Infância

Saiba quando liberar a menina para usar maquiagem e salto alto

Getty Images
Em excesso, a vaidade impede que a criança viva plenamente etapas importantes para seu desenvolvimento Imagem: Getty Images

Louise Vernier e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

25/10/2013 07h15

A expressão da vaidade é uma parte importante do desenvolvimento emocional humano, à medida que ela evidencia um senso de cuidado e amor próprio. Desde o começo da infância, por volta dos três anos, algumas manifestações desse sentimento costumam aparecer.

“É nessa fase que as meninas começam a querer usar as roupas e os sapatos da mãe para brincar e demonstram interesse por acessórios de cabelo e maquiagem”, diz a psicanalista Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo.

A vaidade se torna um problema apenas quando se manifesta de maneira exagerada. De acordo com o pediatra Benedito Scaranci, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), no momento em que a garota insiste em não apenas experimentar, mas usar, no dia a dia, acessórios, roupas e cosméticos que não se adequam à sua idade, os pais precisam intervir.

“Um sintoma de que algo vai mal é a criança deixar de se divertir com brinquedos e brincadeiras típicos da sua idade para começar a se cuidar como uma mocinha”, fala o especialista.

Ao notar esses sinais, a primeira reflexão dos pais deve ser sobre o tipo de conduta que estão estimulando na menina. Isso porque, muitas vezes, sem perceber, são os adultos que incentivam os filhos a cuidarem demais da aparência ou a se comportarem de forma mais madura.

O ideal é que as crianças, mesmo gostando de se arrumar, não deixem de brincar por medo de estragar a produção. “A criança precisa se sentir à vontade sempre. Brincar favorece o desenvolvimento cognitivo, social e emocional das crianças”, afirma a pediatra Filumena Gomes, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP.

O que pode e o que não pode

Ao identificar, na criança, uma vaidade exacerbada, cabe aos pais explicar, na linguagem apropriada para a idade dela, que ela ainda não está preparada para realizar atividades de adultos, como trabalhar, cuidar da casa, ficar sozinha ou usar produtos de beleza e salto alto, por exemplo.

“Arrume a criança de forma que ela se sinta bem, com uma roupa e um sapato dos quais ela goste, com peças infantis que a deixem feminina e não neguem sua vaidade. O único ponto é que a produção deve estar de acordo com a idade dela”, fala a psicóloga Claudia Mussa, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

Cosméticos

E se a ideia é proteger as crianças, o uso de cosméticos, de forma rotineira, deve ser adiado o máximo possível. Isso porque a pele das crianças é mais fina do que a dos adultos e a absorção cutânea também é maior.

“O uso e a exposição crônica e precoce aos vários componentes químicos presentes em itens de maquiagens, por exemplo, pode desencadear reações alérgicas imediatas ou a longo prazo”, afirma a dermatologista Selma Hélène, coordenadora do Departamento de Dermatologia Pediátrica da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

Segundo a especialista, somente a partir da puberdade, a pele ganha uma barreira mais resistente e o uso desses cosméticos começa a ser liberado.

Em ocasiões especiais, como em festas infantis onde há um camarim para as crianças se arrumarem, pode-se até abrir uma exceção para a pintura da pele, em meninas maiores de seis anos. Isso desde que a maquiagem utilizada seja especificamente desenvolvida para o público infantil.

Esses cosméticos, geralmente, saem com facilidade, bastando usar água, sem a necessidade da aplicação de demaquilantes. Para serem considerados seguros, os produtos destinados às crianças precisam, ainda, atender a outras especificações, como não possuir sabor ou odor fortes.

“O mesmo vale para os perfumes, que também não devem ter álcool”, diz Selma. No caso dos esmaltes, de acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os permitidos às crianças são aqueles à base de água e que saem sem precisar de removedores, como acetona.

Tinturas e alisamento

“As tinturas de cabelo e as técnicas de alisamento estão proibidas até os 12 anos”, afirma a dermatologista Selma. Os produtos químicos usados nesses processos, geralmente, são derivados de amônia e são altamente tóxicos.

“Produtos de alisamento com uma taxa de formol maior que 0,2% podem causar queda de cabelo, intoxicação por inalação, tosse, falta de ar e até mesmo queimar o couro cabeludo de maneira irreversível”, diz a dermatologista.

Além disso, é preciso levar em conta que essas transformações radicais afetam o emocional da criança, o que é ainda mais delicado quanto mais nova for a garota. Afinal, é preciso considerar que uma criança estimulada a mudar suas características pode vir a se tornar uma pessoa insegura com a própria imagem.

“Em vez de submeter a criança a uma transformação, usando produtos químicos, os pais devem se esforçar para transmitir a ela o conceito de que todos os tipos de cabelo são bonitos. A criança precisa ter sua aparência valorizada para crescer com a autoestima elevada”, diz Filumena.

Também vale sugerir à criança um bom corte de cabelo, que esteja de acordo com o tipo físico dela e que ajude a valorizar o aspecto natural do fio. Autorizá-la a fazer uma escova comum, usando apenas o secador, em datas especiais, é outra solução possível. Por fim, vale usar exemplos de ídolos de sucesso que assumem sua beleza natural para ajudá-la a driblar a insatisfação com a aparência.

Salto alto

“Só a partir da primeira menstruação, quando o estirão de crescimento já ocorreu na menina, o uso de calçados de salto alto está liberado”, diz Filumena. Mesmo assim, o acessório deve compor a produção apenas esporadicamente.

Antes dessa fase, a formação dos ossos, articulações e músculos ainda não está completa e o uso de um calçado inadequado pode trazer danos sérios à saúde. “A criança que usa salto alto desde pequena, de maneira frequente, vai fazer uma pressão maior na parte anterior do pé, o que pode desencadear processos inflamatórios e degenerativos, encurtamento da musculatura da panturrilha e do tendão. Sem falar na sobrecarga das articulações dos joelhos e tornozelos”, afirma o ortopedista pediátrico Fabiano Prata, da Faculdade de Medicina do ABC.

Portanto, o uso de sapatos com salto pode prejudicar o desenvolvimento das pernas, dos pés e afetar a coluna. “A criança ainda apresenta um sistema neurológico imaturo, tem déficit de equilíbrio e coordenação. Por isso, precisa de um calçado firme e estável.”

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Revista Ana Maria
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Notícias - Cotidiano
do UOL
UOL Notícias - Cotidiano
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
Disney Babble
Topo