Comportamento

Por que 56% dos jovens têm HPV? Tirar camisinha ainda é "prova de amor"

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Por Marcos Candido

Do UOL, em São Paulo

29/11/2017 04h00

Em 2012, quando tinha 24 anos, a publicitária L.*, descobriu em um exame de rotina que tinha contraído HPV. “Eu mal sabia, na época, o que era”, relembra. “Claro que eu sabia que transar sem camisinha dava doença, mas, para mim, DSTs eram coisa que só acontece com os outros”.

Os vírus, porém, já estavam em estágio intermediário. “Fiz uma biópsia que cortou um pedacinho do colo do meu útero fora”, diz.

O caso de L. é comum no país. Segundo o Ministério da Saúde, mais da metade da população brasileira entre 16 a 25 anos está infectada com algum tipo de HPV, vírus que pode causar o câncer de colo de útero e outros tipos de tumores. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (27).

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Segundo infectologistas da área, qualquer atividade sexual pode transmitir o vírus (não só a penetração). O preservativo não evita completamente o contágio pelos HPV, mas é um bom começo. De acordo com o Instituto do HPV, organização empenhada na redução da transmissão do papilomavírus humano, a camisinha é capaz de barrar entre 70% a 80% das transmissões.

A analista contábil N. também descobriu o vírus durante os exames ginecológicos de rotina, em 2015. “Na época, tinha tido apenas dois parceiros sexuais e transado sem camisinha com apenas um deles”, diz. E recebeu o diagnóstico positivo. “O HPV apareceu dois anos depois que eu mantive relações”.

Número de DSTs aumenta entre jovens

O número de pessoas com HPV reforça o aumento no número de DSTs entre jovens no país.

Além do papiloma, o Ministério da Saúde diz ter constatado um aumento no número de Aids entre jovens de 15 a 24 anos, sendo que de 2006 a 2015 a taxa entre aqueles com 15 a 19 anos mais do que triplicou, passando de 2,4 para 6,9.

Não à toa, o novo estudo parcial sobre o HPV do Ministério Saúde também demonstrou que 16,1% dos analisados tinham alguma doença sexualmente transmissível prévia ou resultado positivo para HIV.

Camisinha pode ser um dos indicadores

No início de novembro, a marca de preservativos Olla divulgou uma pesquisa feita com mil pessoas que mostrou: 47% dos homens e 52% das mulheres disseram que nunca ou raramente usam a camisinha, não só nos relacionamentos, mas em transas casuais. Na ocasião, a antropóloga Miriam Goldenberg, chefe da pesquisa, afirmou que a camisinha ainda é ligada à “confiança” entre os parceiros. Ou seja, o mito de que transar sem camisinha é prova de amor e fidelidade persiste.

Na mulher, o HPV pode começar com verrugas na genitália ou alterações no colo do útero, que podem ser tratados com eficácia quando detectado. Apesar disso, alguns tipos de HPV são desencadeadores de câncer de colo do útero, especialmente quando a infecção não é tratada. Segundo o Inca, Instituto Nacional do Câncer, em 2016 a taxa era 15,85 casos a cada 100 mil mulheres.

Vacina

Para tentar frear o contágio, a vacina contra a doença é aplicada em meninas de 9 a 14 anos e, desde 2017, também a meninos de 11 a 14.

Na nova pesquisa do Ministério da Saúde, em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre, foram entrevistadas 7.586 pessoas, das quais 2.669 foram submetidas ao teste de HPV. A partir dos exames, a prevalência estimada do vírus foi de 54,6 % da população. Deste grupo, 38,4 % apresentam tipos de HPV de alto risco para o desenvolvimento do câncer. A pesquisa final será divulgada no ano que vem. 

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