Infância

Terror noturno é comum entre seis e 12 anos; veja como agir se seu filho sofre do problema

Thinkstock
Nos casos de terror noturno, a criança acorda sem se lembrar do que aconteceu Imagem: Thinkstock

Gabriela Horta*

Do UOL, em São Paulo

29/11/2012 09h41

A criança se comporta como se estivesse em perigo, grita, o coração fica acelerado. Parece ver ou sentir algo amedrontador, mas, apesar de toda a agitação e de até ficar de olhos abertos em alguns casos, ela está dormindo. A cena, descrita pela psicóloga clínica e terapeuta cognitiva Margarida Antunes Chagas, retrata um episódio do chamado terror noturno, distúrbio do sono incidente, principalmente, entre os seis e os 12 anos.

“Embora sério no momento em que ocorre, pois costuma assustar quem o presencia pela intensidade da manifestação, esse distúrbio é benigno e tende a desaparecer com o tempo, conforme o amadurecimento dos mecanismos do sono”, afirma a neurologista Márcia Pradella-Hallinan, coordenadora do setor de pediatria do Instituto do Sono, em São Paulo.

Fases do sono

O sono é um estado que se alterna com a vigília. Nele são identificados duas fases distintas: o sono mais lento, ou sono não REM, e o sono com atividade cerebral mais rápida, ou sono REM (do inglês, movimentos rápidos dos olhos).

O sono não REM é dividido em estágios segundo a progressão de sua profundidade.

Já o sono REM caracteriza-se por movimentos oculares rápidos e de relaxamento muscular máximo. É nele que ocorrem os sonhos.

O sono não REM e o REM alternam-se durante a noite. Normalmente, o não REM se concentra na primeira parte da noite. E o REM predomina na segunda.

Fonte: Instituto do Sono

Segundo a médica, é como se o cérebro não soubesse ainda alternar entre os estágios do sono e ficasse “encalhado” entre eles. Essa dificuldade de transição faz com que haja sobreposição do sono profundo com um despertar, daí a crise é desencadeada. A criança parece que está sonhando ou que teve pesadelo, mas não se lembrará de nada, independentemente se acordar durante o episódio ou na manhã seguinte.

O fato de a criança não se lembrar é um dos fatores que diferencia o terror noturno de um pesadelo comum. No caso do sonho ruim, ela é capaz de contar sobre o que estava sonhando e às vezes até de identificar o que a deixou com medo. No terror noturno, é como se nada tivesse acontecido.

“O pesadelo e os episódios de terror acontecem em fases distintas do sono. O primeiro tem lugar no chamado sono REM, mais próximo do despertar, quando o sono está mais superficial. Já o segundo acontece em um período bem profundo do sono”, diz o neurologista Saul Cypel, neuropediatra do Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo, e consultor da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal, voltada à primeira infância.

Para ajudar os pais a lidarem com esse distúrbio, o UOL Gravidez e Filhos reuniu informações sobre as perguntas mais frequentes sobre o assunto:

O terror noturno é herdado?

De acordo com a especialista Márcia Pradella-Hallinan, não há um gene que transmita o terror noturno, mas a forma como a criança amadureceu em relação ao sono pode ter sido “herdada” de familiares. A especialista diz que mais da metade das crianças com qualquer manifestação de parassonia do despertar –sonambulismo, terror noturno, choro inconsolável do bebê– tem um parente próximo que teve o mesmo quadro.
 

Quanto tempo dura um episódio de terror noturno? O que acontece com a criança durante a crise?

A duração é de cinco a 15 minutos em média. Segundo a psicóloga Margarida Antunes Chagas, durante a manifestação, a criança pode até se levantar da cama. Se acordar abruptamente, continuará amedrontada, pode não reconhecer as pessoas e ficar agressiva.

O que fazer quando acontece uma crise?

Se a criança sair da cama, os pais devem conduzi-la calmamente para que ela se deite de novo, sem acender luzes ou expô-la a fatores que possam despertá-la. Acordá-la, em vez de interromper a crise, pode prolongar o episódio.

É necessário acompanhar o momento e oferecer proteção e carinho, principalmente nos casos em que a criança apresenta sonambulismo ou comportamento agressivo, correndo o risco de causar danos físicos a si. Para evitar que ela se machuque, algumas medidas preventivas são necessárias, como colocação de redes de proteção em janelas e portões em escadas e esconder chaves e objetos cortantes.

Estabelecer uma rotina tranquila antes de ir para a cama pode evitar as manifestações?

Segundo a neurologista Márcia, do Instituto do Sono, ajudar a criança a ter um sono mais tranquilo não impede que o terror noturno se manifeste.

“De toda forma, ter cuidados com a alimentação, investigar se algum medicamento em uso pode estar acentuando os episódios, diminuir a ansiedade, caso a criança esteja passando por um momento de estresse, e oferecer conforto físico e emocional antes do sono é sempre muito importante”, afirma a terapeuta Margarida Antunes Chagas.

Com que frequência pode acontecer e quando os pais devem procurar ajuda?

Na maioria das vezes, os episódios são esporádicos e o período de ocorrência varia de criança para criança. Algumas têm semanalmente, outras no espaço de dez a 15 dias. Em casos raros, várias vezes durante a mesma noite.
 
“Se forem frequentes, vale a pena procurar um especialista para avaliação. Quando a qualidade do sono da família estiver sendo prejudicada e tiver havido acidente associado a um episódio, é indicado procurar ajuda médica”, diz Márcia Pradella-Hallinan, do Instituto do Sono.

Para a psicóloga Margarida, também é válido procurar um médico no caso de a criança apresentar prejuízos emocionais ou em suas atividades diárias.

Fatores emocionais podem ter ligação com as crises de terror noturno?

“Servem como favorecedores em um terreno predisponente”, afirma a neurologista do Instituto do Sono. Quando a criança não tem predisposição, segundo a profissional, a chance de um episódio acontecer é muito menor.

No entanto, para o neuropediatra Saul Cypel, do Einstein, os fatores emocionais devem ser levados em conta. “Pela observação em consultório, vejo que muitas crianças que apresentam o distúrbio têm também algum transtorno em seus aspectos emocionais.” De acordo com Cypel, por vezes, são intolerantes durante o dia e apresentam dificuldade de lidar com regras.

Para o neuropediatra, crianças que manifestam certa dose de insegurança e medo quando estão acordadas e que não têm maturidade emocional adequada para a idade tendem a manifestar, mais do que as outras, alterações do sono. Daí a importância de os pais buscarem orientação de como lidar com o filho que apresenta esse tipo de distúrbio não apenas no que tange o problema, mas também em outros aspectos comportamentais.

*Colaborou Fernanda Alteff

 

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Revista Ana Maria
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Notícias - Cotidiano
do UOL
UOL Notícias - Cotidiano
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
Topo