Relacionamento

Fim da monogamia: grupo pratica e debate o amor livre

Getty Images
O movimento RLi (Relações Livres) defende relacionamentos com autonomia afetiva e sexual Imagem: Getty Images

Adriana Nogueira

Do UOL

10/11/2017 04h00

Maria Fernanda Geruntho Salaberry, 31 anos, tem atualmente “duas boas relações estáveis”, como ela mesma define, em Porto Alegre (RS), cidade onde vive. A mais antiga já dura cinco anos. A outra começou no início de 2017. A publicitária tem ainda um companheiro, no Rio de Janeiro, com o qual se encontra esporadicamente. A existência desses relacionamentos, no entanto, não a impede de viver histórias casuais.

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Todos os envolvidos sabem –e também estão livres para fazer o mesmo– que monogamia não faz parte dos acordos de relacionamento que Maria Fernanda está disposta a fazer. A publicitária não só vivencia como também é ativista de relações não monogâmicas, fazendo parte de um coletivo gaúcho chamado RLi (Rede Relações Livres).

O RLi (lê-se érreli) nasceu em 2006, na capital gaúcha, a partir da fusão de dois grupos independentes: um formado por jovens que queriam experimentar relações com muita liberdade sem serem superficiais, e outro, que produzia conteúdo para discutir a não monogamia, mas não conseguia vivenciar a experiência.

A junção das duas vertentes produziu o coletivo que propicia não só o encontro de pessoas que querem viver ou vivem relações não monogâmicas como também um debate de ideias sobre o tema.

Autonomia afetiva e sexual

Para o coletivo  –que tem núcleos, mais ou menos ativos, em outros Estados--, o conceito de relações livres é diferente de outras formas de relações não monogâmicas, como poliamor, relacionamento aberto e suingue.

Arquivo Pessoal
Maria Fernanda é adepta de relações livres Imagem: Arquivo Pessoal
“O RLi defende a autonomia afetiva e sexual. Não se coloca regras sobre como cada um vai se relacionar nem com quem, como acontece, em geral, com essas outras formas de relação não monogâmica”, explica Maria Fernanda.

A família da publicitária conhece sua opção de vida. “No começo, minha mãe achou que eu tinha feito essa escolha por estar infeliz no amor. Depois entendeu que não era nada disso. Hoje é uma sogra querida, dessas que fazem o doce que cada um gosta de comer.”

Professora em choque

Sobre a filha de 12 anos, fruto de uma relação não monogâmica, Maria Fernanda conta que chegou um momento em que teve de explicar que havia pessoas diferentes dela e seus amigos, que vivem relações monogâmicas.

“Quando ela estava na pré-escola, a professora pediu que ela desenhasse a família. Ela fez uma mulher cercada de dois homens. A professora, então, perguntou quem eram as pessoas do desenho. A Pandora explicou com naturalidade que eram a mãe e os dois namorados.”

Em choque com a informação, a educadora chamou a publicitária na escola. “Eu confirmei o que ela havia desenhado, e a professora tentou disfarçar o choque.”

Educação para a monogamia

Arquivo Pessoal
Regina é uma das autoras de "Relações Livres: uma Introdução" Imagem: Arquivo Pessoal
A jornalista Regina Faria, 48, conheceu o RLi no fim de 2011, quando estava saindo de um casamento de 15 anos. Na relação, que havia começado como monogâmica, ela havia feito algumas experiências de abertura.

Hoje, ela diz que não consegue se imaginar vivendo uma relação monogâmica outra vez. “Foi um processo de enfrentamento social para mim, mas que me faz mais feliz do que infeliz. A gente é criado para a monogamia”, fala ela, que tem um relacionamento de cinco anos com um integrante do coletivo e casos eventuais.

E o ciúme, onde fica?

A jornalista é uma das autoras do primeiro livro do coletivo: “Relações Livres: uma Introdução”, lançado em julho. Um dos objetivos da obra é esclarecer dúvidas frequentes sobre como funcionam relações livres.

Divulgação
Capa do livro "Relações Livres: uma Introdução" Imagem: Divulgação
“Recebemos muitas perguntas do tipo: os RLis se casam?, têm filhos?”, conta a jornalista. Outra dúvida recorrente é sobre se param de sentir ciúme.

Ela diz que não tem expectativa de não sentir ciúme, mas que aprendeu, ao passar a viver relações não monogâmicas, a não se deixar dominar pelo sentimento.

“Perdi o medo de ser trocada por alguém que meu parceiro venha a achar interessante. Hoje sei que a relação comigo só vai acabar se nós não estivermos bem, não por causa de outra pessoa. Com o tempo, você percebe que a pessoa vai para outra relação, mas volta. E se vê gostando de alguém, sem deixar de amar com quem já estava.”

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