Gravidez e filhos

Falta de empatia com par do filho não é motivo para pais impedirem namoro

Getty Images
Antes de julgar, pais devem refletir se há realmente algo de errado com o namorado Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

10/10/2015 08h05

 

O filho adolescente começar a namorar já é por si só uma situação difícil para alguns pais. Quando os adultos não têm empatia com o escolhido pelo jovem, o cenário para potenciais conflitos está criado e é preciso diplomacia para lidar com a situação. 

O fato é que não adianta implicar e demonstrar antipatia pelo namorado ou namorada. Atitudes para separar o casal --como proibir encontros, falar mal da pessoa ou ainda não dar o recado de que o outro ligou-- não somente são ineficientes (o mais provável é que o jovem se afaste dos pais) como imaturas. É o que explica a psicóloga Letícia Guedes, doutoranda em psicologia na PUC (Pontifícia Universidade Católica) de Goiás. “O responsável pode não querer conviver com a pessoa, mas prejudicar a relação é inaceitável. O pai tem de respeitar a escolha do filho”, diz.

Segundo a psicóloga, diante da tentação de adotar um comportamento autoritário, como proibir o namorado em casa, é preciso pesar as consequências. “Não seria melhor aceitar a convivência e descobrir quem é essa pessoa, do que obrigar o filho a só namorar fora de casa?”, declara Letícia.

A escolha é dele, a análise é sua

Antes de julgar o outro é preciso refletir. Há realmente algo de errado com a pessoa? De acordo com os psicólogos, muitas vezes, os pais não têm qualquer motivo concreto para não gostar dos namorados dos filhos.

O problema é aceitar que as crianças cresceram e estão trilhando seus próprios caminhos. “Porém, ao decidir pelo adolescente o que é mais adequado para ele, os pais estão subestimando sua capacidade de decisão e postergando o seu amadurecimento”, afirma a psicóloga especializada em terapia familiar Estela Noronha, mestre em psicologia clínica pela PUC de São Paulo.

Ainda que faça a escolha errada, o jovem tirará uma lição do relacionamento. “O adolescente está em um momento de experimentação, e os pais devem garantir a ele o direito de arriscar e falhar, pois é assim que se aprende”, diz o psicanalista Ricardo Portolano, professor do Instituto Sedes Sapientiae, em São Paulo. 

Vale interceder quando a relação coloca o adolescente em risco, por exemplo, ao se envolver com um dependente químico ou uma pessoa violenta. “Nessas situações, é preciso conversar, mostrar as consequências do envolvimento e os reais motivos de preocupação”, diz Estela.

Se mesmo assim, o filho ignorar os conselhos, a autoridade paterna deve entrar em ação. “Aqui é a hora de uma intervenção mais drástica. Vale considerar mudança de escola, clube ou cidade para afastar o adolescente do perigo e, dependendo da gravidade, até buscar ajuda de polícia e assistente social”, afirma a psicóloga. 

Respire fundo e sorria

Sem perigo iminente, o melhor mesmo é aceitar a chegada de uma nova pessoa na família e ser gentil, o que não é sinônimo de muita intimidade, mas de educação e respeito. “Os pais podem sugerir conhecer a família do namorado. Não para conviver, mas para saber quem são e quais valores possuem. Isso vai ajudar a desenvolver confiança”, diz Letícia.

Também auxilia na aceitação lembrar-se do seu passado como adolescente. Provavelmente, suas decisões nem sempre agradaram aos seus pais. E como você se sentiu na época quando eles não o apoiaram? A resposta o ajudará a não cometer os mesmos erros. “Não adianta querer julgar o adolescente com os valores de um adulto. É preciso se colocar no lugar do filho”, diz Portolano.

Em meio ao conflito, pais e mães não devem se esquecer de que o bom relacionamento com o filho deve ser preservado a todo custo. “A adolescência é uma fase de transição na qual, por mais que o jovem negue, ele precisa de um norte. Os pais não podem abandoná-lo, porque, caso o filho se machuque, será bom tê-los como ombro amigo”, fala Estela.

Getty Images

 

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Opiniões Estilo
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Topo