Comportamento

Chega de tabu! Precisamos falar de prevenção de DSTs em lésbicas

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Precisamos falar de DSTs em lésbicas Imagem: Getty Images

Daniela Carasco

do UOL, em São Paulo

03/10/2017 04h00

O baixo uso de preservativos entre mulheres homossexuais é um assunto que precisa ser mais debatido. A ideia do sexo lésbico sem complicação foi derrubada recentemente pela pesquisa Mosaico 2.0, que, ao mapear o perfil sexual do brasileiro, identificou altas taxas de transmissão de DSTs entre mulheres.

Segundo José Carlos Riechelmann, médico sexologista e presidente do Comitê Científico de Sexualidade Humana da Associação Paulista de Medicina, “existe um senso comum disseminado, inclusive entre as lésbicas, de que doenças sexualmente transmissíveis só se dão em relações heterossexuais”. Isso é um engano.

Há 13 anos, um balanço feito pela rede de saúde pública de São Paulo já havia identificado que até 60% das mulheres lésbicas e bissexuais do Estado já contraíram DSTs.

“Ainda há quem pense que ser lésbica é quase um sinônimo de ser virgem, por conta de uma falsa ideia de ausência de penetração”, diz o especialista. “Isso é falta de conhecimento.”

Atenção aos brinquedos eróticos

No sexo entre duas mulheres, os brinquedos eróticos são muito bem-vindos. E é aí que os cuidados devem ser redobrados. O compartilhamento dos vibradores entre parceiras, assim como a penetração anal seguida da vaginal, aumentam os riscos de transmissão de DSTs entre o casal.

Além do uso de preservativo feminino, o especialista aconselha que o acessório seja higienizado a cada troca. Até porque, depois de ser usado no ânus, ele pode carregar micro-organismos intestinais, que causam o desequilíbrio da flora vaginal, abrindo espaço para infecções.

As doenças mais comuns

Riechelmann chama atenção para três graves surtos. “O HPV virou uma epidemia que não para de crescer. Ele é o principal responsável pelo aparecimento do câncer de colo de útero [terceiro câncer que mais atinge mulheres no Brasil]. Houve também um aumento na disseminação de sífilis e, infelizmente, de aids”, conta. “A falsa propaganda sobre a eficiência do coquetel retroviral tem feito as pessoas dispensarem a camisinha. Isso é bastante grave.”

Por isso, a proteção é valiosa. Entre as opções mais seguras, segundo o especialista, estão a camisinha feminina que deixa uma borda externa e protege todo o canal vaginal com o látex, luva cirúrgica para o toque e também o plástico-filme –o mesmo usado para embalar alimentos. “Esse último é muito aconselhado para práticas de sexo oral. Como a película é muito fina, ele não impacta na sensibilidade e ainda protege, já que o HIV e a sífilis são facilmente transmitidos pela boca”, explica o médico.

Sexo na menstruação

O sangue expelido durante o ciclo menstrual não deve ser tratado como sujo e transar durante a menstruação está liberado. O que pode haver, segundo Riechelmann, é uma vulnerabilidade maior de contaminação na ausência de um preservativo pela baixa imunidade.

Nessa fase, o sistema imunológico das mulheres fica naturalmente mais fragilizado, deixando o ambiente mais suscetível a doenças. “Por isso, é uma época favorável aos corrimentos infecciosos, infecção urinária de repetição, candidíase e micoses vaginais. Casos mais graves de infecção pélvica, apesar de raras --cerca de 1% de chances--, podem até levar à internação.” 

Sofrimento psíquico é fator de risco

Preconceito e rejeição são, sem dúvida, dois agravantes quando o assunto é DSTs em lésbicas. A sobrecarga emocional deixa a saúde mais frágil, levando facilmente a um diagnóstico de depressão, que vem acompanhada não só de um abalo psicológico, como também imunológico. “Trata-se de uma doença psicossomática”, alerta o especialista. E, assim como na menstruação, esse cenário abre espaço para infecções.

Isso só reforça a necessidade do acompanhamento médico frequente. Hoje, porém, uma das maiores queixas das mulheres lésbicas é o despreparo dos ginecologistas na hora de atendê-las. Riechelmann concorda. “Falta capacitação, principalmente, no que diz respeito a um atendimento mais sensível. A primeira consulta deve ser de conversa e os exames ginecológicos precisam ser realizados sem pressa e com delicadeza, para que não haja ansiedade por parte da paciente.”

O conselho do especialista às pacientes é para que digam sua orientação sexual logo na chegada ao consultório. “A reação imediata do especialista vai deixar claro se vale a pena seguir com aquele acompanhamento ou partir para outro.”

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