Gravidez e filhos

19 aspectos para considerar antes de decidir pelo parto domiciliar

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Antes de optar pelo parto em casa, gestante precisa saber se tem gravidez de risco Imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/04/2016 07h15

A decisão de parir em casa não pode ser tomada sem antes a gestante pensar bem sobre a escolha e suas implicações.

A seguir 19 perguntas e respostas para ajudar a mulher a refletir sobre o tema.

Consultoria: Gabi Prado, doula de parto e pós-parto de Campinas e São Paulo; Vilma Nishi, enfermeira obstétrica e parteira domiciliar de São Paulo; Maira Duarte, terapeuta ayurvédica e doula, de São Paulo, e Camila Latorre Campana, doula, nutricionista e instrutora de ioga, de São Paulo.

  • Por que parir em casa?

    É importante que a gestante tenha claro os motivos que a levam a dispensar o serviço de um hospital e intervenções como anestesia. Quanto mais clareza tiver, mais segura ficará e melhor vai conseguir se preparar para o momento. Pelo fato de o parto domiciliar estar cada vez mais em evidência, muitas acabam sendo tomadas pela euforia e o escolhem sem fazer uma reflexão cuidadosa. O lugar ideal para parir é onde a gestante se sente mais segura e confortável, seja em casa, casa de parto ou hospital.

  • Toda mulher pode ter um parto domiciliar planejado?

    Sim, desde que seja saudável, tenha um pré-natal sem qualquer intercorrência (como pressão alta ou diabetes descontrolada) e não esteja gestando gêmeos ou mais bebês. É preciso também que a criança esteja posicionada e o parto ocorra com mais de 37 semanas de forma natural, sem nenhum tipo de indução.

  • Qual a opinião do CFM (Conselho Federal de Medicina)?

    Desde 2012, o CFM recomenda a médicos e à sociedade a realização dos partos em ambiente hospitalar, preferencialmente, por julgar ser essa a forma mais segura de nascer. Apesar dessa posição, a recomendação do conselho não tem peso de lei, e a entidade ressalta que a autonomia do médico e da mulher deve ser respeitada. Vale esclarecer que não existe lei que proíba o parto domiciliar.

  • Quais profissionais escolher para acompanhar o parto?

    Enfermeiras obstetras, obstetrizes, parteiras e médicos podem atender partos domiciliares --todos são capacitados para o atendimento de emergências obstétricas e reanimação neonatal. Durante a busca pela seleção de profissionais que vão apoiá-la durante o parto, a mulher tem de procurar conhecer cada um o máximo possível, buscar referências e estar ciente de que vai abrir --e muito-- sua intimidade para a equipe. Ela tem de se sentir segura também. Nem todas gestantes gostam dessa ideia e acabam ficando travadas durante o trabalho de parto, por vergonha de se exporem (o que vale para o parto hospitalar natural também). Isso muitas vezes prejudica a evolução do trabalho de parto.

  • Quais materiais a equipe de parto carrega consigo?

    Diversos itens, dentre eles, os usados para procedimentos pós-parto, como campo estéril para sutura, agulha de sutura, anestésico local, material de sutura, luvas, antisséptico (para serem usados em caso de laceração). Também constam na lista os utilizados para reanimação neonatal, como ambu (respirador manual), máscara, cilindro de oxigênio e material de aspiração, e ainda os necessários para emergência pós-parto materna, como soro, material de punção venosa e drogas anti-hemorrágicas. A equipe contratada ainda costuma combinar com a gestante, previamente, o que ela tem de providenciar (como lençóis descartáveis, panos de chão, toalhas de banho e alimentos).

  • É preciso contar para os familiares que o parto será domiciliar?

    Essa é uma decisão bastante pessoal e intransferível. É importante que a gestante sinta que a casa dela é um lugar seguro para parir, não temendo ser pega de surpresa pela chegada de ninguém. Por fim, parto domiciliar não pode ser sinônimo de livre acesso à gestante e ao bebê.

  • É preciso ter um bom plano B caso ocorra algum problema em casa?

    Enquanto os batimentos cardíacos do feto estiverem normais e a mulher estiver em boas condições, não há necessidade de ir ao hospital. Porém, para que o primeiro plano seja o parto domiciliar, é imprescindível definir um esquema para ir ao hospital, caso alguma intercorrência ocorra ou esteja sendo prevista pela equipe (como irregularidade nos batimentos cardíacos do feto), ou ainda se a mulher decidir que quer anestesia. É praxe toda a equipe de parto domiciliar conversar sobre o plano B com a mulher bem antes do dia do nascimento e, inclusive, indicar em quais hospitais é aceita. Nessa conversa, é abordado como será o transporte, quem vai dirigir, qual a instituição mais próxima que aceita o convênio da gestante, que tipo de situação exige deslocamento, dentre outras coisas. Não é preciso deixar nada marcado no hospital com antecedência, afinal, se o plano A é parir em casa --e nesse caso o parto não tem data marcada--, não há como avisar antes. Para dar entrada na maternidade, é importante levar um documento de identificação, como o RG ou a carteira de habilitação.

  • Como a equipe de parto avalia se está tudo bem com a mãe e o bebê?

    Os profissionais fazem monitoramentos constantes dos batimentos cardíacos da criança e dos sinais vitais maternos, e a dilatação é medida com toque manual, pela parteira, médico ou obstetriz. Também vale a pena saber que a equipe conversa com a mulher de tempos em tempos, para saber como ela está se sentindo. Isso ajuda a analisar o estado físico e emocional dela e abre espaço para que ela diga, por exemplo, se quer desistir de parir em casa e buscar um hospital porque quer a anestesia.

  • Em casa é possível fazer algum procedimento para induzir o parto?

    A equipe não pode fazer nada para acelerar ou induzir o parto. Caso um desses procedimentos seja necessário ou a mulher peça por eles, ela precisa ser levada ao hospital.

  • O pai da criança precisa estar de acordo com o desejo de parir em casa?

    O local do parto deve ser escolha da mulher. Por isso, é fundamental que ela se posicione claramente e compartilhe seus desejos e escolhas com o parceiro com bastante antecedência. Quando ele apoia a decisão, sem dúvida, tudo é mais favorável: muitas doulas costumam dizer que o casal dá à luz junto.

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