Comportamento

BBB: Sofrer bullying por causa da voz, como Ana Paula, é comum. Como lidar?

Reprodução/Gshow
Ana Paula, participante do "BBB18" Imagem: Reprodução/Gshow

Heloísa Noronha

Colaboração com o UOL

06/02/2018 04h00

A voz é, sem dúvida, uma das características mais marcantes de uma pessoa. De acordo com o psicólogo clínico e organizacional Bruno Almeida, especialista em desenvolvimento de carreira e idealizador do projeto “Superando Desafios”, podemos atribuir coisas boas e coisas ruins a uma voz, mas é claro que isso depende de um fator importante: a quem ela pertence. “Em muitos casos, não é a voz que irrita, mas a forma como a pessoa se expressa”, diz

Em um reality show como o Big Brother Brasil, em que a empatia dentro e fora da casa é fundamental para o sucesso no jogo, era de se esperar que uma voz como a de Ana Paula chamasse a atenção de cara –para o bem e para o mal. A catarinense, de 23 anos, que se afirma bruxa, tem a voz aguda e é falante.

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Mal o programa estreou, no último dia 22, e a voz da moça foi alvo de inúmeros comentários nas redes sociais. Entre os colegas do programa, a repercussão também foi grande: muitos se chocharam o jeito de falar da garota e houve até quem disse que Ana Paula podia ser ouvida até embaixo d’água, na piscina.

Em conversas com os demais brothers, Ana Paula confessou que sofreu bullying na infância –revelou que na escola a chamavam de “vozinha de robô” e a imitavam para irritá-la. Tudo indica, porém, que ela aprendeu a conviver com os comentários pejorativos, já que em papo com o brother Viegas afirmou que considera a própria voz bonita.

Fala infantilizada

O fato é que, segundo especialistas, a voz pode mesmo prejudicar ou melhorar a vida de pessoa pessoa. Uma voz aguda como a de Ana Paula costuma ter dificuldades no convívio social.

“Ela transmite ao ouvinte a impressão de imaturidade, passividade, submissão, indefinição sexual, instabilidade, emotividade excessiva e fraqueza”, conta Regiane A. Crippa, fonoaudióloga da clínica Clia Psicologia, em Santo André (SP).

Há ambientes, segundo Cintia Fadini, mestre em Fonoaudiologia pela UNESP (Universidade Estadual Paulista), que exigem modulações específicas.

Thinkstock
Nada de deixar os comentários dos outros a impedirem de se expressar Imagem: Thinkstock

Os efeitos da voz

“No trabalho, por exemplo, se eu faço uso de uma voz mais forte com variação de frequência e intensidade, vou provocar irritação e serei considerada agressiva. Mas se transmito uma voz de baixa intensidade, fraca e com velocidade controlada, passo a impressão de calmaria, de alguém solidário”, exemplifica.

É possível, sim, “consertar” a voz e torná-la mais agradável, para si e para os outros. “Com exercícios vocais específicos, dá para estimular a mobilidade das pregas vocais da laringe e modificar padrões vocais, respeitando sempre a identidade de cada sujeito”, conta Cintia.

Mas qual é o problema?

No entanto, como a voz reflete uma característica particular, é preciso saber o quanto a própria pessoa se sente incomodada. Se for de interesse do paciente, há um trabalho psicológico conjunto para buscar entender os padrões que justificam a modulação da voz, quais são as emoções que a caracterizam e quais ele gostaria que a caracterizassem.

É bom destacar que há outros fatores que nos levam a antipatizar com uma voz. Segundo Cristiane Moraes Pertusi, doutora em Psicologia do Desenvolvimento Humano pela USP (Universidade de São Paulo), há quem afine a voz de propósito para chamar a atenção.

Falar alto e rápido cansa

“Falar rápido e/ou alto demais provoca desconforto e indica ansiedade. O ideal é procurar falar em um tom baixo e firme, pois indica autoconfiança, e devagar. Articular bem as palavras também é importante, pois indica inteligência, elegância e classe”, declara.

Além disso, é essencial procurar sempre prestar atenção à reação da pessoa com quem se está falando. Ela dá sinais de que está gostando ou está entediada? “E mesmo que tenha todos os cuidados ao controlar sua voz, nada funcionará se você não fizer contato visual e sorrir de vez em quando. O sorriso indica que somos acessíveis e que aprovamos a interação com o outro”, ressalta Cristiane.

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