Comportamento

3 prós e 3 contras: casais que dormem em quartos separados

Getty Images
Imagem: Getty Images

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

30/10/2017 04h00

A relação pode esfriar, mas os dois podem ter melhor qualidade de vida. Veja outros pontos a se levar em consideração quando um casal optar por não dormir mais junto.

PRÓS

Conforto e qualidade de vida
De acordo com a psicóloga clínica Heloísa Schauff, de São Paulo (SP), dormir em quartos separados vem sendo um comportamento cada vez mais recorrente entre casais que desejam maior conforto e qualidade de vida. "Uns buscam mais comodidade e espaço, outros têm hábitos incompatíveis como acordar e dormir em horários distintos, gostar e odiar TV no quarto, sono leve ou pesado, roncos... Se o acordo é bem amarrado para ambos, não há mal algum, porque aí conseguem dormir melhor e a relação só tem a ganhar", explica. A administradora de empresas Letícia Gomes Cantarini, 33 anos, prova: "Meu marido e eu temos manias completamente diferentes. Eu acordo cedo, tenho sono leve e detesto o som de televisão antes de dormir. Ele entra no trabalho mais tarde, ronca e pega no sono ouvindo a TV", conta. Casada há três anos, não demorou muito para que ela começasse a ir dormir em outro quarto. "Eu vivia irritada por não  descansar direito. No começo ele reclamou muito, mas depois se deu conta de a decisão foi a melhor para nós dois. Nossa qualidade de vida mudou", admite.

Fazer tudo junto não significa fazer bem
Os casais, atualmente, tem mais liberdade de expressarem seus desejos do que há décadas atrás quando havia apenas um padrão de relacionamento e todos tinham que se moldarem a ele. "Relação a dois não tem nada a ver com a ideia de ter que fazer tudo junto. Compreender isso é respeitar a individualidade do outro", diz Joselene L. Alvim, psicóloga clínica de Presidente Prudente (SP). Ela ressalta que há casais que dormem juntos e são mais distantes afetivamente do que aqueles que dormem em quartos separados. "A diferença está na atenção diária ao outro. Relação a dois é qualidade e não quantidade", pondera.

Sexo não acontece só no quarto
O senso comum associa a vida sexual e a intimidade conjugal ao quarto. Isso é uma visão cultural e que só nos últimos anos passou a ser questionada, mesmo porque os desejos e as fantasias de um casal não precisam, necessariamente, ser realizados no quarto (nem entre quatro paredes, certo?). "Embora não seja necessário, e se varie de acordo com as preferências de cada casal, a intimidade independe de espaços físicos", opina Luciano Passianotto, psicoterapeuta e terapeuta de casais, de São Paulo (SP). "Dormir junto não tem nada a ver com vida sexual ativa. Hoje temos dois quartos para transar, entre outros lugares, e é bem divertido", diz Letícia.

CONTRAS

Só rola se a relação for firme
Os dois precisam estar muito bem ajustados emocionalmente - e de comum acordo - para o combinado dar certo. Se sentem que já são próximos, companheiros e parceiros, e que a intimidade e o vínculo são consolidados, dificilmente o fato de dormirem separados vai afetar o relacionamento. "Compreender os limites e a individualidade de cada um é saudável para a relação a dois, mas é preciso maturidade emocional entre o casal para tomar a decisão. Se uma das partes não compreende, isso pode soar como rejeição e aí instala-se uma crise", fala Joselene. "Aí acontece, sim, um afastamento, e os dois acabam virando sócios na administração da casa e da educação dos filhos. Se não é um bom acordo, sem vínculo fortificado, cada um se fecha no seu mundinho", completa Heloísa.

Casais com filhos podem ter a intimidade afetada
Por ser um espaço compartilhado, o quarto incentiva a proximidade e a oportunidade de conversar. "É um local que ajuda e fortalece a intimidade e o vínculo, principalmente entre com casais com filhos. É a hora em que os dois ficam sozinhos, juntos, no canto deles e podem trocar ideias em paz", fala Heloísa. Quando se tem filhos soltos pelos quatro cantos também fica muito mais difícil explorar as possibilidades sexuais da casa além do próprio quarto.

A relação corre o risco de esfriar
"Além do sexo, o que mais ajuda na manutenção da intimidade do casal, quando eles dormem juntos, é a interação quando se preparam para dormir, quando conversam, mesmo que pouco, e sentem aquele abraço ou cafuné antes de pegar no sono. Claro que não é preciso dormir juntos para ter tudo isso em uma relação, mas, considerando a falta de tempo na rotina, exercitar esses momentos diariamente pode ser um desafio, distanciando-os", alerta Luciano. O toque e as carícias podem deixar de acontecer frequentemente, como relata a funcionária pública Jôsie Gomes, 48 anos, casada há 19. "É meio ruim não acordarmos juntos, não ter um corpo ao lado encostando nem que seja sem querer", admite. Ela e o parceiro não tomaram a decisão de dormirem separados, foi algo que aconteceu naturalmente: ele trabalhava em casa e comprou um sofá-cama para colocar no escritório e poder assistir TV até tarde. Com o tempo, passou a dormir no cômodo e Jôsie ficou com a cama de casal apenas para si. "Desde a infância sonhava com algo que nunca tive, um quarto e uma cama só pra mim. Em relação à qualidade de vida, foi e está sendo maravilhoso. Agora, quanto à intimidade e à sexualidade, não dá pra negar que a distância favorecer um pouco o esfriamento na relação, sim", confessa.

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