Bebês

Em vez de TV, pediatras sugerem música e leitura para distrair o bebê

Getty Images
Há pediatras que defendem que o bebê não pode ver TV antes dos dois anos Imagem: Getty Images

Priscila Tieppo

Do UOL, em São Paulo

05/10/2014 08h05

Televisão, celular, tablet e outros eletrônicos fazem parte do cotidiano das famílias brasileiras e, muitas vezes, são disponibilizados pelos pais para crianças menores de dois anos. A diversão parece inofensiva, mas divide opiniões. No Brasil, há pediatras que seguem recomendação da Academia Americana de Pediatria, de 2009, de que crianças com menos de dois anos não devem ser expostas à TV. Outros médicos dizem que não há estudos que comprovem que o uso desses equipamentos faça mal.

Ana Silvia tem sete meses e desde o quarto mês repara na TV. Ela vê desenhos e até interage com eles. A mãe, a jornalista Bruna Saniele, diz que não costuma deixá-la por muito tempo com essa distração, mas é fato que as imagens coloridas chamam a atenção da menina.

“A partir do quinto mês, coloquei-a para assistir à 'Galinha Pintadinha’ e ela gostou, prestava muita atenção e fica assim até hoje. Atualmente, interage com alguns desenhos, dá risadas, bate palme, mas não fica mais de 30 minutos na frente da TV”, afirma Bruna.

“Há pouca evidência científica para apoiar a ideia de que o conteúdo desses vídeos destinados especificamente às crianças possam desenvolver melhor as habilidades de linguagem. Evidências sugerem que bebês e crianças aprendem mais quando os pais interagem com eles do que quando ficam assistindo a esses conteúdos”, diz o pediatra José Gabel, membro da Sociedade de Pediatria de São Paulo.

Para Bárbara Amorim Hackbart, pediatra e neurologista infantil no hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo, não há indícios de que a televisão possa ser prejudicial, mas ela afirma que o tempo de exposição ao aparelho deve ser observado.

“Quando uma criança assiste à TV com uma frequência elevada, há risco maior de obesidade, de sedentarismo ou de dificuldades nas relações interpessoais. Se ela fica horas na frente do aparelho com volume alto, há maior risco de problemas auditivos. Tudo deve ter um limite”, afirma a pediatra.

A visão do bebê

Segundo especialistas, a visão da criança só fica completa aos seis meses. Antes disso, ela só vê imagens borradas. Mas, mesmo antes de ter a visão formada, desenhos bem coloridos e imagens em movimento chamam a atenção do bebê.

Para Filumena Gomes, pediatra do Hospital das Clínicas de São Paulo, se antes dos dois anos não é recomendado que a criança veja TV, a partir dos dois, ela explica que é importante que os pais fiquem atentos ao conteúdo do programa a que o filho está assistindo.

“Sabe-se que cerca de 70% dos bebês assistem à televisão, geralmente com conteúdo impróprio ou que não foi ligada para a criança assistir. Ela se distrai devido aos múltiplos estímulos, sonoros, visuais e de movimento, mas ainda não tem discernimento do que está vendo. Para crianças de dois a quatro anos, o tempo de tela deve ser limitado a menos de uma hora por dia”, diz.

O pediatra José Gabel recomenda que se leia ou se coloque música para distrair a criança em substituição à TV. “Os pais ajudam a estabelecer bases mais fortalecidas para a construção das habilidades de linguagem do bebê por meio desses dois passatempos. Os adultos devem tentar se concentrar em atividades que estimulem os sentidos, como ver, sentir, tocar e ouvir coisas diferentes”, fala.

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