Comportamento

Para 62% da população, assédio sexual é o maior problema dos ônibus em SP

Ricardo Guimarães/Futura Press/Estadão Conteúdo
Homens também entendem que o assédio é um problema sério no meio de transporte Imagem: Ricardo Guimarães/Futura Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

22/09/2017 16h56

Realizada desde 2007, a Pesquisa de Mobilidade Urbana 2017 da Rede Nossa São Paulo e do Cidade dos Sonhos incluiu neste ano a pergunta sobre assédio sexual no transporte público. De acordo com os 1.603 moradores do município de São Paulo ouvidos, a segurança nos ônibus é péssima e recebeu nota 2,6 – o pior resultado entre 14 aspectos relacionados ao meio de locomoção. 62% dos usuários de ônibus municipais ouvidos pelo IBOPE deram nota entre 1 e 2 neste quesito. 

Os dados mostram que as pessoas que mais sofrem com o assédio são as pessoas de baixa renda, com idade de 45 e 54 anos, com menor escolaridade 5ª e 8ª série (74%), que moram mais distante do centro da cidade e passam mais tempo dentro do ônibus, aumentando assim o tempo de exposição a essa vulnerabilidade. 39% dos entrevistados pegam ônibus ao menos cinco dias por semana. 

Os pontos analisados foram 'tempo de duração da viagem'; 'frequência do ônibus'; 'limpeza'; 'pontualidade'; 'acessibilidade para pessoas com deficiência'; 'temperatura'; conforto; 'informações nos pontos de ônibus e terminais'; 'espaço para crianças de colo e pequenas'; 'espaço para carrinhos', 'malas e sacolas'; 'preço da tarifa'; 'lotação'; 'segurança com relação a furtos e roubos e segurança com relação a assédio sexual'.

“São os que mais pobres os que mais sofrem com o assédio, o que reforça a importância de avançarmos com políticas públicas seja por meio da educação de gênero, com multas ou até mesmo criminalizando, alguns países optaram por isso. O importante é abrirmos para o debate com a sociedade, todos precisam participar e escolher aquilo que faz mais sentido socialmente. É significativo que se reduza a desigualdade na cidade”, afirma o coordenador geral da Rede Nossa São Paulo, Jorge

A avaliação da segurança em relação ao assédio sexual é mais negativa entre as mulheres do que entre os homens - 69% delas atribuem nota 1 e 2 contra 54% dos homens, que não deixaram de reconhecer o problema, ainda que não sejam eles os mais afetados na maioria dos casos. As piores avaliações vieram das pessoas que moram nos extremos da Zona Norte e Sul. 

De acordo com a pesquisa, a questão de gênero e a vulnerabilidade social se complementam, na medida que mulheres que passam mais tempo dentro dos ônibus estão mais sujeitas ao assédio. Tais resultados reforçam a ideia de que além de combater o assédio, também é preciso combater cada vez mais as desigualdades dentro da cidade.

“Um caminho para enfrentar o assédio é trazer a perspectiva das mulheres para o planejamento urbano, melhorar os serviços públicos e garantir às mulheres o direito de ir e vir para que possam desenvolver plenamente seu potencial. Para isso, pode-se promover ações de prevenção, controle e punição. Outros países criaram leis para enfrentar o assédio. No Peru, por exemplo, legislação recente prevê prisão de 3 anos para infratores e em Bruxelas é prevista multa de 500 a 1 mil euros”, complementa Jorge Abrahão.

A pesquisa quis saber também a opinião dos usuários sobre a privatização do Bilhete Único e 61% se manifestou contra, enquanto 31% é a favor. Apesar dos dados, na última quinta-feira (21), a Câmara Municipal de SP aprovou um pacote de concessões à iniciativa privada e o Bilhete Único está entre eles, assim como parques e o mercadão municipal de São Paulo.

Vale salientar que a Rede Nossa São Paulo é uma uma associação de organizações da sociedade civil que promove estudos e parcerias com instituições públicas em diversas áreas para fomentar ações de desenvolvimento e sustentabilidade na cidade. E o Cidade dos Sonhos é um coletivo que busca promover metas de sustentabilidade.

*Com apuração de Mariana Araújo.

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