Adolescência

Ver os pais bebendo em casa influencia o adolescente a consumir álcool

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Ao ver os pais bebendo compulsivamente ou todos os dias, o adolescente pode achar que só é possível se divertir bebendo Imagem: Getty Images

Juliana Nakamura

Colaboração para o UOL, em São Paulo

28/07/2016 07h15

Verdadeiros modelos de comportamento, os pais influenciam o jeito de ser, as crenças e os hábitos dos seus filhos. Isso se aplica a diferentes áreas, inclusive à forma como o adolescente se relaciona com o álcool. “A família é a nossa primeira fonte de socialização. Assim como um jovem pode se interessar por esportes, inspirado pela prática dos pais, também pode desenvolver uma relação nociva com a bebida diante do mau exemplo vindo de casa”, diz a psicóloga Mariana Sanches, pesquisadora do GREA (Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas), ligado ao Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo.

O álcool é a substância psicoativa mais consumida entre os jovens, que têm tido contato com a bebida cada vez mais cedo. Dados do CISA (Centro de Informações sobre Saúde e Álcool) apontam que os adolescentes que iniciam a ingestão de álcool antes dos quinze anos têm predisposição quatro vezes maior a desenvolver dependência, em comparação com aqueles que fizeram seu primeiro uso aos vinte anos ou mais. O uso precoce da bebida também está associado a uma série de comportamentos de risco, dificuldades de aprendizado e prejuízos no desenvolvimento de habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais.

O problema é tão sério que motivou a SPSP (Sociedade de Pediatria de São Paulo) a realizar uma campanha permanente de prevenção e combate ao álcool e às drogas na infância e adolescência. “O objetivo é conscientizar profissionais da saúde e a sociedade civil sobre os efeitos nocivos do consumo precoce de drogas lícitas e ilícitas por crianças e jovens”, explica Cláudio Barsanti, presidente da instituição. Para se ter uma ideia, no Brasil, 67% dos estudantes de 13 a 15 anos de idade já experimentaram alguma bebida alcoólica. Desses, 22% já tiveram algum episódio de embriaguez na vida. Os dados são da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar, realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) em 2013.

Franqueza e transparência

Exercer influência sobre o comportamento dos adolescentes não significa necessariamente que os pais devam manter-se abstêmios ou parar de beber na frente dos filhos. “Mais importante é os adultos pensarem no tipo de relação que têm com o álcool e como isso é transmitido e compreendido pelos jovens”, afirma a psiquiatra Carolina Hanna, pesquisadora do CISA.

Diante de um pai que bebe compulsivamente em situações sociais ou que precisa de uma dose todos os dias quando chega do trabalho, o filho pode entender que só é possível se divertir bebendo ou que trabalhar é algo tão desgastante que merece ser aliviado com a ingestão de álcool. “Esse tipo de mensagem fica grudada na mente dos jovens, ainda mais se repetidas desde a infância”, diz Mariana.

Além do exemplo negativo, os adultos erram ao naturalizar o uso abusivo do álcool, criando um ambiente permissivo para os jovens. “Os pais têm que assumir o papel de responsáveis, desaprovar o uso precoce do álcool, impor limites, sanções, e monitorar o que seus filhos estão fazendo”, afirma Carolina Hanna. A médica explica que a vulnerabilidade ao álcool, assim como a outras drogas, diminui consideravelmente em famílias cujos pais têm um estilo de vida saudável, com a prática constante de atividades prazerosas, além de diálogo e afeto.

Por isso, vale investir em um ambiente familiar equilibrado, baseado em definição de regras claras, respeito mútuo e relações verdadeiras.

Para os pais de adolescentes, a recomendação dos especialistas é abordar o tema de modo claro, sem mentiras, hipocrisia e amedrontamento. Durante a conversa, os pais devem ser francos, podem contar suas experiências, manifestar suas opiniões e suas preocupações.

A adolescência é por si só um momento de turbulências e transformações para o jovem (no corpo, nas relações, na escola, etc.). Daí a importância de os pais estarem atentos e dispostos a ajudar, diminuindo a chance de a bebida ser encarada como um diluidor de aflições ou uma solução rápida para aliviar as angústias. 

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