Bebês

Vídeo de mulher fazendo dança sensual com bebê é abusivo, dizem psicólogas

Reprodução/Facebook
Vídeo promove erotização precoce imagem: Reprodução/Facebook

Do UOL, em São Paulo

Um vídeo em que uma mulher aparece rebolando até o chão na frente de um bebê que aparenta ter um ano de idade está repercutindo negativamente nas redes sociais.

Postado no Facebook, o vídeo de 22 segundos já tem mais de 2,6 milhões de visualizações e mostra o bebê imitando a mulher, provavelmente sua mãe, fazendo movimentos de vai e vem com o quadril que remetem a um ato sexual.

Há um segundo adulto filmando e ambos demonstram se divertir com a atitude da criança, que é incentivada a continuar a dança.

A repercussão da filmagem, que para alguns internautas estimula a pedofilia, chegou ao exterior e foi alvo de uma reportagem do jornal britânico “Daily Mail”.

Para Blenda de Oliveira, psicoterapeuta de adultos, adolescentes e crianças, o vídeo é abusivo. “Do ponto de vista cognitivo, a criança nesta idade ainda não sabe o que é sexual e o que não é, não tem maturidade intelectual para fazer essa distinção, mas é movida por sensações e, portanto, é estimulada precocemente em sua sexualidade, o que causa um impacto negativo em seu desenvolvimento”.

Segundo a especialista, o abuso também ocorre porque a criança não compreende as consequências do ato e da exposição e isso fere sua intimidade. “ Atitudes assim, cada vez mais comuns em nossa sociedade, chegam a ser cruéis, pois a criança se torna um objeto de riso, sem ter noção disso.”

De acordo com Quézia Bombonatto, psicopedagoga e diretora da ABPp (Associação Brasileira de Psicopedagogia), é preciso lembrar que, apesar de ingênua, a criança não é assexuada e passa, a cada fase, pela experimentação do prazer de maneira diferente. Atropelar seu desenvolvimento natural poderá causar a erotização precoce e ter consequências negativas sobre a criança.

“Todas essas percepções sensoriais que o bebê está tendo, ao abraçar e encostar na mãe, causam estímulos e favorecem a descoberta do sexo antes da hora. Ao ser incentivado pelos adultos, ele recebe um reforço positivo, o que significa que irá continuar agindo assim, primeiro em casa, depois na escola, e não sabemos como irá extravasar esses estímulos no futuro.”

O despertamento sexual precoce, explica Quézia, também pode causar uma certa confusão de sentimentos. “A criança sente algo que não sabe nomear e, no futuro, talvez tenha dificuldades para lidar e compreender o que sente.”

A psicopedagoga explica que os pais devem ser muito cuidadosos ao expor fotos e vídeos de seus filhos na internet, evitando que sejam manipulados ou usados por pessoas que tenham interesse em pedofilia. “Isso sem contar que, mais tarde, esse menino verá o vídeo e poderá se sentir culpado ou até mesmo ter a sensação de que foi humilhado pelos pais.”

Para a psicóloga Marina Vasconcellos, terapeuta familiar e de casal, trata-se de um comportamento inadequado dos adultos e de uma exposição absurda e desnecessária da criança. “Os pais não têm direito de expor o filho pequeno em busca de curtidas na internet. Isso fere o direito da criança, que ainda não sabe discernir nem escolher. Além disso, a dança banaliza o sexo, passando uma mensagem muito negativa às crianças que, porventura, venham a assistir ao vídeo”, afirma.

As consequências desse tipo de exposição, explica a psicoterapeuta infantil Paloma Vilhena, contribuem para uma cultura de pedofilia, estereótipos de gênero e machismo. “Pedofilia é a atração sexual de adultos por crianças. Já o abuso sexual não implica apenas no contato físico, mas sim, em envolver a criança como objeto de satisfação sexual ou erótica como voyeurismo, exposição à pornografia e exibicionismo, situações que não são próprias da infância."

A psicóloga avalia que sexualização precoce pode colocar a criança em risco de sofrer gravidez precoce e relacionamentos promíscuos e abusivos quando mais velha, buscando conseguir aceitação, pertencimento, carinho e amor. "Pode ficar confuso para criança o que deve ser privado e o que deve ser público, e quem pode tocar em seu corpo e quando”, alerta.

ID: {{comments.info.id}}
URL: {{comments.info.url}}

Ocorreu um erro ao carregar os comentários.

Por favor, tente novamente mais tarde.

{{comments.title}}

{{comments.total}} Comentários

Seja o primeiro a comentar

{{subtitle}}

Essa discussão está encerrada

Não é possivel enviar novos comentários.

{{ user.alternativeText }}
Avaliar:
 

* Ao comentar você concorda com os termos de uso. Os comentários não representam a opinião do portal, a responsabilidade é do autor da mensagem. Leia os termos de uso

Escolha do editor

{{ user.alternativeText }}
Escolha do editor

do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
do UOL
BBC
do UOL
do UOL
do UOL
do UOL
Gravidez e Filhos
do UOL
do UOL
ItMãe
Folha de S. Paulo
do UOL
Guia do Bebê
Maternar
Disney Babble
Revista Ana Maria
do UOL
Folha de S. Paulo
Vya Estelar
do UOL
Disney Babble
It Mãe
Revista Ana Maria
Cenapop
Guia do Bebê
Disney Babble
It Mãe
UOL Tabloide
do UOL
BBC
Disney Babble
Guia do Bebê
Disney Babble
Guia do Bebê
do UOL
Guia do Bebê
Maternar
Disney Babble
do UOL
RedeTV!
Maternar
do UOL
Topo