Gravidez e filhos

Engravidar por volta dos 40 exige mais cuidados; saiba quais e veja exemplos de famosas

Andrezza Czech

Do UOL, em São Paulo

18/04/2012 07h00

Aos 41 anos, a atriz norte-americana Uma Thurman espera seu terceiro filho. Aos 38, a apresentadora Angélica também comemora a chegada da terceira criança à família Huck. Mariah Carey, Madonna, Nicole Kidman, Carla Bruni e Jennifer Lopez também estão na lista das famosas que decidiram engravidar por volta dos 40 anos. “As mulheres estão valorizando mais o aspecto profissional e postergando a maternidade”, diz o obstetra Daniel Rolnik, diretor do ambulatório de obstetrícia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo). Segundo ele, é cada vez mais comum atender gestantes em idade avançada –que, para os médicos, é aquela acima dos 35 anos. Mas há mesmo uma idade ideal para engravidar? Quais os riscos que a mulher enfrenta em uma gestação por volta dos 40 É preciso tomar mais cuidados? O UOL Gravidez e Bebês conversou com especialistas para ajudar a esclarecer essas e outras dúvidas.

Há uma idade ideal para engravidar?
Para o obstetra Daniel Rolnik, biologicamente, o melhor período é entre os 19 e 29 anos, quando o corpo está mais preparado para a gestação e os riscos para a mãe e o bebê são menores.  “O risco é maior a cada ano acima dos 35, e a gestação é mais crítica depois dos 40”, diz Rolnik. Além disso, quanto mais idade a mulher tem, menor a fertilidade. O obstetra Paulo Gallo, diretor do Vida - Centro de Fertilidade da Rede D’Or, no Rio de Janeiro, explica que o pico da fertilidade feminina vai dos 15 aos 25 anos. “A queda na fertilidade começa aos 25, acentua-se aos 30 e despenca depois dos 40”, diz Gallo. “A expectativa de vida aumentou muito nas últimas décadas, mas o ovário continua da mesma forma e já nasce com um número de óvulos pré-determinados”. O obstetra especialista em reprodução humana explica que, no período entre os 30 e 40, a mulher também está mais sujeita a ter problemas como cisto de ovários e endometriose, cujas cirurgias podem levar à infertilidade.

E se o problema for infertilidade?

Para a medicina, só é infertilidade quando o casal está tentando engravidar a um ano e sem sucesso. “Nesse caso, é preciso investigar e ver o método mais adequado, se é inseminação artificial ou in vitro”, diz o obstetra Daniel Rolnik diretor do ambulatório de obstetrícia do Hospital das Clínicas.

Para se submeter a qualquer um dos dois tratamentos, a mulher precisa ovular. Ou seja, é preciso que a mulher ainda não tenha entrado no período da menopausa, quando não há mais ovulação. “Se a mulher está próxima desse período, com uns 47 anos, ela não ovula mais com regularidade, o que dificulta o procedimento”. Nesse caso, é possível se submeter a ovodoação (doação de óvulos).

Para as mulheres jovens que sabem que vão adiar a maternidade e têm medo de não conseguir engravidar depois, a opção é o congelamento de óvulos. A técnica começou a ser procurada recentemente e é cara: o congelamento custa em torno de R$ 13 mil e, quando a mulher for fertilizada, deverá desembolsar mais R$ 16 mil.

Para quem tem diagnóstico de câncer e será submetida a tratamento, que pode comprometer a fertilidade, o tratamento compensa. “O ideal é que a mulher não deixe passar dos 35 anos para congelar seus óvulos, pois eles mantêm a característica da idade em que foram congelados”, afirma Paulo Gallo. “Quanto mais jovem congelar, maiores as chances de engravidar depois”.


É preciso fazer tratamentos?
Não é necessário fazer um tratamento para engravidar. A menos que a mulher tenha problemas de fertilidade. “É hora de considerar um tratamento se você estiver tentando engravidar há mais de um ano, tendo mais de duas relações por semana e sem métodos contraceptivos”, diz Paulo Gallo.  Caso a intervenção médica seja necessária, quanto antes procurar uma clínica especializada, melhor. Quanto mais jovem, maior a chance de a fertilização dar bons resultados.  (veja quadro ao lado)

Quais são os riscos?
Para a gestante, os principais riscos são os de doenças com maior probabilidade de atingir mulheres na faixa dos 40 anos.  “As doenças pré-gestacionais mais comuns são diabetes e hipertensão arterial”, afirma Rolnik. “As que podem ocorrer durante a gravidez são diabetes gestacional, parto prematuro e pré-eclâmpsia [problema que ocorre quando há um comprometimento vascular na placenta]”. Todas essas doenças podem ser prejudiciais para o bebê, pois podem causar alterações no crescimento fetal. Outro problema é que, como os óvulos já não têm o conteúdo genético tão eficiente após os 35, a probabilidade de o bebê sofrer de alguma síndrome genética aumenta.

Também é mais comum a gestação de gêmeos --e até trigêmeos. E nem sempre isso acontece por consequência dos tratamentos para fertilização. A probabilidade de gestação múltipla natural é maior quanto maior a idade. O problema desde tipo de gravidez é que há maior chance de parto prematuro e restrição do crescimento fetal. “Os riscos de má formação são menores se a mulher já teve outros filhos com gestações tranquilas”, diz Mauricio Simões Abrão, professor do departamento de obstetrícia e ginecologia da Faculdade de Medicina da USP.

Quais cuidados ter antes de engravidar e durante a gestação?
Todas as mulheres, independentemente da idade, devem procurar um médico ao decidir engravidar. “É importante fazer alguns exames, suplementar o ácido fólico, corrigir hábitos inadequados como fumar ou beber e fazer um pré-natal bem feito”, diz Rolnik. “A orientação não muda muito, apenas temos de explicar que os riscos são maiores”. O obstetra afirma que é preciso fazer um mapeamento de doenças para todas as mulheres, jovens ou não. Aquelas com aproximadamente 40 anos devem ficar atentas à pressão arterial, fazer avaliação para detectar problemas na tireoide e, durante a gestação, dar atenção dobrada ao ecocardiograma fetal e ao ultrassom morfológico, que detecta doenças genéticas. “Procure um médico para fazer exames pré-gravídicos, ver se está em dia com as vacinas e pedir orientação para tomar ácido fólico antes da gravidez”, diz Abrão. É importante ter mais cuidado com a qualidade de vida, ficar atenta ao peso e ter hábitos e alimentação saudáveis. "Uma mulher de 40 anos com alimentação saudável, magra, que não fume ou beba, pode ter uma gravidez até melhor do que a de uma jovem que não se cuide”, diz Rolnik.

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