Comportamento

Pais devem evitar beber álcool na frente dos filhos?

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Beber na frente das crianças, não importa a quantidade, pode torná-las retraídas, preocupadas e tristes Imagem: iStock

Gabriela Guimarães e Veridiana Mercatelli

Colaboração com o UOL

26/11/2017 04h00

A bebida alcoólica está presente em nossa cultura, seja para festejar um aniversário ou a vitória no futebol. A cervejinha ou caipirinha estão sempre ali no churrasco do feriado, na casa da maioria das famílias. E é justamente aí que se encontra o problema, dizem os especialistas. De acordo com uma nova pesquisa do Institute of Alcohol Studies, do Reino Unido, beber na frente das crianças, não importa a quantidade, pode torná-las retraídas, preocupadas e tristes.

Exemplo ainda é tudo

Aquela velha história de “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço” não serve mais. De nada vai adiantar também o argumento “eu bebo porque sou adulto”, principalmente se o filho for adolescente que, em geral, adora um desafio acompanhado da pergunta “se você faz, por que eu não posso?”. Quando percebe que os pais não sabem explicar os motivos de não ingerir álcool, pode entender que, apesar do discurso, eles mesmos não enxergam a bebida como ruim. Por isso, beber longe delas é a recomendação dos especialistas.

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A relação com a bebida

“Também é preciso que os adultos pensem no tipo de relação que têm com o álcool e como isso é transmitido e compreendido pelos filhos”, avisa Isabela Cotian, psicóloga e coach de mães. Por exemplo: quando o álcool é utilizado para dar coragem, incentivar ou inibir sentimentos, a bebida torna mais evidente comportamentos negativos, como arrumar briga ou ficar “alegrinho” além da conta. São essas situações que causam as consequências citadas na pesquisa mencionada no início do texto.

Conversa de bar

A maioria dos pais sabe que é importante conversar com seus filhos sobre bebida, porém, muitos adiam esse papo. Sugestão dos especialistas: fale com eles por volta dos 9 anos, antes que entrem em contato com o álcool. De acordo com os especialistas, a maioria das pessoas inicia seu contato com o álcool por volta dos 13 anos de idade. Ainda que os pais não acreditem, nessa idade a criança já tem maturidade para saber o que é certo e o que é errado, diz Isabela.

Beber, cair e levantar... apenas não!

Se o pai ou a mãe beber demais e passar mal será preciso assumir para o filho que errou, mostrando que não é aceitável se exceder na bebida. É importante também perguntar como elas se sentem a respeito do que viram. “Aja de forma discreta, sem grandes alardes, para não aumentar ainda mais o trauma da criança. Mas mostre as consequências da ingestão de bebidas em excesso”, diz a psicóloga Magda de Paula. Se o adulto se tornar agressivo, o melhor é primeiro afastar a criança do ambiente para que ela não assista à cena. Depois converse com honestidade sobre o acontecimento.

E se o pai pega o filho bebendo escondido?

“Se isso acontecer, é porque o filho já tem alguma informação de que a prática não é aprovada. Não adianta brigar, bater ou repreender com agressividade”, fala a psicóloga Valéria Ribeiro, coach familiar. O diálogo é a melhor atitude. Pergunte se ele já bebeu antes, o que sentiu ao tomar uma bebida, ou como se comportou se ficou alcoolizado alguma vez. Todas essas questões são importantes para saber a quantas andam as relações entre seu filho e a bebida, para poder orientá-lo de forma mais adequada.

Herança genética

Beber vez ou outra na frente das crianças não vai levá-las fatalmente ao alcoolismo quando adultas. Mesmo a influência genética não é determinante para que alguém se torne alcoólatra no futuro, mas pessoas com histórico familiar de dependência têm um risco maior de desenvolver problemas similares aos dos pais. Hábitos familiares podem aumentar a predisposição ao consumo excessivo de álcool mais tarde. “Pais que bebem de maneira abusiva, conflitos familiares, estrutura familiar precária, pouca ou nenhuma supervisão dos adultos que também têm dificuldades em estipular limites e regras claras podem influenciar prejudicialmente na conduta da criança”, alerta a psicóloga Bianca Pelinson.

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