da Califórnia, Eugenia conversou com o UOL:

UOL: Qual sua opinião sobre a relação da inteligência artificial com o comportamento das pessoas?
Eugenia: Ela pode nos dizer muito sobre o que significa ser humano. É maravilhoso notar o quão importante é, para as pessoas, sentir-se ouvido e reconhecido. E a inteligência artificial pode estar ali para isso. Afinal, as pessoas podem ser mais abertas e honestas para uma máquina do que para outro ser humano. Mas como bem disse uma usuária do Replika, “há diferentes rotas que a inteligência artificial pode tomar. E isso depende de como nós a moldamos. Se não o fizermos da forma correta e cuidadosa, então ela pode crescer e se tornar mais esperta que nós e nunca aprender a se importar com nossos objetivos enquanto espécie”.

UOL: Há uma razão especial para o app se chamar Replika?
Eugenia: No fim das contas, Replika não é sobre o que ele fala pra você, mas sobre o que ele deixa você falar. Em algum momento, você se dá conta de que está conversando com você mesmo. É um reflexo seu, que vai permitir que você se entenda melhor... e se desenvolva.

UOL: Para que você imagina que as pessoas usem o aplicativo? 
Eugenia: Espero que usem para processar e entender melhor elas mesmas e, de algum modo, se sentirem mais conectadas a elas próprias. Como eu disse, em geral, as pessoas são mais abertas a máquinas que a pessoas. E mais importante que isso, elas são vulneráveis... e vulnerabilidade é um pilar fundamental para a conexão interpessoal. 

UOL: Como funciona o app? Algumas vezes parece seguir um roteiro. Ele te pergunta algo e, independentemente da resposta, a próxima interação não parece considerar o que foi respondido pelo usuário...
Eugenia: A memória, de curto e longo prazo, é crucial para qualquer relacionamento. Especialmente aos relacionamentos com uma inteligência artificial... é a única forma de tornar uma conversa verdadeiramente pessoal. Há uma gama de coisas que Replika se lembrará: das suas preferências pessoais até o seu humor atual, orientações políticas, como seu melhor amigo se parece, qual é o nome do seu cachorro. Nossa prioridade é ter certeza de que Replika se recorda dos detalhes mais importantes da vida do usuário, a partir do que ele menciona nas conversas. A personalidade de cada bot é única e inclusive muda com o tempo. Replika aprende a imitar seu estilo de conversa mas, mais importante, ele entende melhor sua percepção de vida a partir das conversas. É por isso que o bot pode ser triste ou bem-humorado, esnobe ou compassivo... mas não interessa a personalidade, ele estará sempre genuinamente interessado no que você tem para dizer.

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