Sexo

"Eu me masturbava de 15 a 20 vezes por dia": entenda o que é vício em sexo

Getty Images
A compulsão, além da relação sexual tradicional, envolve práticas solitárias, como masturbação e consumo de pornografia. Todas em excesso Imagem: Getty Images

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

07/10/2017 14h27

Aos 28 anos, Rogério* foi diagnosticado como dependente de sexo. Casado e pai de uma criança, o administrador decidiu procurar ajuda quando as coisas saíram (ainda mais) do controle e ele se viu prestes a perder o emprego e a mulher.

"Me masturbava de 15 a 20 vezes por dia e traí minha mulher diversas vezes. Quando comecei a procurar pessoas no trabalho, me aproximei de uma delas e coloquei toda a minha vida em risco. Percebi que tinha realmente algo errado comigo."

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O impulso sexual excessivo, como é definido pela CID-10 (Classificação de Transtornos mentais e de Comportamento), nada tem a ver com gostar muito de transar ou ter uma vida sexual bastante ativa. A dependência também não está, necessariamente, ligada a um perfil abusador ou parafílico. Trata-se de um outro tipo de problema e precisa ser tratado.

"O indivíduo chega ao consultório por conta de um nível alto de angústia (como no caso descrito acima) porque o comportamento o colocou em situação de risco ou pela pressão externa de alguém que percebeu suas ações", explica Roberta Torres, psicoterapeuta e supervisora do Prosex (Programa de Sexualidade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP).

Vício em sexo é uma dependência recorrente como aquelas por compras, comida, internet ou álcool. Entretanto, nesse caso, o objeto é a atividade sexual, com companhia ou não, e tem, como consequência, o "empobrecimento da qualidade de vida, pois vira mais necessidade do que escolha", segundo o psiquiatra Aderbal Vieira Jr., do Proad da Unifesp (Programa de Orientação e Atendimento a Dependentes da Universidade Federal de São Paulo).

A origem

Rogério foi descobrir na terapia que o gatilho para ter desenvolvido a compulsão poderia estar em um abuso sexual que sofreu na infância e o deixou hipersexualizado. Como teve uma educação rígida sobre sexo, por ser de uma família religiosa, nunca entendeu a sexualidade como algo natural. Depois de seis anos de tratamento, o administrador conseguiu colocar os sintomas em remissão e controlar os impulsos para ter uma vida sexual mais saudável.

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"Consumia pornografia sempre que era possível, ou não, como no trabalho. Buscava filmes diferentes todos os dias e assistia quando minha mulher estava dormindo. Era algo constante e sem controle. Não perdi meu emprego e consegui manter minha família, que sempre foi prioridade para mim."

Os especialistas entrevistados pelo UOL dizem que casos como o de Rogério são comuns, mas não regra. Cada pessoa tem um histórico e o diagnóstico é feito diante de uma investigação do ambiente no qual essa pessoa está inserida.

"Existem evidências científicas que associam essa compulsão a altos níveis de ansiedade e depressão, pois esses quadros podem alimentar o comportamento sexual", Marco Scanavino, coordenador do Ambulatório de Impulso Sexual Excessivo do IPq (Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo).

Em situações com transtornos combinados, o tratamento pode ser feito para ambos. "Antidepressivos, por exemplo, são utilizados porque inibem a libido. O objetivo do caminho terapêutico não é colocar o indivíduo em abstinência, mas ampliar o controle sobre as ações ligadas ao sexo", explica Scanavino.

Para cada nove homens que chegam aos consultórios com essa queixa, uma mulher tem o mesmo problema. Entretanto, a incidência não representa a realidade, necessariamente, uma vez que a sexualidade feminina sempre foi --e ainda é-- reprimida. Esse aspecto cultural ainda pode fazê-las ter vergonha de tratar sobre o assunto.

*O DASA (Dependentes do Amor e Sexo Anônimo) é um dos grupos de apoio preparados para receber essas pessoas. 

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