Bebês

Não doe o bicho de estimação por causa da chegada do bebê

Arquivo Pessoal
Gabriel Leone com o cachorro Fred. Quando o menino nasceu, o animal tinha pouco mais de dois anos Imagem: Arquivo Pessoal

Por Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

06/09/2014 07h15

A chegada de um bebê gera mudanças profundas na rotina da casa. Quando a família tem bicho de estimação, não é raro que os pais, principalmente os de primeira viagem, cogitem doar o animal por se sentirem inseguros em relação à saúde e à segurança do filho. Um equívoco, segundo especialistas, já que o bicho e o bebê podem conviver bem desde que alguns cuidados sejam tomados.

“Se os animais estiverem em perfeita condição de saúde, vacinados, vermífugados e sem doença infectocontagiosa, o risco é quase inexistente”, afirma a médica veterinária Silvia Edelweiss Crusco.

É importante que os donos também conheçam a índole do animal que têm em casa, de acordo com a médica veterinária Vanessa Carla Paiva, da Clínica Univeter, de São Paulo. Cães que demonstram agressividade e que são indócis, inclusive com os donos, independentemente de raça, não são indicados para o convívio com crianças.

Mesmo que o animal seja tranquilo, a veterinária Silvia diz que a supervisão dos adultos é fundamental nessa convivência. A medida protege os dois lados, pois, muitas vezes, a criança pode agir como se o bicho fosse um brinquedo, irritando-o ou machucando-o.

O pediatra José Gabel, do Hospital Israelita Albert Einsten, de São Paulo, também é favorável à convivência entre animal de estimação e criança. De acordo com ele, normalmente, o bicho não oferece perigo ao bebê, principalmente se for minimamente adestrado ou se já estiver habituado à convivência com crianças pequenas.

Segundo Gabel, para zelar pela saúde da criança, além dos cuidados com o animal, basta manter a higienização adequada da casa e lavar as mãos do bebê após ele tocar no  bicho de estimação da família.

Convivência harmoniosa

Desde cedo, é indispensável ensinar a criança a respeitar o bicho. “Ao encontrar um equilíbrio no convívio, o bebê perceberá no animal de estimação mais uma fonte de carinho e aprenderá a respeitá-lo e a cuidar. A relação é construída naturalmente, com a troca de afeto”, fala a médica veterinária Vanessa Carla Paiva.  

De acordo com Vanessa, a aproximação entre bebê e bicho de estimação deve começar a ser realizada mesmo antes do nascimento da criança. Desde o início da gestação, o animal deve acompanhar as mudanças da casa –como a arrumação do quarto do bebê– e ser acostumado com os novos objetos e o aroma dos ambientes.

Deixar o animal cheirar algo usado pelo bebê na maternidade também é uma maneira de aproximá-los. “Cães e gatos mais velhos, normalmente, sofrem mais do que filhotes com a chegada de um novo membro da família, já que estavam acostumados a receber atenção exclusiva. Porém, dar atenção ao animal evita que ele tenha ciúme”, diz a veterinária.

Vanessa fala que estabelecer uma rotina para o animal junto à família é importante nessa fase de adaptação. "Respeitar horários para passear, comer, dormir e brincar o ajudará a perceber que ele também tem espaço no novo esquema familiar.” O resultado? A convivência entre o bicho de estimação e bebê será muito mais tranquila, sem surpresas ou sobressaltos. 

Foi justamente isso o que aconteceu com Gabriel, filho da dona de casa Marcela Leone. Quando ele nasceu, o chihuahua Fred tinha pouco mais de dois anos. “Em nenhum momento, houve estresse entre os dois”, diz a mãe.

“A aproximação foi acontecendo de maneira bem natural. No início, o Fred cheirava o bebê, e eu deixava para que ele não se sentisse rejeitado. Enquanto eu cuidava do Gabriel, ele ficava por perto, brincando. Hoje, três anos depois, eles se adoram. Quando viajamos e o Fred fica, o Gabriel chora, não quer se separar”, conta Marcela.

Cuidados

Para garantir o bem-estar de toda a família, é fundamental se preocupar com a saúde do animal de estimação. Avaliações periódicas com o veterinário podem garantir que ele não tenha problemas de pele, como sarnas e micoses, nem verminoses e doenças infectocontagiosas.

Seguem cuidados importantes que devem ser tomados, segundo a veterinária Vanessa Carla Paiva:

- Conferir se a vacinação e a vermifugação estão atualizadas;

- Realizar exames de fezes periódicos para prevenir doenças;

- Manter a higiene da boca e dos dentes do animal, realizando tratamento periodontal caso haja necessidade;

- Banhos periódicos;

- Escovar os pelos diariamente;

- Manter as unhas dos animais cortadas;

- Utilizar regularmente produtos antipulgas;

- Fazer a higiene do ambiente com frequência: recolher as fezes e a urina do animal, passar pano úmido em pisos e aspirar a casa diariamente para evitar acúmulo de pelos;

- Lavar as mãos logo após manusear jornais, caixas de areia ou tapetes higiênicos com as fezes ou a urina do bicho.

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