Gravidez e filhos

Técnica usada para procurar gás natural aumenta chance de partos prematuros

Jim Wilson/The New York Times
Exploração de xisto por meio de fratura hidráulica na Califórnia imagem: Jim Wilson/The New York Times

Nicholas Bakalar

Do The New York Times

 

Pesquisadores constataram que morar nos arredores de locais próximos a operações de fratura hidráulica --técnica usada para procurar petróleo e gás natural-- está associado a partos prematuros. Ainda que o estudo tenha sido realizado na Pensilvânia, nos Estados Unidos, o Brasil também conta com esse tipo de exploração, ainda que em pequena escala, por conta de um leilão feito pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) em 12 Estados (Amazonas, Acre, Tocantins, Alagoas, Sergipe, Piauí, Mato Grosso, Goiás, Bahia, Maranhão, Paraná e São Paulo).

Cientistas estudaram registros de 10.496 partos de 9.384 mães de 2009 a 2013, na Pensilvânia, onde ocorre a fratura hidráulica. Eles registraram o tempo de gestação, peso ao nascer, escala de Apgar após cinco minutos e tamanho em relação à idade gestacional.

Publicado no periódico "Epidemiology", o estudo usou controles para fatores ambientais, sanitários, comportamentais e socioeconômicos. Também foram utilizadas datas e profundidade da perfuração, volume de produção e distância da casa da mãe à exposição estimada.

Os 25% de mães mais expostas ao fraturamento hidráulico tinham probabilidade 40% maior de dar à luz antes da hora (antes de 37 semanas de gestação) do que os 25% menos expostos. Não se constatou associação com a escala de Apgar ou com o tamanho reduzido para a idade gestacional.

"Nosso estudo não nos diz nada sobre o mecanismo", disse a autora principal, Joan A. Casey, pesquisadora de pós-doutorado da Universidade da Califórnia, campi de Berkeley e de San Francisco. "E não afirmamos que este seja o fim da conversa. Porém, havia diversos sinalizadores de que poderia haver problemas. Antes de continuarmos, devemos levar as condições de saúde pública em consideração."

O "Energy in Depth", grupo do setor energético, afirmou em seu site que o estudo "tenta vincular a fratura hidráulica a partos prematuros, mas os dados disponíveis não sustentam essa conclusão".

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