Gravidez e filhos

Temporada de sol, piscina e mar expõe criança a otite, quadro doloroso

Getty Images
A longa permanência na água quebra as barreiras naturais contra as infecções no ouvido Imagem: Getty Images

Melissa Diniz

do UOL, em São Paulo

10/02/2016 07h00

As altas temperaturas do verão aliadas a mergulhos constantes no mar ou na piscina podem predispor as crianças a desenvolverem otite externa, infecção que acomete a parte exterior do ouvido.

A doença é dolorosa e, algumas vezes, causa febre e pus, além de perda parcial de audição, explica Jamal Azzam, membro titular da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia. “A pele do canal auditivo é muito fina e sensível, e a umidade constante remove a cera que protege o ouvido, gerando microfissuras que acabam por infeccionar.”

O calor, por si só, já é um fator de risco para a doença, uma vez que leva a uma produção maior de suor, que pode causar coceira e infecção por trauma.

Segundo Berenice Dias Ramos, presidente do Departamento Científico de Otorrinolaringologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), a otite externa pode ser causada por fungos ou por bactérias.

“Algumas vezes, a dor provocada pela infecção bacteriana é tão intensa que o paciente sente incômodo ao colocar uma camiseta, quando a peça encosta na orelha. Na otite causada por fungos, o principal sintoma é a coceira.”

Se a inflamação estiver instalada, a recomendação da médica é não molhar os ouvidos, nem mesmo durante o banho, até que a doença esteja curada.“É importante evitar sempre o uso de cotonetes, pois seu uso frequente predispõe a otites externas.”         

A especialista alerta que crianças resfriadas não devem mergulhar porque podem apresentar otite média, infecção que ocorre atrás do tímpano. 

Cuidados ao mergulhar

O otorrinolaringologista Jamal Azzam explica que o uso de tampões para natação é contraindicado para as crianças. “Os protetores não impedem a entrada de água nos ouvidos, uma vez que existe pressão para isso, especialmente em mergulhos. Mas, como não existe nenhuma pressão para a água sair, a tendência é ficar muito tempo represada, predispondo a infecções.”

O médico afirma que é preciso cuidado ao "quebrar" as ondas do mar com o corpo virado de lado. “Essa prática deve ser evitada, uma vez que o choque da onda pode levar a uma perfuração da membrana do tímpano.”

Mas o que fazer se a criança relatar que a água entrou no ouvido, mas não saiu? Berenice Dias Ramos indica virar a cabeça totalmente para baixo. “Geralmente, trata-se de uma pequena quantidade de água que provoca uma sensação de ouvido fechado. Se não melhorar, é recomendável consultar um otorrinolaringologista para verificar se não há um acúmulo de cera que se deslocou com o mergulho”, diz.

De acordo com Azzam, movimentar levemente a orelha ou até deitar de lado são medidas que costumam funcionar. “Nunca utilize álcool, azeite ou qualquer líquido dentro dos ouvidos sem ter uma ordem médica, isso pode levar a lesões graves.”

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