Gestação

Xale característico de Frida Kahlo ajuda gestante na gravidez e pós-parto

Lela Beltrão/Coletivo Buriti/Reprodução
A parteira mexicana Naolí Vinaver viaja pelo mundo há 30 anos ensinando a arte do rebozo Imagem: Lela Beltrão/Coletivo Buriti/Reprodução

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

14/06/2016 07h15

Peça-chave do vestuário da pintora mexicana Frida Kahlo (1907-1954), o rebozo é um xale de algodão feito em tear manual, com tamanho suficiente para cobrir todo o corpo da mulher. A peça não serve apenas para aquecer os ombros, mas também é usada pelas parteiras para preparar a gestante para o parto, auxiliar o bebê a se posicionar no colo do útero, acelerar a recuperação do pós-parto e até carregar a criança, como se fosse um sling.

Esse conhecimento é difundido pela parteira mexicana Naolí Vinaver, que atualmente mora no Brasil. "O rebozo é uma tecnologia simples e complexa ao mesmo tempo. Quem não conhece acha que é coisa de parteira da roça, mas faz 30 anos que viajo pelo mundo dando cursos e palestras ensinando a usá-lo e sempre recebo e-mails e cartas com depoimentos de sucesso", contou a parteira ao UOL durante o 3° Siaparto (Simpósio Internacional de Assistência ao Parto), que aconteceu em São Paulo, de 1º a 4 de junho.

Com o rebozo, a parteira faz a "manteada", técnica de relaxamento que consiste em balançar a gestante com ajuda da peça. "Podemos usar o rebozo antes da gestação para aliviar eventuais desconfortos das gestantes, como pinçamento no nervo ciático e dores lombares. Colocamos o acessório ao redor do corpo da mulher e a mexemos indiretamente. Também podemos dobrar a peça e colocar por cima da área lombar, por exemplo, e puxar e alongar a coluna, ou colocar atrás do pescoço para aliviar o peso da cabeça", afirmou Naolí.

Arquivo Pessoal
O rebozo pode ser usado para dar apoio à mulher durante o trabalho de parto Imagem: Arquivo Pessoal
De acordo com a parteira mexicana, a técnica despinça nervos e ligamentos, auxiliando as futuras mães a voltarem a se locomover sem dificuldades, por exemplo.

"O rebozo nessa situação deixa a mulher confortável, mesmo que ela esteja no fim da gestação. Também ensinamos a técnica ao companheiro ou familiares", disse. Segundo Naolí, não é complicado aprender a usar o acessório, no entanto, é preciso entender o básico de anatomia, fisiologia e da relação que acontece internamente entre mãe e bebê.

No trabalho de parto, o rebozo pode ser usado para ajudar a criança a se posicionar dentro do útero. "Com a peça, conseguimos ajeitar o bebê, caso a cabeça dele não esteja bem aplicada no colo do útero, além de iniciar o trabalho de parto ou auxiliar a mulher que já está cansada. Os movimentos da peça estimulam e aumentam a energia e a intensidade do parto, sem causar nenhum desconforto ou sequela", falou Naolí.

O rebozo ainda é útil para dar apoio às parturientes em diversas posições durante o trabalho de parto, bem como alongar a pelve durante as contrações. No entanto, nessa ocasião, o xale deve ser utilizado por uma parteira, doula, obstetriz ou médica que conheça a técnica. 

"Não existe uma contraindicação para usar o rebozo no trabalho de parto, no entanto, se a gravidez for de risco ou se a bolsa tiver rompido e o bebê estiver alto não é interessante usar pelo risco do prolapso do cordão umbilical [quando este precede a criança na passagem pelo canal de parto]. Nunca ouvi nenhum caso de que essa técnica provocou qualquer prejuízo", contou Naolí.

No pós-parto, a peça desempenha uma função importante no "ritual de fechamento do corpo" da mulher. "A mãe recebe uma massagem e um banho de ervas bem quente, durante o qual ela deve beber chás. Depois, ela é embalada em lençóis e cobertores e fica deitada, suando, por uma hora. Na sequência, veste uma roupa limpa e nós usamos o rebozo para 'fechar' o corpo dela. Esse conjunto de práticas dura mais ou menos quatro horas", explicou a parteira mexicana.

Segundo Naolí, o ritual ajuda a desinchar, a aumentar a produção de leite e até a melhorar as dores da amamentação. "A mulher se sente abraçada e energizada quando passamos o tecido em alguns lugares do corpo, como cabeça, ombros, quadris, pelve, peito e pés. Quem recebe o ritual fala que é mágico, que se sente completa e integrada novamente. O ideal é fazer de dez a 20 dias depois do parto, pelo menos três vezes", contou.

Outra utilidade do rebozo após o fim da gestação é poder usar a peça para carregar a criança, como um sling. Mas, de acordo com Naolí, o acessório também pode contribuir para acabar com as cólicas.

"Para tanto, os pais devem embalar a criança com um rebozo, com os braços para dentro, deixando só a cabeça para fora. Pegar um outro xale, esticá-lo e colocar o bebê em uma extremidade. Um pai pega uma ponta do tecido e o outro segura a outra. Daí só rolar o bebê de um lado para o outro, suavemente. O movimento faz com que o bebê se acalme e a cólica passe [veja vídeo abaixo]", falou.

Ainda que nunca tenha presenciado o bebê vomitar ou se sentir mal após rodar no rebozo, Naolí recomenda que os pais façam a técnica antes de colocá-lo para mamar, para que ele fique mais aliviado em relação às cólicas e possa se alimentar adequadamente.

O segredo do rebozo é a união do comprimento da peça com o tecido com o qual ela é fabricada. Apesar disso, para Naolí, as pessoas devem usar o que tem na mão.

"Claro que ter o original é melhor, mas algumas manobras podem ser feitas com um lençol. Ele precisa ter 70 centímetros de largura e dois metros de comprimento. O ideal é que ele também não seja escorregadio nem muito grosso, caso precise ser enrolado", afirmou.

Para quem tiver interesse em ter um rebozo, a parteira encomenda a peça do México e a envia pelos Correios. Basta mandar um e-mail para: naoli@amanascer.com.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentário

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Comportamento
do UOL
do UOL
do UOL
UOL Estilo
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
EFE
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Folha de S. Paulo
BBC
Folha de S. Paulo
BBC
do UOL
Topo