Bebês

Para desmame ser tranquilo, mãe tem de estar segura da decisão

Getty Images
É essencial estipular uma rotina e não voltar atrás nas decisões para não confundir a criança Imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

21/03/2014 07h15

A rotina de alimentação da criança inclui bem mais do que o leite materno há tempos, mas ela ainda mama no peito. Como fazer para que o fim da amamentação não seja sofrido para mãe e filho? Segundo os especialistas ouvidos pelo UOL Gravidez e Filhos, o desmame deve ser encaminhado da forma mais natural possível e acontecer gradualmente, lembrando que a OMS (Organização Mundial da Saúde) recomenda a amamentação exclusiva até os seis meses e, complementada por outros alimentos, até, pelo menos, os dois anos.

“Donald Woods Winnicott, pediatra e psicanalista inglês, explica que tudo o que é bom chega ao fim. Faz parte da coisa boa que ela se acabe, e isso inclui o aleitamento materno. A base do desmame é uma boa experiência de amamentação. É importante que a mãe tenha consciência que, com o passar do tempo, a criança cresce e não precisa mais do leite que ela fornece. Além do mais, ela tem outros interesses e precisa ir além desse mundo, conquistar outros espaços”, diz Cynthia Boscovich, psicóloga clínica, psicanalista, membro regular da Sociedade Brasileira de Psicanálise Winnicottiana e autora do site Cuidado Materno.

Para Cynthia, a mulher precisa estar atenta aos sinais que a criança dá demonstrando estar pronta para ser desmamada: já não tem mais paciência para ficar no colo mamando, não pede com insistência o peito, adormece sem mamar...

Também é fundamental que a mãe se observe emocionalmente. A amamentação é um elo muito forte que ela mantém com a criança. Não raro ela dá sinais de que não quer mais o leite materno, mas, mesmo assim, muitas mulheres insistem, pois para elas é difícil romper essa ligação.

“É necessário estar segura de si para que o desmame seja bem-sucedido. Algumas mães não querem desmamar porque sentem dificuldade de aceitar que o filho está crescendo e se tornando independente, mas isso é a vida. Quanto mais independente e segura a criança crescer e viver essa fase, maiores serão as chances de se tornar um adulto seguro e autônomo.”

Na prática

A psicóloga recomenda planejar o término da amamentação, aproveitando que, naturalmente,  está ocorrendo a introdução de novos alimentos. A mãe pode, em paralelo, diminuir ainda mais o número de mamadas (que já estarão reduzidas, pois a criança tem outras fontes nutritivas), até chegar um momento que não será mais necessário o aleitamento.

Também é produtivo estabelecer combinados com a criança, por exemplo, uma mamada somente antes de dormir. Cynthia diz que é essencial estipular uma rotina e não voltar atrás nas decisões para não correr o risco de confundir o filho. Pode ser que ele sofra um pouco no início, demore a se acostumar, chore mais, fique irritado, tenha dificuldade para adormecer, peça para mamar fora dos combinados, diminua o interesse por comer... “Essas são formas de ressentir o desmame. Faz parte do processo, O que resta à mãe é esperar e ajudar o filho. Não é uma tarefa fácil e requer paciência”, fala.

A enfermeira obstetra Lilian Cordova do Espírito Santo, professora da Escola de Enfermagem da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), com pós-doutorado em aleitamento materno, endossa a recomendação de que a amamentação não seja interrompida bruscamente.

Para tanto, uma sugestão de Lilian é retirar e estocar leite materno após cada mamada. Assim, quando a retirada do peito começar, o alimento poderá continuar sendo oferecido à criança. “Com o passar do tempo, as mamas serão menos estimuladas e então o corpo vai produzir menos leite, até cessar”, diz.


Lilian ainda explica que, ao observar que a criança não requisita mais o leite materno, se a mama estiver cheia, a mulher não deve insistir em oferecer o peito. “Ela pode retirar o leite e oferecê-lo em um copo mais tarde. Não recomendo o uso da mamadeira para evitar o desenvolvimento de problemas respiratórios.”

De acordo com Roberto Mario Silveira Issler, consultor internacional de aleitamento materno do IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners) e professor de pediatria da Faculdade de Medicina da UFRGS, o desmame não deve ser encarado como a interrupção do aleitamento materno e, sim, como a introdução de outros alimentos na dieta da criança.

Lilian e Issler concordam sobre os combinados com a criança: quanto mais ela participar do processo, compreender o que está acontecendo –e não ser enganada–, melhor e mais tranquilo o percurso.

Carolina Pacheco, mãe de Lucas, iniciou o processo de desmame quando ele completou dois anos. “Comecei a sentir vontade de dar alguns limites para ele, então, passei a limitar mamadas fora de casa ou quando sentia que ele só estava pedindo o peito por falta do que fazer. Evito também de ele mamar perto das refeições, a não ser que sinta que ele realmente está precisando emocionalmente. Ele não reclama porque explico que logo vamos comer”, diz.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

Facebook Messenger

Receba seu horóscopo diário do UOL. É grátis!

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Estadão Conteúdo
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Notícias
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
UOL Estilo
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo