Infância

Criança não precisa de celular até os dez anos, dizem especialistas

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Uma boa saída é ter um aparelho da família que a criança possa usar eventualmente Imagem: Getty Images

Marina Oliveira e Rita Trevisan

Do UOL, em São Paulo

06/10/2014 07h15

Hoje em dia, é comum que as crianças comecem a pedir um celular cada vez mais cedo. Muitos tentam convencer os pais com o argumento de que todos os amigos já possuem o aparelho. Os adultos, sensibilizados também pelo apelo da segurança –uma vez que o telefone permite que localizem seus filhos com mais facilidade– veem-se diante de um dilema moderno: dar ou não dar o equipamento à criança?

Para a psicóloga de crianças e adolescentes Ceres Alves de Araujo, professora da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo, não dá para negar que o telefone móvel diminui a ansiedade vivida pela separação entre pais e filhos.

“Como regra geral, o celular é uma excelente babá eletrônica. Antes, a comunicação acabava quando os pais se afastavam de casa. Hoje, um pai pode avisar o filho que está atrasado para buscá-lo na escola, em vez de deixá-lo com aquela sensação de abandono. Da mesma forma, pode manter contato durante uma viagem de trabalho, por mais longa que ela seja”, afirma a especialista.

No entanto, uma coisa é emprestar um aparelho para a criança nos momentos em que ele pode ser útil, e outra, bem diferente, é presenteá-la com um celular só dela. “Até os nove anos, o celular da criança pode ser comunitário, um aparelho extra que os pais têm para dar aos filhos quando saem. Só a partir dos dez ou 11 anos, pode-se pensar em um aparelho exclusivo”, diz Ceres.

A psicóloga Juliana Cunha, da Safernet, instituição que defende os direitos humanos na internet, acrescenta que, mais importante do que avaliar a idade da criança, é verificar se ela tem maturidade para lidar com o aparelho. “O celular tem muitas funcionalidades. Além de fazer contato telefônico, é um dispositivo móvel que dá acesso à internet, a aplicativos e a jogos eletrônicos”, fala.

Uma pesquisa divulgada neste ano, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (departamento do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR, que implementa as decisões e projetos do Comitê Gestor da Internet do Brasil), com 2.261 crianças e adolescentes usuários de internet, mostrou que 53% deles acessam as redes pelo celular.

“Por mais que a ansiedade dos pais em manter os filhos comunicáveis seja legítima, é preciso que os responsáveis se certifiquem de que as crianças sabem usar os recursos que o telefone disponibiliza”, afirma Juliana.

A mesma pesquisa apontou que 38% das crianças e adolescentes entrevistados adicionaram contatos que nunca conheceram pessoalmente às suas listas de amigos nas redes sociais. Os estudos apontam para a necessidade de os pais verificarem não apenas a habilidade técnica de seus filhos para operar o aparelho, mas de os instruírem para um uso seguro e saudável.

“É imprescindível ensinar às crianças que elas não podem aceitar desconhecidos nas redes sociais, que devem denunciar conteúdos impróprios, bloquear pessoas suspeitas e pedir ajuda aos pais”, afirma a psicóloga do Safernet.

Alvo fácil

Há, ainda, outros pontos que os pais precisam considerar antes de colocar um celular nas mãos dos filhos. É preciso pensar que, pelo simples fato de portarem um objeto de valor, eles podem se tornar mais vulneráveis às ações dos bandidos. “O item mais roubado no Brasil é o aparelho celular”, declara o especialista em segurança pública e privada Jorge Lordello, que por 21 anos foi delegado de polícia no Estado de São Paulo.

Segundo dados do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa), a participação do celular entre os objetos mais furtados e roubados em São Paulo praticamente triplicou entre 2003 e 2013: saltou de 20,7% para 59,2%.

Em outros estados, o cenário não é diferente. A página da internet Onde Fui Roubado, que reúne registros de roubos e furtos em território nacional, aponta o celular como o artigo mais visado em sete cidades, entre elas Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

“O que a gente recomenda é não usar o celular em público. Só que atualmente as crianças e jovens usam o aparelho para tudo: para ouvir música, anotar compromissos, ver a hora. E isso os torna mais propensos a serem assaltados”, declara Lordello.

Regras são imprescindíveis

Tendo em vista tantas variáveis, a decisão dos pais deve ser bem pensada. Não há receita que funcione para todos, e o ideal é avaliar caso a caso. Todavia, a partir do momento em que a criança ou o adolescente ganha um celular, é importante que os pais estabeleçam regras ou compromissos que precisam ser cumpridos durante o uso. O tempo conectado, por exemplo, tem de ser limitado.

“As crianças têm de dormir, pelo menos, nove horas por noite. Por isso, se acordam às 6h para ir à escola, às 21h, o aparelho tem de estar desligado”, diz Ceres. Também é prudente ensiná-las a passar longe do celular nos momentos de estudo, dentro e fora da sala de aula.

Para driblar excessos, uma alternativa é contratar um plano pré-pago e definir com o filho o valor que pode ser gasto em determinado período. “Os créditos podem ser colocados semanalmente ou quinzenalmente, porque a criança não tem muita noção de longo prazo”, diz a psicóloga.

Vale também criar uma senha que só os responsáveis sabem para liberar o download de aplicativos. “Assim, você consegue acompanhar inclusive os games que seu filho joga, porque muitos não são apropriados para determinadas idades”, diz Juliana.

Por fim, é com os exemplos dos pais que eles vão aprender a usar o celular de uma forma sadia, de modo que não venham a ter prejuízos físicos, psíquicos ou sociais. Isso significa que de nada adianta obrigar o seu filho a se desconectar para praticar outras atividades se você mesmo não desgruda do aparelho nem em seus momentos de lazer.

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