Pós-parto

Mulheres contam como retomaram a vida sexual após o nascimento dos filhos

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

04/07/2016 07h15

A recuperação da rotina sexual depois do nascimento dos filhos mexe com a vida dos casais. Algumas mulheres reclamam da falta de libido, outras do cansaço por conta das demandas com o bebê. Há também quem sofra com as reações masculinas. Nem todos os homens conseguem desvincular a figura materna da de amante. Confira a seguir o depoimento de cinco mulheres a respeito.

Valeri Guajardo, 32, mãe de uma menina de 4 anos

Divulgação
Imagem: Divulgação

“Demorei 50 dias para voltar a ter relações sexuais por conta de uma episiotomia (corte cirúrgico na região do períneo para aumentar a abertura vaginal). Quando eu e meu marido tentamos pela primeira vez no pós-parto, foi bem esquisito, mesmo usando lubrificante. Estava com medo, e a região vaginal muito sensível por causa do corte. Senti um pouco de dor e nas relações seguintes doeu também. Somente depois de quatro meses é que voltamos a manter relações normalmente, sem dores ou desconfortos. Acredito que a episiotomia pode ser um problema na retomada da vida sexual do casal, ainda mais para quem tem dificuldade de cicatrização como eu. É preciso que o casal tenha paciência e intimidade.”

Adriane*, mãe de um menino de 3 anos e meio

“Eu e meu marido sempre tivemos uma vida sexual muito ativa, mas depois que completei seis meses de gestação, tudo mudou. Ele disse que não queria mais transar porque tinha medo de machucar o bebê. Disse também que não queria que eu tentasse o parto normal, apesar da minha vontade, porque minha vagina ficaria larga. Após o parto, ele passou a reclamar da cicatriz da cirurgia, falou que meu corpo não era mais o mesmo, que os seios estavam caídos. Transamos pela primeira vez depois de oito meses do parto, por insistência minha. Achei tudo ótimo, ele, não sei. Continuou me ignorando. A segunda transa aconteceu dez meses depois. Há um ano e cinco meses, não transamos mais nenhuma vez. Adoro sexo e fico triste com essa situação. Já procurei ajuda profissional porque até deprimida fiquei com toda a situação. Hoje sei que o problema está na cabeça do meu marido, não na minha. Ainda assim, mesmo quando falamos sobre transar, ele dá alguma desculpa: cansaço, problemas mil, o fato de o nosso filho dormir conosco (o que não faz sentido, porque nossa casa é grande), medo que eu engravide novamente, as mudanças no meu corpo. Sou 24 anos mais jovem do que ele e sinto muita falta de transar. Em breve, vamos viajar de férias, e acho que ele não vai ter mais desculpas, até vai tomar um medicamento vasodilatador. Espero que dê tudo certo.”

*nome fictício a pedido da entrevistada para manter a privacidade.

Carolina Pacheco, 32, mãe de um menino de 5 e uma menina de 2 anos

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

“Cerca de um mês após o nascimento do nosso primeiro filho, via parto normal, eu e meu marido retomamos nossa vida sexual. Fiquei um pouco nervosa porque levei alguns pontos no períneo e achava que por isso ia sentir dores ou incômodo. Mas nada aconteceu e não senti grandes diferenças. Depois de três anos, nasceu nossa filha. Aí, sim, a retomada da vida sexual foi complicada. Primeiramente por conta do cansaço. Descansar era mais interessante do que qualquer coisa, inclusive sexo. Depois, porque fazíamos cama compartilhada com o bebê, então, ainda tínhamos de procurar outro lugar para transar que não fosse a nossa cama. Por fim, a cicatriz da cesárea é algo que me tira o tesão. Ainda que meu marido diga que acha a marca bonita, porque dali nasceu nossa filha, eu implico, fico com a autoestima abalada e ainda sinto dores na área do corte, mesmo dois anos depois. Em geral, ter paciência foi fundamental depois de ambos os partos. Tivemos de entender que sexo não era mais a nossa prioridade. E mais: concluímos que perfeito é inimigo do bom, ou seja, a gente prefere uma transa rápida, bem aproveitada e frequente a esperar dar tudo certo para um sexo romântico e cheio de preliminares e etapas. Baixamos as expectativas.”

