Infância

Saiba como fazer a hora do banho deixar de ser uma guerra

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Não obrigue seu filho, tente convencê-lo sobre a importância para sua saúde e bem-estar Imagem: Thinkstock

Ivonete Lucirio

Do UOL, em São Paulo

Xampu, sabonete, água caindo... Esse momento que tem tudo para ser relaxante pode se transformar em uma experiência estressante para muitos pais e filhos. Algumas crianças não gostam de tomar banho e não é só para fazer birra. Elas simplesmente não conseguem entender a importância que o cuidado tem.

“Por estarem em fase de desenvolvimento e internalização das regras sociais, elas não compreendem que a falta de asseio, além de provocar doenças, pode afastá-las dos amigos”, afirma a psicóloga Marília Facco, especialista em psicologia da educação pela PUC de São Paulo.

Como se não bastasse seu filho não entender a importância de se enfiar embaixo da água, muitas vezes, ele acaba tendo de interromper algo mais divertido, como ver televisão e brincar. Além disso, o banho é uma regra imposta tanto pela sociedade quanto pelos pais. “E as crianças tendem a brigar contra isso para garantir sua autonomia”, diz Marília.

Essa resistência costuma surgir por volta dos três ou quatro anos. “Nesse período, elas querem saber a razão de tudo, tornam-se mais questionadoras”, fala a psicóloga. Por estarem construindo sua identidade, agem como se pudessem decidir sobre suas vidas, quando dormir, o que e quando comer... Banho é somente mais uma das decisões.

Mesmo sendo um comportamento comum, os pais devem ficar atentos a algum sinal de anormalidade. “Algumas vezes pode haver um medo envolvido”, declara a psicóloga Ana Paula Miessi Sanches, especializada em infância e educação pela PUC de São Paulo.

Segundo Ana Paula, há crianças que têm medo de chuveiro ou de lavar a cabeça, o que gera grande sofrimento toda vez que vão tomar banho. Se houver um medo excessivo, é preciso procurar a ajuda de um profissional para identificar a causa.

Com o devido acompanhamento, aos poucos, as crianças vão aprendendo que o banho é uma necessidade e um grande prazer. Veja a seguir algumas orientações, divididas por faixa etária, para lidar com a questão.

De três a quatro anos

Nessa idade, é importante fazer a criança compreender os malefícios da falta de higiene, mas de uma forma lúdica. Uma ideia que costuma funcionar é comprar brinquedos específicos para a hora do banho, como livros emborrachados, e esponjas e toalhas com personagens que ela goste.

Dicas para qualquer idade

Algumas atitudes ajudam a quebrar a resistência das crianças na hora do banho.

- Não barganhe. Não diga coisas como “Se você tomar banho poderá ver mais uma hora de televisão”;

- Tome cuidado com a temperatura da água para não causar desconforto por estar muito quente ou muito fria;

- Crie uma rotina para a hora do banho, que pode ser antes do jantar, antes de dormir;

- Não pegue a criança de surpresa, dizendo que ela tem de tomar banho naquele instante. “Alguns minutos antes, avise que ela terá de se banhar. Assim, ela pode ir se preparando”, diz a pediatra Mariana Nudelman;

- Por mais gostoso que seja o banho, não deixe que ultrapasse 15 minutos. “Do contrário a pele fica ressecada”, declara a pediatra Alessandra Cavalcante, do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo;

- “Nunca obrigue a criança a tomar banho. Sempre tente convencê-la”, afirma Alessandra. Do contrário, o banho acaba virando um castigo em vez de um momento de prazer.

“O banho deve ser um momento divertido e relaxante, com brincadeiras de faz de conta e de adivinhar. Vale cantar as músicas da escola ou fazer penteados diferentes, aproveitando que o cabelo está molhado”, diz Marília Facco.

É interessante começar a ensinar a criança a se lavar sozinha. “É importante afastar a tensão para que ela internalize que a hora do banho é um momento divertido”, fala a psicóloga.

Entrar no chuveiro com a criança pode ajudar a descontrair. “Mas é preciso estar preparado para responder a eventuais perguntas que ela faça sobre as diferenças no corpo com relação ao sexo”, afirma Mariana Nudelman, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

De cinco a sete anos

Nessa fase, as crianças não dependem tanto dos adultos para executar algumas tarefas e por isso começam a iniciar seu processo de independência em relação aos pais.

“É interessante que os adultos comecem a deixar a criança mais livre para cuidar de si, mas sempre com supervisão”, diz Marília Facco.

O banho pode ser um momento de diálogo. Enquanto a criança se banha, aproveite para conversar sobre como foi seu dia na escola, mas vá lembrando-a sobre os passos principais com perguntas como: passou o sabonete? lavou as orelhas? Esses questionamentos auxiliam no processo de organização interna do seu filho.

De oito a dez anos

É interessante deixar que seu filho escolha os produtos que quer usar, assim ele vai se apropriando do momento. Leve-o para comprar o xampu e o sabonete dos quais mais gosta. Vale negociar o horário de ir para o chuveiro para deixar a criança mais livre, sem a sensação de que está perdendo tempo.

Ela pode também escolher a própria roupa. Quanto mais independente se sentir, menor será a resistência que vai impor ao banho. No caso de pais e filhos que têm o costume de tomar banho juntos, é o momento de começar a rever essa prática. “É interessante notar que as crianças começam a ter vergonha de mostrar o corpo e buscam certo isolamento”, diz Marília.

Depois que ir para o chuveiro deixar de ser um problema, os pais podem dar uma relaxada na supervisão. “Nessa faixa etária, a criança tem condições de cuidar da própria higiene”, declara Marília Facco.

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