Relacionamento

9 tolices dos filmes românticos para deixar de acreditar

Touchstone Pictures/Divulgação
Os atores Heath Ledger e Julia Stiles em cena de "Dez Coisas que Eu Odeio em Você", filme de 1999 Imagem: Touchstone Pictures/Divulgação

Heloísa Noronha

Colaboração para o UOL

10/01/2018 04h00

É difícil encontrar alguém que não goste de ver um bom filme romântico, pelo menos de vez em quando. Afinal até mesmo as mais previsíveis dessas produções ajudam a distrair a cabeça.

Acontece que, em muitos casos, essas histórias também mostram uma visão um tanto distorcida, machista e antiquada dos relacionamentos.

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O modo como tratam a mulher, em especial, volta e meia é carregado não só de clichês, mas de preconceito e crenças ultrapassadas e antiquadas.

A seguir, alguns exemplos de ideias que deveriam ser eliminadas dos roteiros.

1 – Existem mulheres “certas” e “erradas”

Os caras mais cobiçados se divertem com as "erradas", mas quem leva a melhor, no final, são as "certinhas". Herança de um tempo em que era “normal” dar pitaco na intimidade feminina e controlar a sexualidade das mulheres, esses estereótipos estão presentes em filmes, como “Legalmente Loira”, “O Noivo da Minha Melhor Amiga”, “Um Dia” e “O Melhor Amigo da Noiva”. Esqueçam rótulos, cada uma tem o direito de ser feliz e amada da maneira que achar melhor.

2 – Mulher tímida precisa de um macho que a desperte

A ideia equivocada –presente em produções como “Um Amor para Recordar” e “Ela É Demais” – coloca, ainda que indiretamente, o controle da relação amorosa nas mãos do homem. Mulheres não precisam ser salvas nem despertadas por ninguém, a não ser por si mesmas. Se uma garota quiser mudar a maneira de ser porque acredita que será mais feliz, é uma decisão que cabe a ela. Um homem pode até fazer parte desse processo, mas nunca administrando tal mudança. E mais: uma mulher introvertida ou tímida deve mudar somente se quiser, não para satisfazer os anseios alheios.

3 - Transformar a aparência é o caminho para se dar bem na vida

É óbvio que se cuidar, cultivar uma autoimagem positiva e curtir se produzir é ótimo, mas, se for um desejo genuíno de evoluir, nunca para conquistar o amor de alguém ou um posto melhor no trabalho. Ao assistir filmes como “Nunca Fui Beijada”, “O Diário da Princesa”, “Uma Linda Mulher” e “O Diabo Veste Prada” não se prenda a essa interpretação. O que toda mulher necessita é aceitar o próprio corpo e a forma de ser.

4 – Um homem grosseiro pode ser um príncipe enrustido

Acontece de, em certas circunstâncias, os opostos se atraírem, e ninguém deve julgar alguém à primeira vista. Na vida real, porém, quando um homem é grosseiro ou intimidador com uma mulher, assim que se conhecem, dificilmente, a história vai adiante. Alguns roteiros “vendem” a ideia de que, por trás da aparência assustadora, há um príncipe à espera de amor, vide produções como “A Bela e a Fera”, “A Verdade Nua e Crua”, “Casa Comigo?” e “Cartas para Julieta”. Os galãs dessas produções são o tipo mal compreendido e injustiçado. Mas a verdade é que não é qualquer garota que quer pagar para ver tal transformação, e alguns homens detestáveis costumam ser mesmo detestáveis.

5 – Amor bom é com “sofrência”

Em filmes como “De Repente É Amor” e “Simplesmente Acontece”, isso funciona que é uma beleza. Afinal, ninguém quer acompanhar a vida de um casal que se conhece, casa, tem filhos, mata-se de trabalhar para pagar as contas e, volta e meia, acontece de um dos dois estar cansado demais para namorar. Os obstáculos que surgem nas histórias de amor servem para dar esperança de que tudo, no fim, vale a pena. Acontece que, na vida real, um relacionamento permeado por idas e vindas, brigas, discussões e sofrimento tem um efeito devastador na vida das pessoas. A desculpa de um amor intenso e passional abre espaço para agressões, assédios e até assassinatos. No plano da realidade, amor bom é aquele que é construído com parceria, cumplicidade e felicidade.

6 – O olhar de um homem determina a beleza de uma mulher

Ao ver produções como “O Amor É Cego”, “Crepúsculo” e “Como Eu Era Antes de Você”, ignore essa mensagem subliminar. Quem determina sua beleza é o seu olhar e não o do outro. Nenhuma mulher deveria depender de algo externo para se sentir digna de ser amada.

7 - Mulher muito bonita é promíscua ou perigosa

Filmes como “Cinquenta Tons de Cinza”, ”Dirty Dancing”, e “O Casamento do meu Melhor Amigo” podem passar a ideia de que as mulheres do tipo “atrapalhadas” são mais confiáveis para se relacionar. Mas lembre-se: Beleza não define caráter. Esse clichê típico dos filmes românticos só reforça a leitura de que os homens preferem as desastradas e até meio “bobinhas”, porque não se sentem ameaçados por ela. Pelo contrário: podem protegê-las, poupá-las de confusões e, claro, ensiná-las a viver. Muito conveniente, não?

8 – Homens melosos são os que valem à pena

Talvez um sujeito como os galãs de “Dez Coisas que Eu Odeio em Você” e “Quem Vai ficar com Mary?” seja realmente bacana. Declarações de amor são ótimas e não há nada de errado com o excesso de entusiasmo ao fazê-las. No entanto, há uma enorme diferença entre falar e fazer. Há homens que se declaram para a mulher parar de cobrar. Outros para convencer a transar. Outros para acabar com discussões e disfarçar pisadas de bola. Um pouco de exagero pode trazer um tom mais picante ao relacionamento, mas nem sempre é sinônimo de amor.

9 - Uma mulher especial é capaz de sacudir a vida de um homem

O amor é capaz de nos transformar em pessoas melhores. Alguns filmes (como “500 Dias com Ela”, “Tudo Acontece em Elizabethtown”, “Forças do Destino” e “O Amor Acontece”), no entanto, apoiam-se na ideia da “Manic Pixie Dream Girl”, aquela garota meio excêntrica e doidinha que surge de repente na vida de um cara, para trazer à tona seu lado sensível e consertar sua vida. A questão é que a nenhuma mulher deveria ser atribuído o papel de muleta na rotina de alguém –e mudanças só acontecem se as pessoas estiverem realmente a fim, certo?

Fontes: Ellen Moraes Senra, psicóloga especialista em terapia cognitivo-comportamental; Lívia Marques, psicóloga organizacional e clínica, com foco em terapia cognitiva-comportamental; Melcina Moura Moreno, psicóloga, pedagoga e coach; Rejane Sbrissa, psicóloga clínica, e Sandra Samaritano, psicóloga e terapeuta de casais.

 

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