Liliane Grammont, 37, mãe de um menino de 2 anos e meio

Paulo Rapaport/Divulgação
Imagem: Paulo Rapaport/Divulgação

“O parto de meu filho foi humanizado e durante a gestação me preparei com exercícios para o períneo. Meu marido não gostou de me ajudar nessa parte. Fazíamos exercícios com um aparelho chamado epi-no, uma espécie de balão que precisa ser inflado no canal vaginal. Ele dizia que era difícil ver a cena e imaginar que depois nossas transas voltariam ao normal. Ainda assim, namoramos bastante durante a gravidez. Depois que o bebê nasceu, fiquei totalmente desinteressada por sexo. Ainda assim, não tive dor na primeira relação pós-parto, que aconteceu um mês e meio depois de meu filho ter nascido, mas meu marido dizia que as cenas dos exercícios de períneo voltavam à cabeça dele. O desejo de transar de verdade foi voltando aos poucos, mas o sono que eu sentia sempre atrapalhava os planos. Com o passar do tempo, fomos sentindo necessidade de voltarmos a fazermos coisas só nós dois. Por isso, resolvemos oficializar nosso relacionamento cerca de dois anos depois do parto, com direito a cerimônia de casamento, vestido de noiva, véu, grinalda e lua de mel. Foi uma ideia ótima para acender novamente a nossa intimidade.”

Larissa Queiroz, 28, mãe de um menino de 2 anos

Andrea Bello/Divulgação
Imagem: Andrea Bello/Divulgação

“Fui submetida a uma cesárea porque o coração do bebê acelerou durante a indução com ocitocina. João nasceu ótimo, mas a minha recuperação foi bem difícil. Tive forte reação à anestesia e minha cabeça doeu muito por vários dias. A cicatrização do corte também não foi muito tranquila. Tenho uma marca bem aparente até hoje, três anos depois, embora ela não me incomode esteticamente. A retomada da rotina sexual aconteceu logo depois da quarentena, mas foi um pouco incômodo para mim. Eu me sentia insegura. Minha barriga ainda estava um tanto diferente depois de quase dois meses da cirurgia e os seios, grandes e pesados por causa da amamentação. Não sentia muita vontade de transar e quando acontecia não conseguia tirar toda a roupa. Para piorar, fiz uso de uma pílula anticoncepcional para evitar outra gravidez e a composição é somente progesterona, o que inibe a libido drasticamente. Por isso, também não tinha lubrificação nem a menor vontade de ter relações. O sexo só melhorou mesmo quando optei por abandonar a pílula. Meu companheiro reclamou da falta de libido. Ele ficava de cara feia e reclamava que a gente não transava mais. Não foi um período fácil até as coisas entrarem nos eixos.”

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Saúde do homem também pode complicar gestações; veja entrevista

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% das mulheres grávidas e 13% das que acabaram de dar à luz sofrem algum tipo de distúrbio mental. Em países em desenvolvimento o índice sobe para 20%. A depressão seria o comportamento mais comum entre esses distúrbios e requer, na maioria das vezes, interferência psiquiátrica. Ela se difere de baby blues ou tristeza materna, que é uma situação considerada normal e temporária, e atinge cerca de 80% das mulheres. Depressão pós-parto e perda gestacional foi o tema da transmissão ao vivo da "TV Folha" nesta quarta-feira (27), com as participações da obstetra e ginecologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Albertina Duarte e da especialista em cuidados com bebês e crianças Mariana Alves. A mediação é da blogueira Camila Appel, do "Morte Sem Tabu". Há alguns fatores de risco para se considerar, como passar por quebras de expectativas (ter imaginado o parto perfeito ou não sentir amor imediato pelo bebê), já ter tido depressões prévias e perdas gestacionais. O momento é de extremo cansaço para mãe, que pode sofrer de transtornos de humor normais em até um mês após o parto. Se o quadro se agrava depois do período, é recomendada a busca por ajuda médica. A perda gestacional impacta cerca de 10% das mulheres e é sentida como um luto profundo, por mulheres e homens. Entre as causas, Albertina destaca a má-formação do feto, infecções, falta de vitamina (D especialmente) e stress. Ressalta também que a perda pode acontecer devido a infecções presentes no esperma e por isso ser algo não apenas relacionado à saúde da mãe. Mariana fala em um aumento tanto de casos de depressão pós-parto quanto de perdas gestacionais. Albertina e Mariana concordam que sintomas da sociedade contemporânea estariam associadas a essa realidade, como o stress e a má alimentação.

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