Bebês

Falar em tatibitate com a criança prejudica seu desenvolvimento

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A criança precisa ter contato com as maneiras convencionais de falar para avançar e aprender imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

Com o coração cheio das melhores intenções, os pais procuram fazer de tudo pelas crianças. Muitos chegam a inventar um vocabulário próprio para conversar com elas –repleto de diminutivos e palavras com letras trocadas, pronunciadas com uma voz diferente, o famoso tatibitate–, na tentativa de facilitar a comunicação e se mostrarem carinhosos. O problema é que, às vezes, a família passa da conta e pode prejudicar o desenvolvimento infantil.

“É bem-vindo o jeito afetivo e paciente que os pais dedicam aos filhos, mas, apesar de serem pequenos, eles são capazes de aprender muitas coisas e não podem ser subestimados”, afirma Gisela Wajskop, socióloga, doutora em metodologia de ensino e consultora de educação em São Paulo.

É importante compreender que, para aprender a falar, as crianças precisam entrar em contato com o modelo linguístico correto. O que não significa usar palavras difíceis e incomuns e, sim, falar como se fala no dia a dia, sem diminutivos ou alteração de voz. “Os pais não podem conversar com o filho do mesmo jeito que ele. Se fizerem isso, estarão atrapalhando a construção das competências vocais e a oralidade”, diz Gisela.

A psicóloga e psicanalista Fernanda Arantes, coordenadora pedagógica e de inclusão da Escola Viva, em São Paulo, completa: “A construção da fala deve ser encarada como a da escrita: a criança pode fazer do jeito que sabe até então, mas precisa ter contato com as maneiras convencionais para avançar e aprender.” 

Gisela explica que, para contribuir com a aprendizagem, os pais não devem corrigir o filho quando ele falar errado. Basta seguir a conversa normalmente, repetindo a palavra do jeito certo. Por exemplo, se a criança disser “Qué fazê naná no cóio do dodô”, você pode dizer: “Ah, você quer dormir no colo do vovô? Está bem, peça a ele”. É assim, aproximando-se de bons exemplos, que ela irá, com o passar do tempo, aprender.

Mas a recomendação pode ser flexibilizada. Se os objetos de apego da criança, como chupeta, cobertor ou algum brinquedo, forem chamados por algum termo diferente, os pais podem usá-lo. Nesse caso, Fernanda explica que não há problema, pois se trata de manter o vínculo.

Repertório

Outra postura importante da família é não economizar em palavras. Ana Paula Yazbek, pedagoga e sócia-diretora do Espaço da Vila, em São Paulo, recomenda que a família não se policie para usar somente termos do universo infantil e converse normalmente na frente das crianças.

“A fala é um dos instrumentos mais nobres do ser humano. Se conversamos com as crianças de modo infantilizado, estamos fazendo com que elas se tornem dependentes de nós, adultos”, diz Gisela. 

Resista à tentação de achar engraçado crianças maiores, por volta dos três anos, falando de modo infantilizado. Nessa idade, pode ser um sinal de que o repertório comunicativo dela está ficando empobrecido. Ao longo do tempo, o principal problema é que ela pode, cada vez mais, se diferenciar dos colegas da mesma idade, chegando a ser ridicularizada por eles.

Autonomia

Além de ensinar o filho a falar do jeito certo, é tarefa dos pais também fazer com que ele conquiste, dia a dia, autonomia para cuidar de si mesmo e expressar suas vontades. É claro que esse é um longo caminho, e que ir à escola, para conviver com crianças da mesma idade, contribui. Mas, em casa, lugar em que se sente seguro e livre, seu filho pode aprender bastante.

Ana Paula explica que é importante que a família pergunte, estimule, desafie a criança. “Isso é educar”, ela diz. Mesmo tendo consciência de que ela ainda não sabe fazer algumas coisas, os adultos devem dar espaço para que faça, experimente, sem deixar de supervisioná-la, evidentemente.

“Se alguém, seja da família ou uma babá, sempre fizer as coisas pela criança, em vez de deixá-la experimentar e ensiná-la, pode ser que isso seja necessário para sempre, o que não é justo. Temos de transmitir valores, segurança e noção de capacidade também”, diz a pedagoga.

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