Infância

Tragédia como da Chape é chance de falar sobre luto e compaixão com criança

Nelson Almeida/AFP Photo
No dia do acidente, Richard Nascimento, de sete anos, foi fotografado cabisbaixo na arquibancada da Arena Condá, estádio da Chapecoense Imagem: Nelson Almeida/AFP Photo

Do UOL

02/12/2016 12h21

Na quarta-feira (30), ao chegar da escola, Nina, 8, chamou a mãe em um canto e pediu para conversar: estava assustada com a notícia do acidente aéreo com time da Chapecoense. Ela descobriu a tragédia quando o motorista da van escolar sintonizou a TV do veículo em um telejornal. Os pais não haviam comentado o assunto com ela, mas, no colégio, o tema repercutiu entre os colegas, o que só fez aumentar a inquietação da menina.

A reação de Nina causou dúvidas nos pais: eles fizeram certo em não abordar a notícia ou deveriam ter se antecipado, para que a filha ouvisse deles algo sobre a tragédia?

De acordo com as especialistas ouvidas pelo UOL, o melhor é esperar para abordar o assunto quando a criança manifestar interesse. “Tem de esperar para saber o grau de profundidade que se deve dar ao assunto. Às vezes, na ansiedade de mantê-las antenadas, damos informações que as deixarão ainda mais confusas ou ansiosas”, explica a psicóloga infantil Julyany Gonçalves, orientadora educacional do Colégio Renovação, com unidades na capital paulista e interior do Estado.

Para a psicóloga Sylvia Caram, especialista em educação infantil pela PUC (Pontifícia Universidade Católica) do Rio de Janeiro, comoções como essa são oportunidades de falar sobre as perdas inerentes à vida. “É a chance de os pais naturalizarem os sentimentos que envolvem a morte, que atinge todos os seres vivos: pessoas, plantas ou animais.”

Blindar a criança ou omitir informações quando ela questiona nunca será o melhor caminho para o desenvolvimento dela, seja qual for o assunto. E não existe roteiro para essa conversa.

“A mais sensata orientação é sempre dizer a verdade, levando em conta o comportamento, o sentimento ou a curiosidade que a criança manifestar”, declara Julyany.

Se a criança não fizer perguntas, mas se mostrar inquieta ou tensa, também vale oferecer ajuda. “Elas não precisam de explicações detalhadas e complexas. O mais importante é dar-lhes acolhimento e segurança”, afirma a psicóloga Triana Portal, especialista em psicologia clínica pela Universidade de São Paulo.

Crianças podem lidar com a dor

Não subestimar as crianças é uma recomendação comum de todas as especialistas. “Elas podem dar conta dos acontecimentos da vida desde que sejam ouvidas, respeitadas e consideradas em sua dor ou medo. Muitos perguntam se as crianças devem participar de um velório e digo que, se elas quiserem, devem ir. A despedida não traumatiza a criança, mas deve-se explicar a ela, previamente, o que vai encontrar lá”, diz Triana.

Usar a fantasia para falar sobre a morte é valido, mas é preciso deixar claro que as pessoas que se foram não vão mais voltar. “Não sou contra dizer que quem morreu foi morar com o papai do céu ou virou estrelinha, mas discordo de quem diz que ‘o vovô foi viajar’ ou ‘o cachorrinho fugiu’”, fala a psicóloga clínica. “Isso pode criar na criança a expectativa de quem morreu pode retornar e levá-la a perder a confiança nos pais.”

O processo de elaborar sofrimentos e emoções na criança deve ser observado atentamente pelos adultos da casa. “Elas se expressam com alterações no comportamento e no humor. O sono pode ser afetado, assim como a alimentação e os estudos. Também pode haver agressividade repentina”, afirma a neuropsicopedagoga Christine Christmann, especializada em psicossomática (o estudo das reações do corpo que têm origem na mente) na Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro.

O outro lado da tragédia

Em acidentes chocantes como o que ocorreu com a Chapecoense, o que chama a atenção é a solidariedade das pessoas. Um exemplo foi a homenagem feita pela torcida do time Atlético Nacional, no estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia. Esses feitos devem ser destacados para as crianças, segundo a psicopedagoga Quézia Bombonato, presidente da ABPP (Associação Brasileira de Psicopedagogia).

“É o momento de a família pensar junto em formas de ajudar essas pessoas. Se for religiosa, pode fazer uma oração, por exemplo. Se o acontecimento envolvesse a perda de bens materiais, os pais poderiam sugerir às crianças arrecadar alimentos com os colegas”, diz. Ela afirma que sempre existe um lado positivo na comoção, que pode ser valorizado com as crianças.

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