Sexo

Fim da ditadura do orgasmo: tudo bem se você não goza toda vez que transa

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Mulheres podem ter razões não sexuais para transar, daí mesmo orgasmo são capazes de tirar prazer do ato Imagem: Getty Images

Adriana Nogueira

Do UOL

02/10/2017 04h00

Ter uma boa vida sexual significa ter orgasmo toda vez que transa? Não. Dá para sentir muito prazer sem atingir o clímax, e isso não significa uma disfunção.

A professora de biologia Mariana*, 27, mora com o namorado, com quem está há quase seis anos, e diz que não tem dificuldade alguma de ter orgasmos. “Vivo uma relação na qual o sexo é incrível, então, o fato de uma ou outra vez não gozar não é um problema. Para mim, o orgasmo é um dos eventos do sexo, mas não definiria o sexo como uma busca por ele. Gosto de todos os momentos. O prazer acontece do início ao fim.”

Segundo a médica ginecologista e sexóloga Renata Ribeiro, nos últimos 15 anos, houve uma verdadeira revolução na maneira como a sexualidade feminina é enxergada, e a mudança fundamental foi o reconhecimento de que homens e mulheres respondem sexualmente de formas diferentes, o que vai muito além de questões anatômicas.

Motivação começa fora da cama

Em uma série de artigos, publicados a partir de 2001, a pesquisadora canadense Rosemary Basson propôs um modelo circular de resposta sexual para mulheres em relacionamentos longos.

“Por esse modelo, o estímulo para iniciar o ato sexual não seria o desejo e, sim, razões não sexuais, como aumento do vínculo afetivo e se sentir desejada. Ou seja, mulheres em relacionamentos antigos entram no sexo por uma série de razões não sexuais, e o desejo só aparece quando elas já estão no ato, após serem estimuladas”, explica Renata.

A secretária executiva Rafaela*, 35, conta que tira muito prazer do sexo, mesmo quando não atinge o clímax. “Mulher gosta do processo todo, de ser admirada, tocada, de sentir cada carícia e estímulo, senão as preliminares não seriam tão fundamentais no sexo para nós. Mas, apesar disso, não aceito sexo com quem não se esforça, não. Homem egoísta, eu paro e vou embora”, diz ela, que está separada há dois anos e meio e acaba de iniciar um novo relacionamento.

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Tendo o modelo circular em mente, ainda de acordo com a sexóloga, mulheres podem ter orgasmo e saírem insatisfeitas do ato sexual –por não terem suas expectativas de afeto e envolvimento atendidas– e o contrário, não terem orgasmo e saírem extremamente satisfeitas, apesar da ausência do clímax.

O modelo amplia possibilidades de entender como a mulher tira prazer do sexo, mas não elimina que ela sinta desejo sexual espontâneo, como ocorre, em geral, com os homens. “Ele acontece, sim, mas, mais comumente, com as mulheres em relacionamentos novos”, diz a sexóloga.

“O orgasmo não define o prazer sexual feminino, mas só uma mulher saudável e que conheça seu corpo entende que não precisa gozar todas as vezes para ser realizada sexualmente”, afirma a médica sexóloga Natália Barros Lopes.

Ditadura do orgasmo

Como ainda existe muito desconhecimento sobre as diferenças da resposta sexual masculina e feminina, há mulheres normais se achando disfuncionais.

Há parceiros cobrando um determinado desempenho da mulher, como orgasmos frequentes, simultâneos, vaginais, múltiplos. Deixando mulheres normais frustradas. É nesse momento que o orgasmo deixa de ser um direito da mulher e passa a ser um dever, a chamada ditadura do orgasmo”, afirma a sexóloga Renata.

Mas antes de encanar que está com algum problema, a mulher precisa se autoavaliar.

“O sinal de alerta é quando o padrão se torna não atingir o orgasmo. Essa situação traz uma frustração tão grande que os demais benefícios da relação passam a não ser usufruídos, e o que deveria ser um momento prazeroso se torna de tensão. O desejo sexual reduz com a frustração e isso forma um ciclo vicioso, que deve ser tratado por profissional da área”, diz a psicóloga e psicoterapeuta de casal Tatiana Rocha Netto.

* Nomes trocados a pedido das entrevistadas.

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