Pós-parto

Após segundo filho, Mariana Ferrão recupera boa forma sem malhação pesada

Janaina Nunes

Colaboração para o UOL, em São Paulo

Quem vê a boa forma de Mariana Ferrão, apresentadora do “Bem Estar” (Globo), em fotos nas redes sociais pode imaginar que, após dar à luz o segundo filho, João (ela também é mãe de Miguel, 2), a jornalista voltou correndo para a malhação. O menino nasceu em 25 de fevereiro e, em abril, ela já tinha perdido um pouco mais de dez quilos dos 12 que engordou na gestação.

A transformação passou longe da malhação pesada. Ela esperou o fim da quarentena para voltar a fazer atividade física e combinou uma alimentação adequada, caminhadas (30 minutos diariamente na esteira) e fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico (o chão da bacia).

“No meu primeiro filho, fiquei muito angustiada ao ver imagens de famosas e amigas que recuperaram rapidamente à antiga forma após a gravidez. Com 15 dias, voltei a caminhar e não fiquei nada bem. Havia feito cesariana e senti dores no corte. Dessa vez, respeitei meu corpo”, conta.

Outro fator que fez a diferença na recuperação de Mariana foi que João nasceu de parto natural. “Estudei muito sobre o assunto e passei a fazer exercícios para o assoalho pélvico. Foi fundamental para o parto. Quando fui à médica depois do nascimento, ela disse: ‘Volte a fazer atividade física depois que estiver dormindo a noite inteira. Foi o que fiz.”

A apresentadora começou a fortalecer a musculatura do assoalho a partir do terceiro mês de gravidez e não parou mais. Como estava craque no assunto, pouco mais de uma semana após dar à luz, voltou a fazer alguns exercícios para a região, em casa mesmo. “Eu me sinto muito bem, estou amamentando normalmente e cuidando da minha saúde”, fala a jornalista.

Consciência corporal e fortalecimento

A reeducação funcional do assoalho pélvico é uma terapia que visa enrijecer os músculos do chão da bacia para evitar a queda dos órgãos. Ela previne e trata a incontinência urinária (problema comum na gestação e no pós-parto), fecal, entre outras. Quem faz ou fez pilates já ouviu falar dessa musculatura, mas o tratamento só pode ser feito com um fisioterapeuta especialista no assunto.

A fisioterapeuta Mirca Ocanhas, com mais de 30 anos de experiência no tema, é quem atende Mariana. “Uma semana após o parto, passei uma série de 60 exercícios de assoalho, dez repetições de abdominal e atividades com a bola para ela fazer em casa. Após 30 dias, ela voltou ao tratamento normal [a apresentadora faz duas sessões de uma hora no consultório]”, diz Mirca.

Os exercícios do assoalho promovem a consciência corporal, a correção postural e o fortalecimento da musculatura abdominal e dos membros inferiores e superiores. “Sempre respeitando e protegendo o processo de amamentação”, afirma Mirca.

Segundo a especialista, somente os exercícios da musculatura do chão da bacia não emagrecem. “Claro, eles queimam caloria. No entanto, para perder gordura, é preciso mais. A combinação do fortalecimento da musculatura da região com exercícios aeróbios [como caminhar e pedalar] e uma alimentação adequada é o que ajuda a mulher a perder peso, como ocorreu com Mariana”, diz a fisioterapeuta.

Cerca de um mês após o parto, a jornalista até tentou casar a terapia do assoalho com atividades com seu antigo personal trainer. Ela chegou a malhar por alguns dias, mas a união não deu certo. “Não queria fazer exercícios pesados e ficar com a barriga trincada. Queria algo voltado para a minha saúde e evitar lesões, por isso optei por ficar apenas com a fisioterapia do assoalho e as caminhadas. Estou sem personal”, conta Mariana.

Segundo Mirca, a mulher leva nove meses para dar à luz e oito meses para voltar à forma pré-gravidez. O corpo da mulher está instável, há uma maior frouxidão dos ligamentos e ela pode sofrer lesões com atividade física em excesso.

“A principal causa da falta de leite é o estresse. Se a mulher ficar muito tensa para voltar à antiga forma física, certamente, o leite secará mais rápido. No caso do tratamento do assoalho, é diferente, a mulher aprende a respirar durante os exercícios e relaxa muito mais. Tudo isso colabora com a produção do leite”, declara a fisioterapeuta.

Cuidar da musculatura do assoalho, principalmente no pós-parto, é pratica comum em países como França, Canadá, China, Espanha e Alemanha. “Nesses lugares, após o parto, a mulher tem direito a dez sessões de fisioterapia. É gratuito, e o governo praticamente exige a participação da parturiente. Para essas nações, a saúde preventiva reflete na redução dos gastos públicos. Aqui existe no SUS [Sistema Único de Saúde], mas a terapia é usada apenas para tratar disfunções. Não é uma rotina para mulheres no pós-parto”, diz Mirca.

O fortalecimento dos músculos do chão da bacia também proporciona uma melhora na atividade sexual. “É verdade. Após começar a trabalhar esses músculos, um novo mundo se abriu para mim. Estou muito satisfeita”, fala Mariana.

Saúde do homem também pode complicar gestações; veja entrevista

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% das mulheres grávidas e 13% das que acabaram de dar à luz sofrem algum tipo de distúrbio mental. Em países em desenvolvimento o índice sobe para 20%. A depressão seria o comportamento mais comum entre esses distúrbios e requer, na maioria das vezes, interferência psiquiátrica. Ela se difere de baby blues ou tristeza materna, que é uma situação considerada normal e temporária, e atinge cerca de 80% das mulheres. Depressão pós-parto e perda gestacional foi o tema da transmissão ao vivo da "TV Folha" nesta quarta-feira (27), com as participações da obstetra e ginecologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Albertina Duarte e da especialista em cuidados com bebês e crianças Mariana Alves. A mediação é da blogueira Camila Appel, do "Morte Sem Tabu". Há alguns fatores de risco para se considerar, como passar por quebras de expectativas (ter imaginado o parto perfeito ou não sentir amor imediato pelo bebê), já ter tido depressões prévias e perdas gestacionais. O momento é de extremo cansaço para mãe, que pode sofrer de transtornos de humor normais em até um mês após o parto. Se o quadro se agrava depois do período, é recomendada a busca por ajuda médica. A perda gestacional impacta cerca de 10% das mulheres e é sentida como um luto profundo, por mulheres e homens. Entre as causas, Albertina destaca a má-formação do feto, infecções, falta de vitamina (D especialmente) e stress. Ressalta também que a perda pode acontecer devido a infecções presentes no esperma e por isso ser algo não apenas relacionado à saúde da mãe. Mariana fala em um aumento tanto de casos de depressão pós-parto quanto de perdas gestacionais. Albertina e Mariana concordam que sintomas da sociedade contemporânea estariam associadas a essa realidade, como o stress e a má alimentação.

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