Infância

Entenda por que a primavera é uma estação perigosa para as crianças

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A baixa umidade e as mudanças de temperatura tornam a primavera uma estação difícil Imagem: Getty Images

Maria Laura Albuquerque

Do UOL, em São Paulo

19/10/2014 08h05

Sarampo, caxumba, rubéola, catapora (varicela), rinite, asma e conjuntivite são alguns dos problemas a que as crianças tendem a ficar mais vulneráveis com a chegada da primavera.

O motivo é que essa estação do ano é caracterizada pela predominância da baixa umidade do ar, mudanças bruscas de temperatura, dispersão de pólen, proliferação de insetos e maior exposição das pessoas ao ar livre.

“Contrair catapora e sarampo é preocupante devido às complicações que podem ocorrer, tais como pneumonias, infecções de pele e mucosas, meningites e encefalites”, declara Débora Passos, pediatra da Maternidade Pro Matre Paulista, em São Paulo.

Algumas dessas doenças podem ser prevenidas por meio da vacinação –como sarampo, caxumba, rubéola e catapora. Porém, para a maioria dos vírus respiratórios comuns nessa temporada, não há vacinas. “Por isso, temos sempre de tomar medidas como lavar frequentemente as mãos e usar gel alcoólico, evitar permanecer em ambientes com pessoas afetadas pelo vírus e em aglomerações –principalmente locais fechados –, e jamais compartilhar o uso de utensílios como chupetas, copos e mamadeiras”, afirma Victor Nudelman, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo.

Cristina Abud de Almeida, alergologista e imunologista da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, ainda ressalta que é fundamental manter os ambientes sempre bem arejados –inclusive o quarto da criançada– e não deixar de buscar assistência médica logo que surgirem as primeiras manifestações de febre, indisposição e manchas na pele, entre outros sinais.

Embora muita gente ainda pense que seja bom contrair boa parte dessas doenças –como sarampo e catapora– na infância, fortalecendo assim o sistema imunológico e evitando adoecer na idade adulta, as doenças da primavera são perigosas para as crianças e não se deve forçar o contágio.


“Podem ocorrer complicações, algumas até fatais. Além do mais, a imunidade infantil só vai se estabelecer por completo entre os seis e os sete anos”, diz Cristina. Por isso, evitar que os filhos tenham contato com quem está doente e manter as vacinas em dia são cuidados essenciais. “A crença que pegar sarampo quando criança, entre outras doenças, é melhor, porque, na idade adulta, trata-se de um problema grave, é coisa de antigamente, quando não existia vacina”, fala a alergologista e imunologista.

A vacina Tríplice Viral, por exemplo, é indicada para crianças a partir dos 12 meses de idade, está disponível no sistema público de saúde e na rede particular, tem validade para a vida toda e é ministrada em dose única. A proteção tem início duas semanas depois. Um pequeno aumento da temperatura corporal, irritabilidade, conjuntivite e sintomas catarrais (cerca de uma semana a 12 dias depois da aplicação) são reações frequentes em boa parte dos pacientes. Ela é preparada com vírus vivos atenuados –cepas (tipos) Schwarz, Moraten e Edmonston Zagreb (sarampo), cepas Jeryl Lynn, L-3 Zagreb e Urabe AM9 (caxumba) e cepa Wistar RA27/3 (rubéola).

É bom saber que vacinas com vírus vivos atenuados (chamadas de vacinas atenuadas) contêm o vírus vivo, como o próprio nome indica, porém sem capacidade de produzir a doença

Para a prevenção da catapora –uma das mais contagiosas dentre as doenças infecciosas– é ministrada outra vacina, também disponível no sistema público de saúde e na rede particular. Preparada com vírus vivos atenuados (cepa Oka), é indicada para crianças entre 12 meses e 12 anos, com reforço aos quatro anos, podendo ainda ser ministrada para adultos que não tiveram a doença (eles devem receber duas doses, com intervalos que variam de acordo com a faixa etária).

É comum surgirem reações como erupções cutâneas parecidas com as da catapora, febre baixa e dor na região da picada. Embora a eficácia da vacina esteja comprovada, algumas crianças podem ser acometidas pela doença mesmo após terem sido imunizadas. Porém, nesse caso, a doença se manifestará de forma muito leve, provocando um número pequeno de lesões na pele.

No caso de conjuntivite e rinite, não existem vacinas. Esses males podem ser prevenidos e tratados também com medidas básicas, de acordo com Débora, da Pro Matre: hidratação abundante das vias aéreas e dos olhos. Nessas ocorrências, tal como na de quadros asmáticos, medicamentos só devem ser ministrados com orientação médica.

 

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