Pós-parto

Baby blues ou depressão pós-parto? Saiba qual é a diferença

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Com o nascimento do bebê, a mulher sofre uma queda nos hormônios que pode levar ao baby blues imagem: Getty Images

Thamires Andrade

Do UOL, em São Paulo

A maior parte dos hormônios da gravidez é secretada pela própria placenta. Portanto, logo que o bebê nasce, o nível de hormônios no corpo da mãe cai 200 vezes. Essa diminuição repentina desestabiliza os neurônios e provoca o baby blues ou blues puerperal.

Trata-se de um estado de tristeza ou irritação leve que acomete 85% das mulheres no pós-parto. Durante esse período, a mãe se sente bem e feliz com o nascimento do filho, mas, mesmo assim, tem rompantes de choro. Ao ser questionada sobre o porquê de estar chorando, ela não consegue elaborar o motivo.

O normal é que o baby blues desapareça 15 dias após o parto. Caso os sintomas persistam ou se acentuem, é provável que a mulher esteja com depressão pós-parto, doença que acomete 15% das mulheres no puerpério.

Neste quadro, a mulher pode tanto rejeitar o bebê quanto superproteger a criança, não deixando que ninguém a toque, nem mesmo o próprio pai. É papel, tanto dos obstetras durante as consultas de rotina quanto dos familiares, identificar essas mudanças no humor da mãe para encaminhá-la a um especialista.

Os pediatras também são profissionais capacitados para observar sinais de alteração nos campos emocional e psicológico da mãe.

É importante obter um rápido diagnóstico para que a gestante possa se tratar, dar conta de cuidar do bebê e aproveitar esse momento precioso.

O tratamento para a depressão pós-parto é medicamentoso e compatível com a amamentação. Os especialistas também indicam psicoterapia para que a nova mãe aprenda a lidar com a culpa.

Um dos fatores de risco para a depressão pós-parto é o confinamento das mães em casa com os bebês. Para evitar isso, os médicos recomendam que elas saiam para tomar sol e que tirem pelo menos uma hora do dia para si.

Mas o risco da depressão não se limita aos dias após o parto. Até o segundo ano de vida do bebê as mães são mais suscetíveis a ter a doença.

Consultoria: Carolina Ambrogini, ginecologista e obstetra; Ana Merzel Kernkraut, psicóloga e coordenadora de Psicologia no Hospital Albert Einstein, em São Paulo; Moises Chencinski, pediatra e membro do Departamento de Aleitamento Materno da SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo).

 

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 10% das mulheres grávidas e 13% das que acabaram de dar à luz sofrem algum tipo de distúrbio mental. Em países em desenvolvimento o índice sobe para 20%. A depressão seria o comportamento mais comum entre esses distúrbios e requer, na maioria das vezes, interferência psiquiátrica. Ela se difere de baby blues ou tristeza materna, que é uma situação considerada normal e temporária, e atinge cerca de 80% das mulheres. Depressão pós-parto e perda gestacional foi o tema da transmissão ao vivo da "TV Folha" nesta quarta-feira (27), com as participações da obstetra e ginecologista do Hospital das Clinicas de São Paulo Albertina Duarte e da especialista em cuidados com bebês e crianças Mariana Alves. A mediação é da blogueira Camila Appel, do "Morte Sem Tabu". Há alguns fatores de risco para se considerar, como passar por quebras de expectativas (ter imaginado o parto perfeito ou não sentir amor imediato pelo bebê), já ter tido depressões prévias e perdas gestacionais. O momento é de extremo cansaço para mãe, que pode sofrer de transtornos de humor normais em até um mês após o parto. Se o quadro se agrava depois do período, é recomendada a busca por ajuda médica. A perda gestacional impacta cerca de 10% das mulheres e é sentida como um luto profundo, por mulheres e homens. Entre as causas, Albertina destaca a má-formação do feto, infecções, falta de vitamina (D especialmente) e stress. Ressalta também que a perda pode acontecer devido a infecções presentes no esperma e por isso ser algo não apenas relacionado à saúde da mãe. Mariana fala em um aumento tanto de casos de depressão pós-parto quanto de perdas gestacionais. Albertina e Mariana concordam que sintomas da sociedade contemporânea estariam associadas a essa realidade, como o stress e a má alimentação.

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