Infância

Pesadelo e xixi na cama sinalizam que algo vai mal com a criança; veja mais

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Pesadelos em crianças costumam ser pontuais, quando se tornam frequentes, a causa deve ser investigada Imagem: Getty Images

Do UOL

28/11/2016 07h05

A cada etapa do desenvolvimento, a criança tem ganhos motores e cognitivos. Por isso, é esperado que mude de comportamento conforme amadurece. Também é comum que assuma algumas posturas consideradas inadequadas para chamar a atenção dos pais e testar limites. O que diferencia essas manifestações de outros problemas mais sérios –e que precisam ser analisados por um médico– é o nível de sofrimento que impõem à criança ou os transtornos causados à vida familiar.

“O médico irá investigar se há causas orgânicas que estão interferindo e, se achar necessário, encaminhará o caso a outros profissionais, para que direcionem o diagnóstico e as melhores intervenções terapêuticas”, afirma a psicóloga Thaís Quaranta, especializada em neuropsicologia pelo Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo).

Mudanças muito repentinas devem acender o sinal de alerta. “É importante observar se o comportamento persiste ou é passageiro, e se ele se manifesta em mais de um ambiente, na casa e na escola, por exemplo”, diz a neuropsicóloga Deborah Moss, especialista em comportamento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento. 

A seguir, especialistas indicam seis comportamentos infantis que não devem ser ignorados pelos pais.

  • Choro constante

    Quanto mais nova a criança, mais ela usará o choro para comunicar necessidades e atingir objetivos. No entanto, quando começa a ser excessivo, é preciso atenção. "Na prática clínica, esse comportamento é comumente visto como sintoma em crianças com TDAH [transtorno do déficit de atenção e hiperatividade], depressão, ansiedade e TOD [transtorno opositor desafiador]", diz Thaís. Mas isso não quer dizer que ela precise ter um desses diagnósticos para chorar demais. Às vezes, o ambiente doméstico favorece e reforça a reação. "O limite entre o normal e o patológico é tênue. Bebês, principalmente, podem aumentar ou diminuir o choro por conta dos reforços oferecidos", afirma. Para fechar a questão a respeito do quadro, uma equipe multidisciplinar precisa ser envolvida, incluindo um neuropediatra.

  • Perda de interesse por atividades rotineiras

    A mudança de atitude pode estar ligada a transtornos psicológicos. Crianças com TDAH tendem a perder o interesse mais rápido por atividades do dia a dia, até mesmo as que lhe proporcionam prazer. "Isso acontece porque há um déficit na estimulação de áreas do cérebro ligadas à motivação e à recompensa", explica Thaís. Se houver outros fatores associados, como tristeza, medo, choro ou distanciamento de amigos, o sintoma também pode estar relacionado a um quadro depressivo. O diagnóstico é sempre realizado pelo pediatra, em conjunto com um psiquiatra infantil. Psicólogos podem ser consultados caso a perda de interesse esteja ligada a algum acontecimento pontual, como dificuldades escolares, problemas de relacionamento com os amigos, bullying, entre outros.

  • Rebeldia excessiva

    Por volta dos três anos, episódios de birra são comuns. Entre sete e 14, situações de rebeldia também podem aparecer com mais frequência. "Quando a criança expressa oposição a algo é porque percebe algum tipo de injustiça, o que gera irritação", fala Thaís. Os sintomas que caracterizam o comportamento são perda de paciência, desafio ou recusa às regras, hostilidade, demonstração de raiva e ressentimento frequentes. O diagnóstico só pode ser estabelecido se os sintomas forem incapacitantes e graves, interferindo no dia a dia. Um neuropediatra deve avaliar o caso, se necessário, com o auxílio de testes específicos. Em geral, o tratamento indicado é o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico.

  • Pesadelos frequentes

    Em crianças, pesadelos são episódios pontuais. Se elas começam a reportar sonhos ruins várias vezes por semana, pode ser resultado de um sono de má qualidade. "É preciso avaliar a rotina da criança e verificar se ela não está conseguindo descansar o suficiente. Quadros de ansiedade, medos e fobias também podem causar pesadelos", explica a neuropsicóloga e consultora do sono Deborah Moss. Antes de procurar um especialista, é preciso analisar as consequências que os pesadelos estão trazendo. "Para crianças de três ou quatro anos, sonhos ruins podem ter um impacto negativo maior, pois, ao acordarem, elas não têm a percepção clara de que tudo acabou", diz a especialista. Dependendo da causa, podem ser indicadas diferentes abordagens para tratar o problema, como psicoterapia, musicoterapia ou terapia ocupacional. "Os terapeutas irão trabalhar as causas dos pesadelos, ajudando a criança a desenvolver habilidades para diminuir o estresse diante de situações difíceis", fala Thaís. Leia mais

  • Queda no desempenho escolar

    Alterações significativas, repentinas e persistentes podem ser sinal de problemas diversos, inclusive de saúde. "O primeiro passo é consultar um pediatra e realizar todos os exames recomendados, para verificar se não há problemas de visão e audição, entre outros, que possam estar associados ao quadro", diz a psicopedagoga clínica e escolar Alcione Moreira Marques, docente do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. Trocas ou omissões de fonemas (os sons da fala) depois dos quatro anos e seis meses, por exemplo, precisam ser tratadas para evitar prejuízos no processo de alfabetização. Descartadas essas questões, vale considerar se algum acontecimento pontual está interferindo na rotina da criança. Segundo a psicopedagoga, a troca de escola ou de professores, problemas de relacionamento com os colegas, perda de pessoas próximas, entre outras situações, podem desencadear o problema. O psicopedagogo é o profissional habilitado a avaliar as várias dimensões do aprendizado e a relação com a escola. Para questões ligadas às dificuldades emocionais ou comportamentais, o tratamento indicado é o acompanhamento psicológico ou, eventualmente, psiquiátrico.

  • Voltar a fazer xixi na cama

    Se a criança já controlava a urina durante a noite e volta a fazer xixi na cama, a causa da mudança pode ser de natureza emocional, quando ocorre um fenômeno que os especialistas chamam de regressão. Esse comportamento pode ser provocado pela separação dos pais, nascimento de um irmão, mudança de escola ou de casa, entre outros. A enurese noturna também pode estar associada ao TDAH, embora essa relação não esteja completamente esclarecida. "Uma das hipóteses é a de que o atraso no desenvolvimento da criança com TDAH estaria relacionado com uma maior dificuldade de controlar a retenção da urina. Outra considera que as questões emocionais associadas ao baixo desempenho escolar e ao sentimento de incapacidade são os fatores que interferem no quadro", afirma Alcione. Em ambos os casos, o primeiro passo é procurar o pediatra, para descartar problemas fisiológicos. "Ele fará um exame clínico detalhado para identificar as possíveis causas e indicará o tratamento específico", explica a psicopedagoga. Leia mais

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