Bebês

Produtos podem facilitar a sua vida durante a amamentação; entenda

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

23/07/2014 08h05

Depois do parto, a amamentação é um dos momentos mais esperados para muitas mulheres. Porém, algumas ficam preocupadas se vão conseguir de fato alimentar o bebê com o leite materno.

“As primeiras semanas são determinantes para o sucesso. Os maiores desafios ocorrem com a apojadura, que é a primeira descida do leite, cerca de 72 horas pós-parto”, explica Rita de Cassia Janicas, professora da pós-graduação em enfermagem obstétrica da Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo.

Durante a amamentação, podem ocorrer traumas e empedramento nos mamilos, o que pode desencadear dor.

Mas essas questões podem ser prevenidas ou minimizadas corrigindo técnicas de amamentação e, também, evitando a formação de pontos de leite retido, com a realização de massagens, ordenha manual e o aleitamento em livre demanda.

Para complementar essas estratégias, o mercado tem à disposição produtos como bombas extratoras de leite, conchas, entre outros, que tornam o momento mais prazeroso para mãe e filho.

- Bombas:  usar bombas para retirada de leite ajuda na amamentação de bebês prematuros ou doentes. Também é recomendado no caso de mães que trabalham fora de casa, para extrair o leite materno e armazená-lo. “O uso deve ser indicado pelo obstetra, enfermeira obstetra ou um consultor em amamentação, para evitar eventos adversos como dor, lesões e desconforto quando utilizada de maneira incorreta e contraindicada”, diz Rita de Cassia.

- Conchas: as conchas são dispositivos plásticos em forma de disco, com um orifício esférico central para serem colocados sobre os mamilos e sob o sutiã. “As conchas de silicone antialérgico com base rígida são utilizadas durante a gestação para preparação dos mamilos curtos ou invertidos. Já as de silicone macio são utilizadas após o parto para coletar o excesso de leite e favorecer a cicatrização e a regeneração dos mamilos fissurados por meio dos orifícios que ventilam a região”, explica Rita.

Embora o uso desses acessórios seja grande, não há estudos que evidenciem cientificamente benefícios a ponto de justificar o uso rotineiro. Então, antes de decidir usá-las, tal como bombas de sucção para reverter o quadro de mamilos invertidos, é fundamental conversar com o obstetra ou um especialista em amamentação.

- Compressas: "Apesar de não ter comprovação científica, o uso de compressas frias nos intervalos das mamadas e o de compressas quentes antes das mamadas para facilitar a ejeção do leite, tem sido indicado por profissionais. Cabe ressaltar que o uso de compressas quentes deve ser criterioso em relação à indicação, à temperatura e ao tempo de uso nas mamas com excesso de leite, pois o calor também estimula a produção, podendo levar a piora do quadro", afirma a especialista.

Conforme o protocolo de assistência recomendado pelo Ministério da Saúde, o uso de compressas frias pode ser feito de duas em duas horas, em sessões de, no máximo, 20 minutos, ou logo depois da mamada. É importante observar o período máximo de 20 minutos para evitar o efeito rebote, ou seja, o aumento de fluxo sanguíneo para compensar a redução da temperatura local.

“As compressas frias provocam contração temporária dos vasos pela hipotermia, o que leva à diminuição do fluxo sanguíneo, redução do edema, aumento da drenagem linfática e menor produção do leite”, conta Rita.

- Sutiãs: usar um sutiã específico para a fase de amamentação é importante porque as mamas estão cheias e pesadas. O acessório pode minimizar o desconforto dessa fase.  Para acertar a escolha do modelo, Rita de Cassia indica que seja um sutiã de algodão, com alças largas e tamanho adequado para acomodar as mamas evitando comprimir o tecido mamário. Os que têm abertura frontal e permitem fácil acesso do bebê à mama também são indicados.

- Almofada: para favorecer a posição confortável e adequada para mãe e bebê, é recomendável investir em uma boa almofada com formato anatômico. Ela permite que a mulher mantenha ombros e braços relaxados. Rita recomenda que, se possível, é interessante usar também um apoio para os pés e outro para as costas.

- Para armazenar o leite: durante a extração de leite para armazenamento, os cuidados de higiene devem ser redobrados. A professora indica prender os cabelos, proteger a boca e nariz com máscara ou uma fralda de pano limpa. As mãos devem ser lavadas antes, tal como os antebraços e as mamas. Tudo isso evita contaminação nos procedimentos de armazenamento do leite em frasco esterilizado.

A escolha do material para armazenamento também é importante. “Os frascos devem ser de vidro incolor transparente, de boca larga e tampa de plástico que possam ser submetidas à esterilização. Além disso, os sacos, de material específico para esse fim, não podem ser reutilizados”, diz.

A especialista ainda explica que a ordenha nunca deve ser feita em banheiros (devido ao risco de contaminação). O líquido deve ser colocado no congelador ou freezer imediatamente após a retirada.

No refrigerador, a especialista recomenda que seja colocado na primeira prateleira da geladeira, nunca na porta, e pode ser utilizado até 24 horas após a coleta. Se congelado, poderá ser utilizado para pasteurização em até 15 dias após a coleta.

- Absorvente para os seios: são discos feitos com material absorvente que mantêm a pele seca e evitam vazamentos de leite. Existem modelos descartáveis ou reutilizáveis. É uma solução estética prática para quando a mulher tem de sair de casa ou receber visitas.

Porém, Rita explica que o uso deve ser esporádico e os acessórios devem ser sempre trocados quando estiverem saturados de leite. “Isso evita a umidade mamilar”, diz. Se os seios apresentarem fissuras, nada de recorrer a eles. “O absorvente pode grudar na fissura a piorar o quadro”, conta a especialista.

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