Gravidez e filhos

Cordão umbilical é o primeiro brinquedo do bebê; conheça mais curiosidades

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35% dos bebês têm circular de cordão imagem: Getty Images

Melissa Diniz

Do UOL, em São Paulo

 

Responsável pela alimentação e oxigenação do bebê durante a gestação, o cordão umbilical é um ilustre desconhecido para a maioria das mulheres. Conheça algumas das principais características dessa estrutura fundamental para a gravidez, que ainda é cercada por mitos.

1 - A origem do cordão

O cordão umbilical é uma espécie de anexo encontrado exclusivamente nos mamíferos, que tem como função fazer a comunicação entre o feto e a placenta. No final da primeira semana de gestação, é formada uma estrutura chamada de blastocisto. Parte dela dá origem ao embrião e a outra origina a placenta, explica Marcial Francis Galera, pediatra e geneticista do Departamento de Genética da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) e chefe do Departamento de Pediatria da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso). "As células embrionárias passam por uma série de transformações, e, durante o processo de delimitação do corpo, uma parte vai se tornar cordão por volta da quarta semana de gestação". Em seu interior, existem duas artérias e uma veia, que possibilitam as trocas gasosas e de nutrientes, além da geleia de Wharton, substância que protege os vasos sanguíneos.

2 - Nós e circulares podem acontecer

A partir da 20ª semana de gravidez, a atividade do bebê aumenta e ele começa a se mexer bastante, podendo até dar cambalhotas dentro da barriga da mãe. Cerca de 35% dos bebês nascem com o cordão enrolado ao redor do pescoço, a chamada circular, e 1% dos cordões tem nós. “A circular também pode acontecer no braço ou na perna, mas, na grande maioria das vezes, não representa risco, a não ser que esteja muito apertada, comprimindo vasos e diminuindo o fluxo de sangue para o bebê”, afirma Galera.

Ao contrário do que prega o senso comum, a simples presença de circular de cordão não é indicação de cesárea, segundo Fabiane Sabbag Corrêa, ginecologista e obstetra do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim, em São Paulo. O quadro se torna preocupante se houver outras complicações na gravidez que comprometam o bem-estar do bebê, como pouco líquido amniótico ou a presença de patologias que configurem uma gestação de risco, a exemplo da pré-eclâmpsia ou doenças metabólicas.

“Já fiz parto normal em que a criança tinha três circulares de cordão e não houve nenhum problema. Hoje temos vários recursos para realizar a monitoragem fetal, como a cardiotocografia, que acompanha os batimentos cardíacos do bebê durante o nascimento”, diz Fabiane.

Apesar dos avanços tecnológicos, nem sempre a existência de circulares é descoberta no pré-natal. “Em caso de suspeita, o obstetra pode desenrolar manualmente na hora do parto”, fala a ginecologista.

3 - Potencial curativo

Muito se fala a respeito das células-tronco presentes no sangue do cordão umbilical e seu potencial curativo para doenças como a leucemia. “Hoje questiona-se muito a coleta e armazenamento por bancos privados pelo alto custo e porque o procedimento pode beneficiar apenas uma pessoa. O ideal seria utilizar os bancos públicos, que privilegiam quem tem a necessidade no momento”, declara Marcial Francis Galera. Recentemente, os cientistas têm estudado também as células-tronco da geleia de Wharton. “Esse material costuma ser descartado, mas estudos mostram que também tem muito potencial.”

4 - Nutrientes e dejetos não se misturam

No último trimestre, o bebê recebe meio litro de sangue a cada minuto via cordão umbilical. Em seu interior, duas artérias carregam sangue com dejetos do feto para a placenta, e uma veia transporta oxigênio e nutrientes da placenta para o bebê. A circulação é sempre no mesmo sentido, seguindo o ritmo cardíaco da criança. O sangue materno e o fetal mantêm-se em compartimentos separados pela membrana placentária.

5 - Esperar alguns minutos antes de cortar faz muita diferença

Na maioria das vezes, quando o bebê nasce, o cordão umbilical é imediatamente cortado. Pesquisas apontam, entretanto, que esperar de três a cinco minutos antes de realizar o procedimento pode ser muito benéfico para a saúde da criança.

