Comportamento

Após relatar homofobia contra criança, mãe é ameaçada nas redes sociais

Reprodução/Facebook
Imagem: Reprodução/Facebook

Denise de Almeida

Do UOL

25/10/2017 08h01

Quando viu seu filho de 7 anos chegar chorando em casa, Jaque Conceição quis saber o motivo. No prédio em que moram, um grupo de pré-adolescentes estava atacando a criança, chamando-a de "veadinho".

Jaque, que é pedagoga e mestra em educação, fez um texto contando o ocorrido em suas redes sociais e como ela apoia o garoto. “Cada dia que passa, fica nítido para mim que a orientação sexual dele se aproxima da homossexualidade. Ele me pediu para furar a orelha e gosta de pintar as unhas. Tenho medos inacreditáveis, por causa da homofobia, mas vou brigar com meu filho pelo direito dele ser quem quiser".

Após o desabafo, Jaque recebeu elogios, mas também foi duramente atacada por pessoas que sequer a conheciam. "O pior foi no Twitter. Ameaçaram estuprar a mim e ao meu filho", contou a educadora em entrevista exclusiva ao UOL.

Arquivo pessoal
A educadora Jaque Conceição foi atacada nas redes sociais por defender liberdade do filho Imagem: Arquivo pessoal

No Facebook, o texto dela chegou a ser compartilhado em páginas de apoio a políticos de extrema direita. Foi quando Jaque se deparou com muitos xingamentos, como mostram as imagens deste texto.

Comentários recheados de ofensas gratuitas e demonstrações de homofobia se espalharam pela rede, e até teve até internauta sugerindo que a educadora e o filho deveriam tomar tiros. Jaque contou que já guardou os prints das ameaças e injúrias, conseguiu derrubar a página com as ofensas do ar e está estudando como proceder legalmente.

Enquanto isso, ela mudou o nível de privacidade de sua publicação original, para que apenas amigos seus consigam acessá-lo. Abaixo, Jaque conta um pouco da sua história.

Par de seios de presente

“Tenho dois filhos: um menino de 10 e outro de 7. O meu caçula, desde os 3 anos, mais ou menos, me pede coisas como usar brincos. Eu ia falando que não, que era muito cedo, mas como ele manteve nesses quatro anos o desejo do brinco, a gente foi e furou a orelha dele.

Não sei dizer se ele é uma criança trans, se vai definir a orientação sexual dentro da homossexualidade ou da heterossexualidade, mas ele diz que quer ser mulher. A primeira vez que ele falou isso ele tinha 3 anos. Para mim foi meio impactante.

Ele também já me perguntou se quando fizer 18 anos eu posso dar um par de seios para ele de presente de aniversário.

Eu tenho muito medo por conta da homofobia. Tenho medo de violência, até sexual. Tenho amigos de infância que são gays e foram estuprados muitas vezes, inclusive na escola. Tenho um tio que é gay e ele tinha muitos amigos que eram travestis e transexuais. Todos com histórias horríveis de privação, de violência sexual, de violência física, suicídio. Foi muito assustador ver esse sofrimento deles na minha adolescência.

Reprodução/Facebook
Prints retirados da rede social mostram ataques Imagem: Reprodução/Facebook

Se, no futuro, ele tiver a consciência de que não está fazendo nada errado, que não tem que esconder a sexualidade, que se ele namorar uma pessoa do mesmo sexo não é errado, vai ser mais fácil dele conseguir ser feliz e ter menos danos psicológicos.

"Não sou veadinho"

Outro dia estávamos discutindo sobre ter filho e meu caçula falou que queria ter 4 filhos quando crescesse. E disse: 'Acho que vou ter que adotar, porque eu quero casar com um homem. Mas eu não sei ainda se é isso que eu quero. Porque eu não sou veadinho’.

Na cabeça dele, tudo bem namorar com um menino ou uma menina, porque é o que a gente ensina, tanto eu quanto o pai, desde pequeno. Só que na escola e em outros espaços de socialização tem esse peso que as palavras veado, gay, bichinha impõem. Mesmo que ele não entenda, para ele veadinho é um xingamento, mas namorar com menino é algo natural.

Eu fico imaginando: acho que é o mesmo sofrimento da gente que é preto tentar reproduzir o modo de ser das pessoas brancas, sabendo que você nunca vai ser branco. Você pode alisar o cabelo, pode falar o melhor português, usar as melhores roupas e frequentar os melhores lugares que você sempre vai ser negro.

É a mesma coisa, penso eu, com uma pessoa que é homossexual. Imagina ter que se relacionar afetivamente com uma pessoa que você não tem prazer de estar? Quando eu penso isso, digo: meu filho não vai passar por isso, não!

Eu não entendo muito, porque sou hétero desde que me entendo por gente, mas seja o que ele for, meu filho é gente e o que importa é ser feliz. Seja como for eu estou com meu filho. Tenho o dever de garantir que meu filho seja respeitado".

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