Gravidez e filhos

Meningite assusta pais de crianças pequenas e pode ser confundida com gripe

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Lavar as mãos com frequência e não dividir objetos de uso pessoal são formas de prevenir a doença Imagem: Getty Images

Beatriz Vichessi

Colaboração para o UOL

30/10/2016 07h05

São muitos os quadros de meningite, já que essa é uma doença que pode ser causada por diferentes agentes --dentre os quais, vírus e bactérias--, que apresentam variados sintomas e níveis de gravidade. Buscar informações sobre o mal é importante para não negligenciar um quadro bacteriano nem se desesperar diante de uma meningite viral, que geralmente é a sua forma mais branda.

O Brasil é um dos países que considera meningite uma doença endêmica --casos são esperados durante todo o ano--, porém quadros virais são mais comuns no verão e bacterianos, no inverno, podendo ocorrer surtos.

Confira nove perguntas e respostas sobre a doença.

1 - O que é meningite?

É um termo amplo usado para fazer referência à inflamação das meninges (as três membranas que envolvem e protegem o encéfalo, no cérebro, e a medula espinhal) e outras partes do sistema nervoso central. Essa inflamação pode surgir a partir de uma ampla variedade de doenças infecciosas ou não. Quando tem origem infecciosa, a inflamação acomete o corpo quando um microrganismo –como uma bactéria ou um vírus-- ataca as meninges.

2 - Quais os tipos da doença?

A meningite pode ser viral, mais comum em crianças. Ela pode ser causada por alguns vírus principais: enterovírus, arbovírus, vírus do sarampo e da caxumba, adenovírus e vírus herpes simples. Também existem as meningites bacterianas, cujos agentes mais comuns são as bactérias meningococos, pneumococos e hemófilos, transmitidas pelas vias respiratórias ou associadas a quadros infecciosos de ouvido, por exemplo.

Há também casos mais raros de meningites provocadas por fungos ou pelo bacilo de Koch, o mesmo que causa a tuberculose.

3 – Que exame é feito para confirmar o diagnóstico de meningite?

É necessário fazer a coleta de líquido cefaloraquidiano (líquor), retirado preferencialmente por meio de punção na região lombar da coluna, e de sangue, para identificar com precisão o que está causando os problemas apresentados pelo doente.

4 - É preciso isolar o doente do convívio com as demais pessoas da casa?

Sim, pois o contágio pode ocorrer quando o doente tosse, espirra, beija ou toca com as mãos sujas outras pessoas e usa objetos que serão manipulados por quem está ao redor. Por isso, as crianças não devem ir à escola, e a direção precisa ser notificada imediatamente após o diagnóstico médico ser confirmado, para que notifique os órgãos de saúde públicos competentes sobre o caso. Isso serve para as autoridades avaliarem se é necessária a realização da quimioprofilaxia (administração preventiva de antibióticos) em pessoas próximas ao doente. A notificação é obrigatória para todo e qualquer caso de meningite.

5 - Existem maneiras de prevenção?

Sim. Caprichar na higiene pessoal e manter a carteira de vacinação em dia são dois dos cuidados mais importantes. Outros: não secar as mãos em toalhas úmidas –dando preferência sempre que possível às descartáveis--, higienizar muito bem legumes, frutas e verduras antes do consumo e manter utensílios de uso individual para cada pessoa da casa (como toalhas de rosto e de banho), principalmente no caso de crianças.

6 - Todos os tipos de meningite são gravíssimos?

Não. As pessoas normalmente se recuperam de uma meningite viral dentro de uma a duas semanas, sem problemas a longo prazo. Claro que isso depende muito da saúde do paciente (pessoas com sistema imunológico comprometido inspiram mais cuidados). A exceção são bebês com menos de três meses, especialmente nos casos causados pelos vírus herpes simples --esse cenário é grave.

Já a meningite causada por bactérias é agressiva e considerada emergência médica, pede ação rápida, pois pode levar o doente à morte em horas.

