Vida no trabalho

Mulheres sofrem risco maior de perder emprego para robôs nos EUA

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Imagem: iStock

Jeff Green

Bloomberg

22/01/2018 16h28

Nos EUA, as mulheres têm maior probabilidade do que os homens de perder seus empregos para a automação nos próximos oito anos e encontrarão metade das oportunidades para conseguir novos postos de trabalho, a menos que seja empreendido um novo esforço de recapacitação.

Essas são as conclusões de um estudo divulgado nesta segunda-feira no Fórum Econômico Mundial, que mostram que cerca de 57% dos 1,4 milhão de empregos dos EUA que sofrerão disrupção tecnológica entre a atualidade e 2026 são ocupados por mulheres. Com a recapacitação adequada, a maioria dos trabalhadores encontraria novos empregos mais bem remunerados. Sem isso, muito poucos terão oportunidades, mas a situação das mulheres é pior, segundo o estudo, realizado em colaboração com o Boston Consulting Group. A transição será cara e difícil, disseram os autores.

"É definitivamente sem precedentes o esforço que seria necessário por parte das autoridades", disse a coautora Saadia Zahidi, chefe de educação, gênero e trabalho do Fórum Econômico Mundial, que realiza seu evento anual nesta semana, em Davos, na Suíça. "A diferença hoje é que as empresas também reconhecem que isso é algo que seria útil para elas."

Os trabalhadores se preparam para um futuro em que, segundo estimativas, cada robô industrial tirará o lugar de seis funcionários e em que 30% dos empregos bancários poderiam desaparecer dentro de cinco anos à medida que a inteligência artificial se tornar mais inteligente. A pior disrupção afetará, em grande parte, os empregos de menor remuneração, muitas vezes ocupados por mulheres ou trabalhadores menos qualificados. O Fórum Econômico Mundial atualmente estima que demorará um século para que as mulheres alcancem paridade de gênero no trabalho, quase 20 anos mais do que o previsto há um ano.

Os líderes corporativos estão cada vez mais conscientes da necessidade de assumir um papel de liderança para corrigir a diferença, disse Zahidi. Ao mesmo tempo, será um problema complicado de corrigir porque requer um foco educacional completamente novo e também uma provável necessidade de apoio à renda para que os trabalhadores sejam recapacitados, disse ela.

Sem recapacitação, um quarto dos trabalhadores enfrenta perdas salariais anuais de cerca de US$ 8.600 e muitos não seriam capazes de encontrar novos empregos, contra um ganho de US$ 15.000 da maioria dos trabalhadores após dois anos de recapacitação -- cerca de 95 por cento com novos empregos disponíveis, segundo o relatório. O estudo foi baseado em dados da Burning Glass Technologies e do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA.

Um ponto positivo para as mulheres: no cenário da recapacitação, os salários das mulheres aumentariam 74%, enquanto os dos homens subiriam 53%, o que pode diminuir a diferença salarial, disse ela.

O estudo analisou 15 estratégias de emprego diferentes que poderiam abrir caminho para diversos trabalhadores, como funcionários de linhas de montagem, caminhoneiros, secretários e caixas, encontrarem novas carreiras. O relatório apontou que 90.000 empregos industriais, predominantemente ocupados por homens, correm risco de disrupção, mas há também cerca de 164.000 secretárias e assistentes administrativos nessa situação, que muitas vezes são ignorados.

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