Infância

10 atitudes para rever e acabar com a distinção de coisa de menino e menina

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As definições de masculino e feminino estão muito mais ligadas a costumes sociais do que à natureza humana Imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

01/06/2016 14h08

Para além das inegáveis diferenças biológicas entre os dois sexos, as definições de masculino e feminino estão muito mais ligadas a costumes sociais do que à natureza humana. Por isso, na hora de educar seu filho ou filha, esqueça a artificial divisão entre “coisas de menino” e “coisas de menina”.

Apresentar tais preceitos às crianças faz com que elas passem por cima dos próprios sentimentos e se sintam inibidas a usufruir das coisas de que realmente gostam, como um tipo de brinquedo ou uma cor de roupa. Além do mais, educar dessa forma ajuda a disseminar desde cedo estereótipos de gênero e preconceitos em relação ao diferente e ao sexo oposto.

Confira uma lista com dez hábitos comuns que reforçam os estereótipos de gênero e dicas de como superá-los para criar filhos de maneira mais justa e saudável.

Fontes: Cisele Ortiz, coordenadora adjunta do Instituto Avisa Lá -- ONG que busca contribuir para qualificação da prática pedagógica das redes públicas de educação infantil; Luciana Fevorini, doutora em psicologia escolar e diretora escolar do Colégio Equipe, de São Paulo, e Renata Aguilar, psicopedagoga clínica e institucional.

Livros consultados: “A Construção dos Estereótipos de Gênero e a Educação Física Escolar”, de Carolina Scolfaro Caetano da Silva, e “Gênero: Socialização Inicial - Meninos e Meninas: Qual a Diferença?”, do Centro de Excelência para o Desenvolvimento na Primeira Infância.

  • Vestir os meninos de azul e as meninas de rosa

    Ser menina e gostar de rosa não é natural, o mesmo vale para os meninos em relação ao azul. A divisão das cores tem fundo puramente mercadológico. Ela ganhou força quando a indústria de produtos infantis começou a comercializar artigos azuis para eles e rosa para elas, entre as décadas 1920 e 1950, exclusivamente com o objetivo de vender mais. Hoje, o hábito é disseminado. Na realidade, os tons nada têm a ver com o gênero, muito menos com a orientação sexual da criança no futuro. É fundamental permitir que ela use o que gosta.

  • Não deixar os meninos dançar ou fazer ginástica

    Por trás do reforço a padrões de gênero, há também alguns medos infundados ligados à sexualidade. Por isso, meninos são frequentemente proibidos de fazer atividades aparentemente mais delicadas e associadas ao universo feminino, como balé ou ginástica olímpica. Além do fato de que há famosos bailarinos e muitos homens craques em ginástica olímpica, a prática de qualquer esporte é excelente para meninos e meninas, principalmente se for algo que eles gostem de fazer.

  • Proibir as meninas de jogar futebol

    Assim como no tópico anterior, a ideia por trás da proibição esconde medos improcedentes relacionados à sexualidade. No caso do futebol, só as equipes masculinas são famosas no Brasil. Os times formados por mulheres recebem pouco prestígio no país e raramente os jogos são exibidos na TV. Mas isso não significa que apenas homens são bons na modalidade. Para evitar a ideia, é importante mostrar casos como o da jogadora Marta e evitar comentários do tipo ?futebol é coisa de homem? ou ?esse joga feito mulherzinha!?.

  • Não deixar o menino brincar com bonecas e as meninas com carrinhos

    As pessoas não percebem, mas por trás da aceitação desses brinquedos como exclusivos de um ou outro gênero está a ideia de que cuidar dos filhos e da casa são tarefas femininas. Enquanto que trabalhar, ser produtivo e gostar de carros é exclusividade dos homens. Nada disso é verdade na vida real. Se entre os amigos da escola ou do bairro, o menino pegar uma boneca para brincar, não o atrapalhe. Ele está apenas fantasiando como faria com qualquer outro objeto. A diferença entre o astronauta e a sereia está na cabeça dos adultos, não na das crianças.

  • Ensinar que homens não choram e são sempre corajosos

    Repetir sempre que homem não chora ou incentivar o menino a ser forte e não demonstrar o que sente acaba por desestimular a criança a se expressar e até mesmo a contar algum problema que esteja vivendo. Desmistificar essa ideia traz benefícios ao garoto, que com o apoio familiar, passa a se aceitar melhor e se torna cada vez mais capaz de lidar com os próprios sentimentos.

  • Não deixar o cabelo do menino crescer

    A ideia de que só mulheres têm cabelo comprido ou só elas podem gastar tempo cuidando da estética é uma demonstração de que a vaidade masculina diminui o homem. O que não é verdade. Cuidar da própria aparência é um hábito de higiene e uma maneira de se portar bem em sociedade, o que não varia conforme o gênero. Alguns meninos, inclusive, podem gostar de usar o cabelo maior e não há nenhum problema com isso.

  • Incentivar as meninas a casar

    Os desenhos animados e muitos filmes reforçam a ideia de que o destino da mulher é o casamento ao mostrarem frequentemente uma princesa que, jovem, encontra um príncipe encantado e é feliz para sempre. Sem se dar conta que não fariam isso com o filho, os pais frequentemente repetem frases do tipo para as meninas: "Você vai crescer, ser uma linda mulher e encontrar seu príncipe encantado" ou elogiam algo feito por ela com a máxima "Agora, já pode casar". Claro que o casamento pode ser uma ótima experiência e é natural desejar que os filhos encontrem a quem amar. O problema é ressaltar o casamento como destino natural da mulher e incentivá-la mais a achar um grande amor do que a estudar e ter uma carreira, por exemplo.

  • Pedir ajuda apenas das meninas nas tarefas de casa

    Em vez de envolver as meninas nas tarefas de casa e ignorar os meninos para as mesmas demandas, convide os dois a participar. Claro que nada pesado, afinal, são crianças. Mas se é válido mostrar a menina que a casa precisa estar limpa e que saber cozinhar é uma habilidade importante, o mesmo vale para os meninos. Afinal, cozinhar e lavar roupa são obrigações de qualquer adulto, independentemente do sexo. Outra medida importante é que os pais dividam as tarefas e alternem o dia de lavar a louça ou quem fica responsável pelo almoço. Assim, a criança cresce em um ambiente em que as coisas precisam ser feitas por todos que moram na casa, não apenas pelas mulheres.

  • Rir quando o menino arrota ou põe o dedo no nariz e recriminar as meninas

    Quem nunca viu a cena: o menino solta um pum ou arrota em público, os adultos dão risada e ninguém o recrimina pela atitude. Automaticamente, ele entende que pode fazer isso sempre. Se a menina faz o mesmo, os pais logo a repreendem. Isso acontece porque a brutalidade está associada à ideia de masculinidade. Como se fosse ?coisa de macho? não ligar para bons modos. O indicado é dizer à criança evitar hábitos dessa natureza em público.

  • Só deixar meninos e meninas brincarem juntos com papéis tradicionais

    Mesmo sem perceber, em festas de aniversário ou no parquinho do prédio, os pais induzem os meninos a só brincarem com meninos. O mesmo vale para as meninas. A exceção é quando os papéis são convencionais. Se o menino for o pai que sai para trabalhar, enquanto a menina simula que cozinha nas panelinhas de brinquedo, tudo bem. Brincar é uma experiência de grande desenvolvimento para as crianças. Elas usam a imaginação para interpretar e dar significado ao mundo onde vivem. Dê liberdade para que seus filhos experimentem e botem a imaginação em jogo, escolhendo com quem e como querem brincar.

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