Infância

Bancar escolha do filho como Priscila Fantin é arma eficaz contra bullying

Reprodução/Facebook
A atriz Priscila Fantin e o filho, Romeo, que sofre bullying por ter o cabelo comprido Imagem: Reprodução/Facebook

Melissa Diniz

Do UOL

03/10/2016 07h05

Aos cinco anos, Romeo, filho da atriz Priscila Fantin, gosta de usar o cabelo comprido. Por causa da preferência, a mãe já relatou em entrevistas que o menino sofre bullying na escola. Priscila decidiu apoiar o filho, fortalecendo-o para lidar com as críticas, e não sucumbiu a um impulso que seria natural na situação: convencê-lo a cortar o cabelo.

Uma dúvida comum dos pais em situações como essa é se devem respeitar o gosto e a vontade do filho ou simplesmente tomar atitudes que impeçam que o bullying continue.

“Se a criança não apresenta sinais de que a opinião dos outros está causando sofrimento, não é necessário intervir. Cortar o cabelo de um menino que deseja deixá-lo crescer só reforça estereótipos de gênero”, afirma a psicoterapeuta infantil Paloma Vilhena. 

Getty Images

Para a psicóloga Hellen Mourão, o gosto da criança faz parte de sua personalidade, intervir, obrigando-a a mudar, é uma forma de repressão e pode ter consequências danosas a seu desenvolvimento.

“O que se deve fazer é conversar e tentar compreender o que o filho sente. Os pais também precisam estar atentos para o que eles próprios sentem em relação ao filho. Muitas vezes, o bullying começa em casa”, diz Hellen.

Fortalecendo a criança

Mesmo acatando a vontade da criança, os pais podem prepará-la para possíveis comentários inadequados vindos de seu grupo social, diz a psicóloga Viviane Rossi, especialista em crianças e adolescentes.

“É preciso orientar o filho para que ele não permita tais comentários e, em alguns casos, que busque ajuda de um adulto responsável próximo. Depois, devem esclarecer os limites entre brincadeiras e comentários inofensivos e outros ofensivos, constrangedores, deixando um canal de diálogo sempre aberto e receptivo para quaisquer questões que a criança queira conversar”, declara Viviane.

Foi o que fez a médica paulistana Rosana Martinelli, mãe de Teodoro, 9. “Aos cinco anos, ele mudou de escola e os novos colegas estranharam seus cabelos longos. Chamavam-no de Teodora. Ele levou um tempo para me contar e, quando soube, fiquei chateada. Perguntei como ele se sentia e se preferiria cortar, mas ele decidiu manter o visual, inspirado no próprio pai [que também tem fios longos].”

Arquivo pessoal
A médica Rosana Martinelli e o filho Teodoro, 9 anos Imagem: Arquivo pessoal

Rosana então falou para o filho que ele estava fazendo uma escolha corajosa, mas que ela teria consequências para as quais precisaria estar preparado.

“Expliquei o que era preconceito e que não havia problema nenhum em ter cabelo comprido, que isso não era apenas coisa de menina e ele me disse que tudo bem, afinal, ser chamado de menina não era uma ofensa”, conta Rosana.

Preocupada com a questão do sexismo, a médica lançou neste ano o livro “O Pinguim Azul de Miguel” (editora Quatro Cantos). A obra aborda preconceitos e estereótipos para crianças, pais e educadores.

“A história do Teodoro foi o ponto de partida, mas decidi ir além e abordar vários tipos de preconceitos que ainda temos em nossa sociedade”, fala a médica.

Maturidade e discernimento

Quando se trata de uma criança, fica difícil saber se ela tem maturidade e condições emocionais de lidar com a pressão e decidir qual caminho quer seguir.

De acordo com Paloma, a idade da criança e o tipo de educação que recebe em casa vão ser determinantes para saber como ela lidará com o bullying.

“Se tiver boas referências de como ser tratado de forma respeitosa, poderá ter mais discernimento para não dar ouvidos a ofensas e críticas destrutivas”, declara Paloma.

Ao conversar com o filho, a psicóloga aconselha os pais a usarem um tom acolhedor, deixando claro que ele não tem culpa dos comentários de que tem sido alvo. Caso tenham dificuldades, eles podem buscar a ajuda de um psicólogo.

“Os pais e a escola devem formar uma rede de apoio buscando soluções em conjunto. Entrar em contato com o pai ou mãe do colega que intimidou o seu filho pode gerar uma briga entre os adultos e piorar a situação”, afirma Paloma.

De acordo com Viviane, em hipótese alguma, os pais da vítima devem procurar diretamente o agressor. “É imensamente intimidador e ameaçador um adulto abordar uma criança para tratar dessa questão. Os pais não devem incitar a violência e a agressividade, não devem expor o caso publicamente em reuniões de sala de aula nem constranger o próprio filho chamando-o de fraco, frouxo, covarde”, diz.

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