Bebês

Silicone não atrapalha a amamentação; desvende seis mitos

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Ter prótese de silicone não faz com que a mulher produza mais ou menos leite Imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

30/09/2014 07h05

Independentemente do local onde é feito o implante de silicone nas mamas –no músculo peitoral, com a prótese submuscular, ou por trás da glândula mamária, com a subglândular–, os especialistas são unânimes: a amamentação não só é possível como não sofre nenhuma alteração –desde, é claro, que a qualidade do implante seja garantida e a quantidade bem calculada pelo médico, respeitando o biotipo da mulher.

Ainda assim, diversos medos cercam o assunto, em geral por desconhecimento das pacientes: muitas imaginam que o silicone pode entrar em contato com o leite e contaminá-lo, por exemplo.

Para sanar dúvidas, o UOL Gravidez e Filhos entrevistou quatro profissionais a respeito de seis mitos bastante comuns. Confira:

1 - O implante de silicone nas mamas impede ou retarda a descida e a produção de leite

A apojadura (descida) do leite materno é determinada pelo próprio corpo. O mecanismo é disparado pela ação da prolactina, hormônio responsável pela produção do líquido, depois que o bebê nasce. Após essa fase, o controle de produção é regulado de acordo com a sucção do bebê nas mamas. Com ela, a criança estimula as terminações nervosas do mamilo, fazendo com que o organismo receba uma ordem para produzir mais leite. Ou seja, quanto mais o bebê sugar, mais leite será fabricado, e vice-versa.

2 - A qualidade do leite materno é alterada por conta do silicone

Leite e silicone não entram em contato de forma alguma. “Mesmo que ocorra uma ruptura da prótese, o silicone não vaza, já que, atualmente, as próteses contêm gel de silicone coesivo”, diz Antonio Luiz Frasson, mastologista do Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Esclarecido isso, fica liberado também o uso de bombas manuais ou elétricas e da ordenha manual para extração do leite materno.

3 – A produção de leite sofre aumento ou redução depois da cirurgia

É impossível estabelecer uma relação entre a quantidade produzida e o implante, já que o que a determina é a quantidade de tecido glandular que a mulher tem. “Não faz sentido pensar que com implantes de silicone podemos enganar o corpo e fazê-lo trabalhar mais. Mama com volume aumentado por conta de implante não produz mais leite”, afirma José Francisco Rinaldi, mastologista do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, também na capital paulista.

4 - Quem pretende amamentar deve investir em um implante específico

Não existe implante ideal para quem vai amamentar, segundo Mônica Martinez, cirurgiã plástica do Hospital Albert Einstein. O importante é que médico e paciente sejam conscientes de que a quantidade a ser colocada deve ter relação com o biotipo da mulher. Na gestação, as mamas aumentam naturalmente de tamanho e, quando a quantidade de silicone é demasiada, o implante pode contribuir para a atrofia da glândula mamária, pelo excesso de peso.

5 – Quem tem implante desenvolve mais problemas para amamentar

As dificuldades enfrentadas por algumas mulheres têm a ver com a lactação em si, não com a cirurgia plástica. “Durante o puerpério, a mãe pode sentir dor na região dos mamilos enquanto amamenta, por exemplo. O desconforto tem a ver com a má pega do bebê, independentemente de haver ou não prótese de silicone”, afirma Frasson. Com paciência, a mulher precisa tirar do bebê do peito e fazê-lo pegar o seio com “boca de peixinho”, ou seja, com os lábios virados para fora, abocanhando o mamilo o máximo possível.

6 - Os ductos mamários sofrem muitas lesões com a cirurgia

De acordo com Alana Landecker, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e médico da Clínica Landecker, em São Paulo, dependendo da via de acesso escolhida pelo médico para colocar o implante, é possível que mais ou menos ductos (espécie de tubos por onde o leite passa) sofram lesões. Se a via escolhida for a periareolar (pela auréola), a chance é maior, porém, ainda assim, a quantidade que sofre danos é pequena, insuficiente para prejudicar a lactação. Atualmente, a via de acesso mais utilizada é a inframamária, que não desencadeia esse tipo de questão.  A via axilar, menos usada hoje em dia, também não implica em lesão dos ductos.

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