Gravidez e filhos

13 perguntas para decidir se é hora de desmamar a criança e como

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O desmame gradual é a melhor forma tanto para a mãe quanto para o filho Imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Do UOL, em São Paulo

24/08/2015 07h15

1 – Quando é indicado fazer o desmame?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) não estipula um período para que isso aconteça. Segundo a instituição, o tempo mínimo ideal para que a criança mame no peito é até os seis meses, de modo exclusivo, e depois, complementado com outros alimentos, por dois anos ou mais.

"O número de mamadas vai diminuindo com o passar do tempo e a inclusão de outros alimentos na rotina da criança, mas o leite materno continua oferecendo benefícios que só ele tem", afirma Celina Valderez Feijó Kohler, enfermeira sanitarista e consultora internacional em amamentação pelo IBLCE (International Board of Lactation Consultant Examiners).

2 – No Brasil, quais as causas mais comuns do desmame?

Segundo especialistas, o desmame é influenciado por fatores como uso da chupeta, a participação da mulher no mercado de trabalho, o pai que não reconhece os benefícios da amamentação para o filho ou tem uma opinião contrária a ela, entre outros.

3 - Ao voltar ao trabalho, é inevitável ter de desmamar a criança?

Não. Até que ela complete seis meses de vida, a mãe tem direito, durante a jornada de trabalho, a dois descansos de meia hora cada um para amamentá-la. Isso pode ser feito na própria empresa ou então em casa, se o endereço for próximo.

Outra possibilidade é usar esse tempo para esvaziar as mamas e armazenar o leite para levar para casa e oferecer ao filho depois. A ordenha pode ser feita manualmente ou com ajuda de bomba específica. Fazendo isso diariamente, o fluxo de leite tende a continuar.

Para quem volta a trabalhar também é possível traçar uma rotina para amamentar o bebê antes e depois do expediente e caprichar nas mamadas aos finais de semana. 

4 - Ao desmamar a criança maior de seis meses, é obrigatório dar leite artificial para garantir a alimentação dela?

Não. “O ser humano é o único mamífero que, depois do leite materno, passa a consumir leite de outros animais (vaca e cabra, por exemplo), sem necessidade, até mesmo porque a maioria das pessoas consome leite UHT, que é um líquido processado a elevadas temperaturas e imediatamente resfriado. O processo destrói todos os micro-organismos que possam se desenvolver nesse alimento. Ou seja, é um leite de baixo potencial nutricional”, diz Ana Garbulho, obstetriz, doula, consultora de aleitamento materno e autora do site “Primeiros Dias”.
Muitos nutricionistas recomendam, para as famílias que desejem ofertar leite à criança, que deem preferência aos vegetais, como de avelã ou castanha --vendidos em supermercados, mas também possíveis de serem feitos em casa. 

5 - Se o bebê está resistente a comer papinhas ou abaixo do peso, vale fazer o desmame para que ele sinta fome e coma mais?

Não, muito pelo contrário. De acordo com Marcus Renato de Carvalho, docente de pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro e especialista em amamentação, nesse cenário, o leite materno vai ajudar na alimentação e na manutenção da saúde, fornecendo proteína de alto valor, aporte calórico, vitaminas A e C e anticorpos.

6 - No caso de bebês com menos de seis meses, faz sentido iniciar o desmame para dar leite artificial a fim de que ganhem mais peso?

Não, de jeito nenhum. Segundo a enfermeira Celina, não existe leite materno fraco e, até os seis meses, ele é essencial. Ela explica que atualmente introduzir leite artificial nessa fase é uma prática condenada e mais: é um dos motivos que está levando a humanidade ao sobrepeso.

Se a mãe e o pediatra concordarem que o leite é insuficiente em quantidade, aí sim, a fórmula pode ser introduzida. “Mas ainda assim, é importante considerar que, ao ministrar leite artificial, muitos problemas podem surgir, como alergias e sobrecarga renal, pois a maioria deles nada mais é do que leite de vaca modificado, na tentativa de copiar o leite materno”, afirma Ana Garbulho.

Celina também alerta que é preciso repensar a importância que se dá para o fator peso infantil. "Não podemos pensar somente nele ao avaliar a saúde de uma criança. Em 2006, foram apresentadas novas curvas de desenvolvimento infantil baseadas em crianças que consumiram somente leite materno. Sabemos que são mais saudáveis e esbeltas."

7 - Mães que optam por começar desmamar o filho durante a madrugada devem dar mamadeira com leite artificial?

Não. Se são crianças que se alimentam bem durante o dia –com frutas, papas ou mesmo com a refeição servida à família--, o pediatra Marcus Renato de Carvalho recomenda oferecer mamadeira ou copo com chá ou água.

8 - No início do desmame, é comum que as mamas fiquem bem cheias de leite. O que fazer para evitar o desconforto?

É necessário ordenhar para retirar o líquido. Porém, para não estimular o corpo a produzir ainda mais leite, já que a criança não está mamando mais, não esvazie as mamas por completo. Retire o necessário somente para se sentir aliviada.

9 - O que fazer com o leite retirado com a bombinha?

Não descarte o líquido. O pediatra Marcus Renato Carvalho sugere fazer uma vitamina com frutas e oferecer à criança, por exemplo.

10 - Depois de iniciado o desmame, é prejudicial voltar atrás?

De modo algum. Se a mãe não se sente segura com a decisão, não há motivos para se torturar. A obstetriz Ana Garbulho explica que ruim é ficar indecisa e mudar de opinião diversas vezes, confundindo a criança. Ou então ora ceder ao pedido do filho que deseja mamar, ora negar. 

11 - Fazer o desmame gradualmente é mais indicado que parar totalmente de uma só vez?

Sim. Quanto maior a criança, mais possível é estabelecer combinados com ela. Por exemplo, mamar somente em casa (não mais em lugares públicos ou na casa de outras pessoas), somente na hora que acorda e antes de dormir, mamar antes de ir para a escola e quando chega em casa… Ao realizar o desmame gradual, a mãe também tem a oportunidade de se acostumar com a novidade e deixar o organismo parar de produzir tanto leite.

12 – Para desmamar a criança, vale artifícios como passar pimenta nos mamilos ou pintá-los com esmalte vermelho (para assustar a criança, fingindo que é sangue?

Não, de jeito nenhum.  “São meios ruins porque cortam um vínculo forte, entre mãe e filho, de modo mentiroso e ríspido”, diz o pediatra Marcus Renato de Carvalho.

13 – À medida que cresce, é comum que a criança morda a mãe enquanto mama.  Esse é um motivo plausível para fazer o desmame?

Tudo depende da vontade da mulher. Vale a pena refletir se a decisão faz sentido para ela: o ideal é desmamar porque não quer mais amamentar. Com crianças maiores, uma solução para acabar com as mordidas é conversar e pedir ao filho que tome cuidado ao abocanhar o seio. E sempre que ele morder, interromper com calma a amamentação e pedir que vá com calma.

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