Infância

Desenhos das crianças indicam futura inteligência, diz estudo

Twins Early Development Study, King¿s College London/ Divulgação
Desenhos com mais atributos físicos tiveram pontuação maior Imagem: Twins Early Development Study, King¿s College London/ Divulgação

Hannah Richardson

Correspondente de educação da BBC

20/08/2014 10h31

A maneira como as crianças desenham aos quatro anos pode ser um indicador de como será a sua inteligência no futuro, concluiu um estudo da universidade britânica King’s College.

Dez anos atrás, pesquisadores pediram a 7.752 pares de gêmeos que desenhassem uma criança. Depois, eles classificaram os rabiscos segundo o número de elementos presentes, tais como cabeça, pernas, mãos e pés.

Juntamente com os desenhos, os pesquisadores aplicaram testes de inteligência às crianças. As mesmas avaliações foram repetidas quando meninos e meninas completaram 14 anos. Os especialistas encontraram uma ligação moderada entre os desenhos e os resultados obtidos uma década depois. O método é conhecido como teste do desenho da figura humana, criado nos anos 1920 para medir a inteligência de crianças de quatro anos.

"Desenhar é um comportamento primitivo, que data de 15 mil anos atrás. Por meio do desenho, tentamos mostrar a outras pessoas o que se passa na nossa mente", disse a coordenadora da pesquisa, Rosalind Arden.

"Essa capacidade de reproduzir figuras é exclusiva dos humanos e um sinal de habilidade cognitiva. Algo similar à escrita, que transformou a capacidade da espécie humana de armazenar informação e construir uma civilização."

Rosalind diz que não se surpreendeu de ver que a complexidade dos desenhos das crianças de quatro anos correspondia ao seu desempenho nos testes de inteligência verbal e não verbal.

"O que nos surpreendeu foi a correlação com a inteligência uma década depois", ela disse. A pesquisadora ressaltou, porém, que "essa ligação é moderada, os pais não precisam se preocupar se seus filhos desenham mal".

"A habilidade para desenhar não determina a inteligência –há inúmeros outros fatores, tanto genéticos quanto ambientais, que determinam a inteligência futura."

O fator genético ficou explicitado pelas habilidades semelhantes de desenho compartilhadas pelos irmãos gêmeos idênticos, em relação aos pares de gêmeos não idênticos.

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