Pós-parto

Conheça cinco procedimentos desnecessários realizados após o parto

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Após o nascimento, o bebê deve ir direto para o colo da mãe, o que estimula o vínculo e a amamentação imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Nascer não é tarefa fácil. O bebê mal deu seu primeiro choro e já é submetido a uma sequência de procedimentos médicos para atestar e garantir sua saúde. Alguns são imprescindíveis e devem fazer parte da rotina pós-parto. Outros, nem tanto, como a passagem de sonda e aspiração das vias aéreas. “Se ele nasce chorando, ativo e com boa movimentação devemos ser o menos invasivos possível”, resume a pediatra Lílian Sadeck, vice-presidente da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo). O recomendável é que os pais informem-se previamente sobre a rotina realizada na maternidade e tirem todas as dúvidas com o obstetra e o pediatra antes de o bebê nascer. “Suavizar o nascimento deveria ser a regra, ainda mais quando a criança nasce bem e o parto transcorreu sem intercorrências”, defende a doula Maria de Lourdes da Silva Teixeira, Fadynha, presidente da Ando (Associação Nacional de Doulas). Pediatras e especialistas em parto humanizado listam os procedimentos que podem ser dispensados quando bebê parece saudável:

  • Corte precoce do cordão

    Nas maternidades brasileiras é comum o obstetra cortar o cordão umbilical do bebê menos de um minuto após o nascimento. Mas o ideal é que se espere de dois a três minutos para fazer esse procedimento, quando o cordão deixa de pulsar ou após a saída da placenta. Esse cuidado é importante para prevenir anemia no recém-nascido. "A prática deve ser diferente se o bebê nascer sem respirar e hipotônico", alerta a pediatra neonatal Lílian Sadeck. Nos casos mais críticos, o cordão deverá ser clampeado (cortado) imediatamente para que o pediatra possa proceder as manobras de reanimação.

  • Aspiração das vias aéreas

    A aspiração das vias aéreas do recém-nascido não deve ser parte da rotina. Esse procedimento só é indicado quando o bebê apresenta obstrução das vias por secreção. Nesse caso, o neonatologista deve realizar uma sucção suave da secreção da boca e depois da narina para facilitar a respiração do bebê. Tudo com muita delicadeza.

  • Colírio de nitrato de prata

    Este é um dos procedimentos mais controversos e que faz parte da rotina da maior parte dos hospitais e maternidades brasileiros. De modo geral, a aplicação do nitrato de prata é feita em todos os recém-nascidos na sua primeira hora de vida para prevenir uma conjuntivite grave. O colírio evita a contaminação do bebê pelo gonococo, bactéria responsável pela gonorreia e que pode estar presente no canal vaginal da mãe. Tal contaminação é grave e pode levar o recém-nascido à cegueira. "Mas esse cuidado não faz sentido em mães que se submetem a cesarianas e, principalmente, a controles pré-natais rigorosos", afirma a doula Fadynha. A polêmica ocorre porque é possível que o colírio cause um quadro irritativo no bebê, conhecido como conjuntivite química, além de desconforto. A mãe tem o direito de recusar o procedimento assinando um termo de responsabilidade na maternidade. A comprovação da ausência de doenças ou do tratamento delas durante o pré-natal pode justificar a dispensa.

  • Passagem de sonda

    Invasiva, a passagem da sonda até o estômago faz parte do exame físico rotineiro do recém-nascido para diagnosticar malformações raras como atresia de esôfago (alteração congênita caracterizada por falhas no desenvolvimento do esôfago). O objetivo é aspirar uma pequena quantidade do conteúdo estomacal para avaliar a presença de sangue ou mecônio (primeiras fezes do bebê que podem estar presentes no líquido amniótico). O procedimento, que pode provocar espasmos de laringe, deve ser feito com extrema delicadeza. A sonda também é utilizada para confirmar o diagnóstico de ânus imperfurado e obstruções. Mas há controvérsias. Há médicos que defendem a passagem da sonda em todos os casos. Outros que preferem esperar aparecer algum sintoma para só então recorrer ao procedimento.

  • Afastar o bebê da mãe

    Tanto o Ministério da Saúde quanto a OMS (Organização Mundial da Saúde) preconizam que recém-nascidos com boas condições de saúde sejam levados direto para o colo da mãe, ainda na sala de parto. Mas em meio a rotinas médicas rigorosas, isso raramente é feito. Só que favorecer o contato pele a pele entre mãe e filho é fundamental para estimular a produção do hormônio ocitocina, que fortalece o vínculo mãe-bebê, e favorece a amamentação.

Saúde do homem também pode complicar gestações; veja entrevista

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% das mulheres grávidas e 13% das que acabaram de dar à luz sofrem algum tipo de distúrbio mental. Em países em desenvolvimento o índice sobe para 20%. A depressão seria o comportamento mais comum entre esses distúrbios e requer, na maioria das vezes, interferência psiquiátrica. Ela se difere de baby blues ou tristeza materna, que é uma situação considerada normal e temporária, e atinge cerca de 80% das mulheres. Depressão pós-parto e perda gestacional foi o tema da transmissão ao vivo da "TV Folha" nesta quarta-feira (27), com as participações da obstetra e ginecologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Albertina Duarte e da especialista em cuidados com bebês e crianças Mariana Alves. A mediação é da blogueira Camila Appel, do "Morte Sem Tabu". Há alguns fatores de risco para se considerar, como passar por quebras de expectativas (ter imaginado o parto perfeito ou não sentir amor imediato pelo bebê), já ter tido depressões prévias e perdas gestacionais. O momento é de extremo cansaço para mãe, que pode sofrer de transtornos de humor normais em até um mês após o parto. Se o quadro se agrava depois do período, é recomendada a busca por ajuda médica. A perda gestacional impacta cerca de 10% das mulheres e é sentida como um luto profundo, por mulheres e homens. Entre as causas, Albertina destaca a má-formação do feto, infecções, falta de vitamina (D especialmente) e stress. Ressalta também que a perda pode acontecer devido a infecções presentes no esperma e por isso ser algo não apenas relacionado à saúde da mãe. Mariana fala em um aumento tanto de casos de depressão pós-parto quanto de perdas gestacionais. Albertina e Mariana concordam que sintomas da sociedade contemporânea estariam associadas a essa realidade, como o stress e a má alimentação.

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