Comportamento

Machismo está presente no cotidiano de 99% dos brasileiros, diz pesquisa

Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
Pesquisa do Ibope mostra como o preconceito está enraizado na sociedade brasileira Imagem: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

Do UOL

11/10/2017 13h32

Ainda que 83% dos brasileiros se declarem não preconceituosos, 72% já fizeram algum comentário ofensivo e 17% se reconhecem preconceituosos. A pesquisa do Ibope ouviu 2.002 mil pessoas em todas as regiões do país durante cinco dias e se baseou em quatro tipos de preconceito mascarados por frases usuais: machismo, LGBTFOBIA, estético e racial.

O machismo, por exemplo, está presente no cotidiano de 99% dos entrevistados e mais forte nas regiões Norte e Centro-Oeste, com 67% dos moradores desses locais estão acostumados a reproduzirem frases machistas. Ao total, 61% já pronunciaram algum comentário machista, mesmo que alguns não reconheçam o preconceito. A LGBTFOBIA foi citada como o principal preconceito entre os brasileiros que se declararam intolerantes, com índice de 29%. Já as frases que correspondem ao preconceito racial são mais ditas no Sul, com 49%.

O estudo foi realizado a pedido da cerveja Skol com o intuito de propor uma reflexão sobre as atitudes e comentários que podem gerar distanciamento entre as pessoas, encorajar o diálogo e assim mudanças de atitude.

Além de perguntas diretas sobre como cada indivíduo se enxerga, as pessoas foram questionadas se já ouviram ou disseram determinadas frases, como “Mulher tem que se dar ao respeito”, “Pode ser gay, mas não precisa beijar em público”, “Não sou preconceituoso, até tenho um amigo negro”, “Ele (a) é bonito, mas é gordinho (a)”, entre outras.

Segundo Ricardo Sales, pesquisador em diversidade na USP, o preconceito está naturalizado na sociedade brasileira, ”A pesquisa alerta para a necessidade de falar mais sobre o assunto e refletir sobre atitudes que impedem o respeito e a conexão entre as pessoas no dia a dia", afirma.

Embora 45% dos brasileiros consigam perceber o preconceito em frases ditas ou ouvidas em seu convívio, metade destas pessoas diz não reagir ao ouvir um comentário preconceituoso. Quando existe reação, as mulheres são maioria e correspondem a 60%. Já os homens detectam menos comentários preconceituosos: 57%.

Expressões preconceituosas apontadas como as mais ouvidas:

  • “Mulher tem que se dar ao respeito” - 92%
  • “Mulher no volante, perigo constante – 90%
  • “Isso é coisa de viado. É viadagem” – 88%
  • “Toda negra ou mulata tem samba no pé” – 87%

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