Comportamento

A mãe perdeu o seio e ela aprendeu a tatuar pessoas com câncer

Divulgação/Bárbara Ink
A tatuadora Bárbara Nhiemetz Imagem: Divulgação/Bárbara Ink

Thais Carvalho Diniz

Do UOL, em São Paulo

05/01/2018 04h00

Toda segunda-feira o estúdio da tatuadora Bárbara Nhiemetz, 25, que fica no centro de Curitiba, deixa de atender comercialmente e faz tatuagens gratuitas em pessoas que passaram pelo câncer e desejam cobrir uma cicatriz. O projeto "Cores que Acolhem" foi inspirado pela dor pessoal da paranaense, que viveu a doença ao lado da mãe. Sueli, 60, teve de retirar a mama esquerda quando a filha tinha apenas 7 anos de idade.

"Vi minha mãe perder a autoestima e a feminilidade. Estive com ela durante todo o tratamento, amadureci diante do sofrimento dela e me vi tocada nas diversas vezes que percebi o seu desânimo diante do espelho", contou Bárbara ao UOL.

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Entretanto, além da história de Sueli, a tatuadora teve o câncer presente em sua vida novamente quando o filho, Zekky, nasceu em 2014. "Descobrimos três tumores e ele teve de passar por tratamento. Ficar tanto tempo no hospital, mais uma vez, me fez ter vontade de praticar a solidariedade e decidi que quando o Zekky tivesse alta eu faria algo para ajudar."

Divulgação/Bárbara Ink Tattoo
Sueli Pedroso, a mãe de Bárbara, inspirou o "Cores que Acolhem" Imagem: Divulgação/Bárbara Ink Tattoo

Como financeiramente, disse Bárbara, não era possível, ela decidiu usar a sua arte, a tatuagem. E em setembro de 2015, quando Sueli completou 17 anos de cura, se especializou na técnica de reconstrução de mamilo e em cobrir cicatrizes.

"A primeira pessoa que tatuei com esse intuito foi minha mãe. Fiz um desenho floral no lugar do seio e, hoje, em vez de sentir vergonha, esconder, ela usa camisetas entreabertas que deixam a tatuagem à vista. Poder ver minha mãe feliz novamente com o próprio corpo me fez querer ver outras pessoas sorrindo também."

Um novo ciclo

Desde que existe, o "Cores que Acolhem" já atendeu cerca de 85 pessoas, a maior parte foram mulheres com mais de 40 anos e que passaram pelo câncer de mama. "São os casos mais comuns. Mas também já fiz em cicatriz de cirurgia de intestino, que fica na vertical e bem extensa, e câncer de útero." 

Divulgação/Bárbara Ink
Segundo Bárbara, é comum o desejo de realçar a cicatriz para valorizar a luta contra a doença. Neste caso, a tatuagem foi feita abaixo da marca de um câncer de mama Imagem: Divulgação/Bárbara Ink

Segundo ela, foram raros os contatos com homens. "Alguns chegam a ligar, mas creio que, por vergonha, não aparecem."

Com a ajuda do marido, Thiago, a tatuadora faz os agendamentos que, muitas vezes, ocupam toda a segunda-feira. Bárbara conta que começou a perceber a necessidade emocional das clientes e, por isso, não é como uma sessão comum.

"Atendo no máximo duas por semana. Não é necessário fazer tudo de uma vez, faço quantas sessões forem necessárias. Vamos no limite delas. Essas mulheres chegam muito abaladas emocionalmente, com falta de amor-próprio e não tem porque fazê-las sofrer mais."

As clientes são recebidas com café, bolo e têm ali o espaço para desabafarem. "Deixo de um jeito que elas se sintam em casa. Na maioria dos casos querem me contar todo o processo da doença e procuro escutar." Para Bárbara, esse trabalho é o meio de agradecer pela vida de Zekky e Sueli.

Arquivo pessoal
Bárbara e o filho, Zekky, que, assim como a mãe da tatuadora, ajudou a inspirar o projeto Imagem: Arquivo pessoal

E as amizades ficam. A tatuadora diz que conversa com muitas clientes depois da sessão e se sente "parte da família". "Um dos momentos mais emocionantes que vivi foi uma reconstrução de mamilo. Ela não se sentia à vontade de ficar nua na frente do marido há muito tempo e quando terminei a tatuagem, pediu que ele entrasse na sala. Ver aquela cumplicidade voltando foi algo inexplicável."

Quem pode fazer

Qualquer pessoa que tenha uma cicatriz decorrente de um câncer pode entrar em contato pela página Bábara Ink Tattoo e marcar um horário. Online ou por telefone, a tatuadora vai explicar que é necessário uma liberação médica.

"Peço uma autorização do oncologista e cirurgião dizendo que não há risco de reincidência no mesmo local, por exemplo, e de que o paciente está apto para o procedimento. Com isso, podemos fazer sem riscos." 

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