7 - Como são tratados os quadros de meningite? Todos necessitam de internação?

No caso da meningite viral, uma vez que os médicos tenham certeza do diagnóstico, em geral, a internação acontece por cautela, para acompanhamento médico mais próximo, hidratação e maior conforto do doente. É comum serem prescritos antitérmicos e analgésicos, que aliviam os sintomas, tal como é praxe no tratamento de outros males provocados por vírus. Para quadros bacterianos, a internação é fundamental, dado à gravidade do caso e porque é necessário ministrar antibióticos diretamente na veia do paciente.

8 - Quais os sintomas típicos da doença?

Nas meningites causadas por vírus, pode parecer que a pessoa está com gripe, em função dos sintomas mais leves. O doente apresenta febre, dor de cabeça, rigidez da nuca, falta de apetite e irritação.

Já quando a meningite é causada por bactérias, o caso é mais grave e o quadro do doente, mais delicado. Rapidamente, ele apresenta febre alta, mal-estar, vomita, tem dores fortes de cabeça e no pescoço e sente dificuldade para encostar o queixo no peito. Manchas roxas podem aparecer espalhadas pelo corpo, e a pessoa ter o nível de consciência alterado, um sinal de que a infecção está se espalhando pelo sangue. Em bebês, um sinal da doença é a elevação da moleira.

9 – Existe vacina para a meningite?

Sim, mas apenas para a forma bacteriana da doença. São elas:

Vacina Meningocócica C Conjugada

Disponível no sistema público de saúde, onde é aplicada em crianças de dois meses a menores de cinco anos.

São três doses: uma aos três meses, uma aos cinco e uma aos 12 meses (podendo ser aplicada até os quatro anos).

Além dessas doses, a SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) recomenda um reforço entre cinco e seis anos e outro aos 11 anos. Quem segue a recomendação tem de fazê-la em clínicas particulares, arcando com os custos.

A partir de 2017, crianças e adolescentes de nove a 13 anos também vão receber uma dose da vacina meningocócica C na rede pública de saúde.

Vacina Meningocócica Conjugada Quadrivalente (ACWY)

Disponível somente na rede privada de saúde. A dose custa R$ 367 (o preço pode variar dependendo da clínica escolhida).

A primeira dose deve ser dada aos três meses de idade, com mais duas doses no primeiro ano de vida. A criança deve receber uma dose de reforço com um ano, uma com cinco anos e a última com 11.

Para adolescentes que nunca foram imunizados, são recomendadas duas doses, com intervalo de cinco anos entre elas.

Vacina Meningocócica B

Disponível somente na rede privada de saúde. A dose custa R$ 680 (o preço pode variar dependendo da clínica escolhida).

A SBP recomenda o uso rotineiro de quatro doses dessa vacina, uma aos três meses, uma aos cinco, uma aos sete e a última dose entre 12 e 15 meses.

No caso de crianças maiores e adolescentes não vacinados na infância, o ideal é que a vacina seja dada em duas doses, com intervalo de um ou dois meses entre elas.

Vacina Haemophilus Influenzae Tipo B

Disponível na rede pública de saúde, integra a vacina pentavalente.

Em clínicas particulares, faz parte das vacinas pentavalente e hexavalente e também pode ser encontrada em sua forma isolada.

É recomendada em três doses, aos dois, quatro e seis meses de idade. A SBP recomenda uma quarta dose entre 12 e 18 meses.

Crianças com mais de cinco anos e adolescentes não vacinados devem tomar duas doses, com intervalo de dois meses entre elas.

Consultoria: Marco Aurélio Sáfadi, presidente do Departamento Científico de Infectologia da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), Glaucia Varkulja, infectologista do Hospital Santa Catarina, em São Paulo, e Victor Nudelman, pediatra do Hospital Israelita Albert Einstein, também na capital paulista.

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