Gestação

Pré-natal rigoroso e exame são armas contra pré-eclâmpsia

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Exame que combina análise de sangue e ultrassom ajuda no diagnóstico precoce Imagem: Getty Images

Catarina Arimatéia

Do UOL, em São Paulo

10/09/2014 07h05

Responsável por grande parte das interrupções prematuras da gestação, a pré-eclâmpsia atinge de 5% a 7% das mulheres grávidas, segunda dados da OMS (Organização Mundial da Saúde). A doença ou sua forma mais grave, a eclâmpsia, é a responsável por 14% das mortes maternas, ainda de acordo com a OMS.

A síndrome costuma se manifestar pela elevação da pressão arterial,  alteração da vitalidade –a famosa “falta de ânimo” –, lesões no rim ou no fígado, hemorragias, feto com baixo peso e perda de proteínas pela urina. 

Apesar de a característica mais conhecida ainda ser a pressão alta, crônica ou específica da gravidez, nem sempre isso acontece. “É possível a gestante ter a doença sem apresentar elevação da pressão”, diz Eduardo Cordiolli, coordenador médico de obstetrícia e medicina fetal do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Existem ainda outros sintomas que devem ser levados em consideração e imediatamente comunicados ao médico que realiza o pré-natal. “Todas as gestantes devem procurar o obstetra em casos de dor de cabeça de forte intensidade, problemas visuais –entre os quais, a sensação de ver ‘pontinhos pretos’–, dores fortes na região do estômago ou do fígado, náuseas ou vômitos, falta de ar e inchaço generalizado no rosto, nas mãos e nos pés”, afirma Paulo Noronha, obstetra e especialista do Centro de Medicina Fetal do laboratório Salomão Zoppi Diagnósticos, em São Paulo.

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Pré-natal e vida saudável

O grupo de risco é amplo e inclui: hipertensas, obesas ou com sobrepeso, gestantes acima de 35 ou abaixo de 18 anos, mulheres com histórico familiar da doença (mãe ou irmã que já sofreram de pré-eclâmpsia), fumantes, portadoras de problemas renais ou doenças autoimunes, grávidas de gêmeos ou grávidas do parceiro pela primeira vez, ou seja, mesmo que a mulher tenha tido outras gestações sem apresentar o problema, no caso de engravidar  de um novo relacionamento, a doença pode ocorrer.

Quem já teve pré-eclâmpsia na primeira gravidez também pode apresentar a síndrome novamente, portanto, nesse caso, a atenção aos sintomas deve ser redobrada. 

Mudanças de comportamento também podem ajudar a mulher a evitar a doença futuramente. Uma paciente com estilo de vida saudável está menos propensa a ter pressão alta, diabetes e obesidade, por exemplo, diminuindo o risco de desenvolver pré-eclâmpsia durante a gestação, segundo o obstetra Paulo Noronha.

Exames e análises

O diagnóstico clínico é um dos principais aliados da gestante contra a pré-eclâmpsia, por isso é fundamental ter acompanhamento médico adequado desde o início da gestação. “Um bom pré-natal faz com que o médico realize um diagnóstico precoce”, fala Maria Rita de Souza Mesquita, diretora da Sogesp (Associação de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo) e médica do Departamento de Obstetrícia da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

Cordiolli, do Einstein, afirma que, nas consultas de rotina, o especialista deve observar, em primeiro lugar, o peso da gestante. “Não é recomendável ela ganhar mais de um quilo por semana, acima disso pode ser sinal de acúmulo de líquido no organismo. Também é necessário prestar atenção nos inchaços, principalmente nos membros superiores. Uma pressão mais alta, 14 por 9, por exemplo, já é sinal de alarme”, declara o obstetra.

Exames altamente tecnológicos também podem ajudar a detectar a doença, desde que os resultados sejam analisados em conjunto com outros fatores. “A pré-eclâmpsia tem evolução imprevisível. No entanto, a coleta do PlGF (Placental Growth Factor, em inglês, ou Fator de Crescimento Placentário), proteína produzida pela placenta a partir da 10ª semana de gestação, associada à avaliação do fluxo sanguíneo das artérias uterinas no primeiro trimestre de gravidez, pode oferecer à gestante e ao obstetra um cálculo de risco para o desenvolvimento da doença”, afirma o obstetra Paulo Noronha.

A realização desse exame, disponível no Brasil, é simples. Primeiro, coleta-se uma amostra de sangue da mãe. Depois, a mulher se submete a um ultrassom morfológico (que avalia o feto em desenvolvimento). Enquanto o exame de imagem é realizado, o laboratório analisa o sangue coletado.

“A seguir, os dados do ultrassom são colocados em conjunto com os parâmetros sanguíneos em um programa especial de cálculo de risco. A partir da análise, o médico explica os riscos para a gestante”, diz Rita de Cássia Sanchez, especialista em medicina fetal e coordenadora da maternidade do Hospital Israelita Albert Einstein.

E como esse tipo de exame pode auxiliar a gestante? “Ao fazer o rastreamento da doença cedo, o médico pode prescrever uma medicação para promover o crescimento placentário, que seria deficiente em pacientes com o PlGF baixo”, fala Rita de Cássia.

Na Europa

De acordo com a especialista em medicina fetal, há também um tipo de PIGF para ser feito no segundo e no terceiro trimestres. O exame, desenvolvido recentemente na Europa, vai além do rastreamento. Ele indica quem tem possibilidade de desenvolver a doença.

O tratamento definitivo para a pré-eclâmpsia é o parto. No entanto, caso ainda não seja possível realizá-lo, é necessário fazer o controle da pressão arterial. Em geral, são indicados anti-hipertensivos, cálcio e ácido acetilsalicílico, sempre seguindo a prescrição médica, além de dieta alimentar, com pouco ou nenhum sal, e exercícios.

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