Um estudo sueco, publicado pelo “British Medical Journal” em 2011, revelou que atrasar o corte do cordão reduz o risco de carência de ferro na infância. “O bebê, ao nascer, é colocado em cima da mãe e seu cordão continua pulsando, enviando para ele sangue e oxigênio suficientes para mantê-lo em boas condições físicas durante o processo de transição da respiração umbilical para a pulmonar”, explica a doula e educadora perinatal Adèle Valarini, de Brasilia. Durante esse processo, o bebê recebe até 50% de sangue a mais do que já possuía, além de uma dose extra de ferro.

Nesse intervalo de tempo, o cordão muda de aparência. Inicialmente, é espiralado, quente e resistente. Aos poucos, vai se tornando mais claro e mais mole, até se tornar totalmente branco e parar de pulsar. Quando quase não há mais sangue circulando, realiza-ze o clampeamento (pinçamento) e o corte do cordão. “Pouca gente sabe, mas mesmo o primeiro exame de sangue do bebê é feito pela coleta do sangue do cordão, isso evita que ele precise ser picado”, diz Adèle.

6 - A saúde do cordão importa

Problemas de saúde da mãe podem comprometer a saúde do cordão. Desnutrição, obesidade e tabagismo afetam o desenvolvimento da estrutura, podendo causar deformidades. “O fumo causa constrição nos vasos, inclusive nos umbilicais, diminuindo o fluxo sanguíneo e por isso filhos de mães fumantes têm menor peso ao nascer”, declara Fabiane Sabbag Corrêa.

Um estudo canadense, realizado em 2011, apontou uma correlação entre as malformações do cordão e problemas no trato urinário de bebês. “Algumas vezes, encontrar deformidades no cordão pelo ultrassom pode ajudar no diagnóstico precoce de problemas de saúde da criança”, fala a médica.

Uma das alterações mais comuns no cordão é chamada de AUU (Artéria Umbilical Única). “Ela pode se tornar evidente no momento em que é realizado o ultrassom morfológico, no segundo trimestre da gestação”, diz a obstetra. A incidência de AAU é rara e pode ou não estar associada a malformações congênitas.

Outra questão que costuma assustar as gestantes é a trombose no cordão umbilical, acontecimento raro e sem causa definida em que há a formação de um coágulo de sangue em alguma parte do cordão umbilical, fazendo com que o oxigênio e os nutrientes não cheguem em quantidade suficiente para o bebê. A trombose pode acontecer em qualquer momento da gravidez, inclusive no momento do parto, e causar parto prematuro ou mesmo paralisia cerebral.

7 - Cada um no seu

Cerca de 90% dos gêmeos univitelinos compartilham a mesma placenta, mas, mesmo nesses casos, cada um tem seu cordão umbilical. “Trata-se de uma gestação de risco e pode haver desvios de maior quantidade de sangue de um lado ou de outro, por isso, às vezes, uma das crianças se desenvolve mais”, afirma Marcial Francis Galera.

8 - O tamanho do cordão pode variar

Em geral, os cordões umbilicais costumam ter entre 45 e 60 centímetros de comprimento. A estrutura atinge seu maior tamanho na 28ª semana de gestação.

9 - O cordão ajuda a desenvolver o tato do bebê

O cordão é um dos primeiros brinquedos do bebê, ainda no útero. Ele costuma segurá-lo e isso estimula o desenvolvimento do tato.

10 - Cada cultura, uma sentença

Algumas culturas consideram o cordão uma espécie de suvenir. No Japão, as mães guardam o cordão seco em uma caixa de madeira. Na Turquia, os pais costumam enterrá-lo em um local ligado à aquisição de conhecimento, para que tenham uma boa profissão no futuro. Já em alguns países ocidentais, é tradição o pai cortar o cordão para simbolizar o “fim” da ligação entre a mãe e o bebê.

No Brasil, algumas pessoas ainda guardam o pedaço do cordão que sobra após o corte. “Esse pedaço vai mumificando aos poucos e cai no décimo dia de vida. Há mães que o guardam como lembrança”, diz Galera.

Segundo Adèle Valarini, gestantes adeptas do parto humanizado costumam levar o cordão e a placenta para enterrar ao pé de uma árvore, que será chamada de "árvore do bebê". 

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